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Pink Floyd - Wish You Were Here [1975]


Artist: Pink Floyd
Formed: 1965, London, Greater London, United Kingdom
Disbanded: 1994
Line up: Roger Waters (vocals, bass guitar, guitar, EMS VCS 3, tape effects), David Gilmour (vocals, guitar, lap steel guitar, EMS Synthi AKS, keyboards, tape effects), Richard Wright (keyboards, EMS VCS 3, clavinet, background vocals), Nick Mason (drums, percussion, tape effects). 
Label: Harvest, Columbia/CBS (outside Europe)
Produced: Pink Floyd
Released: September 15, 1975
Genres: Progressive Rock, Art Rock






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Faixas
(Compositor) [Performance] 

A1  Shine On You Crazy Diamond (1-5)  13:30
(Gilmour/Waters/Wright)  [Waters]
A2  Welcome to the Machine  7:26
(Roger Waters)  [Gilmour]
B1  Have a Cigar  5:08
(Roger Waters)  [Roy Harper]
B2  Wish You Were Here  5:40
(David Gilmour/Roger Waters)  [Gilmour]
B3  Shine On You Crazy Diamond (6-9)  12:22
(Gilmour/Waters/Wright)  [Waters]









Wish You Were Here é o nono álbum de estúdio da banda britânica de rock progressivo Pink Floyd, lançado no dia 15 Setembro de 1975. Inspirado por material composto pela banda enquanto se apresentavam pela Europa, ele foi gravado após numerosas sessões nos Estúdios Abbey Road, em Londres. O álbum explora temas como ausência, indústria musical e a deterioração mental de Syd Barrett, um dos fundadores do grupo. As primeiras sessões se constituíram em um processo difícil e árduo, sendo iniciadas com a ideia de Waters de dividir a peça central do álbum, "Shine On You Crazy Diamond", em duas partes, unindo-as com novas composições. "Shine On" é um tributo à Barrett, que, coincidentemente, fez uma visita ao estúdio enquanto ela estava sendo gravada. A banda não conseguiu reconhece-lo imediatamente, uma vez que ele havia ganho peso e sofrido alterações em sua aparência, tudo provocado pelo uso excessivo de drogas.

Assim como em seu trabalho anterior, The Dark Side of the Moon, a banda fez uso de efeitos de estúdio e sintetizadores; a embalagem do disco, novamente projetada por Storm Thorgerson, continha uma manga negra escondida na arte do álbum. Wish You Were Here estreou em um show realizado em Knebworth, em Julho de 1975, e foi lançado em Setembro daquele ano, tornando-se um instantâneo sucesso; a gravadora EMI não conseguiu fazer cópias suficientes para satisfazer a demanda pelo disco. Ainda que, inicialmente, o álbum tenha recebido críticas mistas, ele se tornou aclamado pelos críticos, sendo listado na 209ª posição da lista "500 Melhores Álbuns de Sempre" da revista Rolling Stone. David Gilmour e Richard Wright já declararam que Wish You Were Here é o álbum da banda favorito de ambos.

Wish You Were Here atingiu a primeira posição nas paradas da Billboard, vendendo até hoje, mais de seis milhões de cópias só nos Estados Unidos, onde foi premiado com disco de ouro em 17 de Setembro de 1975 e como sêxtupla platina em 16 de Maio de 1997, pela Recording Industry Association of America. No mundo inteiro, o álbum vendeu mais de 13 milhões de cópias.


Antecedentes

Durante 1974, o Pink Floyd havia esboçado três novas composições, "Raving and Drooling", "You Gotta Be Crazy" e "Shine On You Crazy Diamond", tendo tocado-as em uma série de apresentações na França e na Inglaterra, em sua primeira turnê desde The Dark Side of the Moon, em 1973. A banda nunca havia contratado um publicista e se mantinha afastada da imprensa. O relacionamento do grupo com a mídia era azedo e, após uma crítica profundamente cínica do novo material da banda, feita por Nick Kent — um devoto de Syd Barrett — e Erskine Pete, da revista NME, eles voltaram para o estúdio na primeira semana de 1975.


Conceito

Wish You Were Here é o segundo álbum do Pink Floyd a usar um tema conceitual escrito em sua maior parte por Waters, e ecoa o seu sentimento de que, à época, a camaradagem desfrutada pela banda anteriormente já não estava mais presente. O álbum se inicia com oito minutos e trinta segundos de um preâmbulo instrumental antes de entrar na letra de "Shine Ou You Crazy Diamond", um tributo ao ex-integrante da banda Syd Barrett, cujo colapso mental provocado pelo uso de drogas o forçou a deixar a banda, alguns anos antes.

O álbum também é uma crítica à indústria musical; "Shine On" desvanece-se em "Welcome to the Machine", que se inicia com a abertura de uma porta — descrita por Waters como símbolo de que o progresso e a descoberta musical foram traídos por uma indústria musical interessada apenas em lucro e sucesso. A música se encerra com sons de festa, sintetizando "a falta de contato e sentimentos reais entre as pessoas". Similarmente, "Have a Cigar" despreza os "chefões" da indústria musical. Sua letra contém clichês bastante utilizados, como "mal posso contar", "eles chamam isso de andar no trem da alegria", e "a propósito, quem é o Pink?" — uma pergunta que, na realidade, foi feita diversas vezes à própria banda. A letra de "Wish You Were Here", por sua vez, contém elementos que não se relacionam somente à condição de Barrett, mas também à dicotomia de Waters, como um idealista, e uma personalidade autória. O álbum se encerra com uma reprise de "Shine On", com excursões instrumentais adicionais.


Gravação

Alan Parsons fora o engenheiro de som da EMI designado para o The Dark Side of the Moon, o álbum anterior do Pink Floyd. Todavia, após seu lançamento, ele rejeitou a oferta de continuar a trabalhar com a banda (ao invés disso, ele obteve sucesso com o seu grupo The Alan Parsons Project). O grupo havia trabalhado com Brian Humphries em More — gravado nos Estúdios Pye — e, novamente, em 1974, quando ele substituiu um inexperiente engenheiro contratado a curto prazo. Ele era, portanto, a escolha natural para trabalhar no novo material da banda, embora fosse um estranho para a equipe em Abbey Road, encontrado algumas dificuldades iniciais, incluindo uma situação em que ele, sem querer, foi responsável por estragar as faixas de fundo de "Shine On" — uma parte em que Waters e Mason tinham levado horas para aperfeiçoar. Toda essa parte, corrompida com eco, teve de ser regravada.

Abbey Road Studios
Trabalhando no Estúdio Três de Abbey Road, a banda achou difícil, em primeira instância, compor quaisquer novos materiais, especialmente porque o sucesso de The Dark Side of the Moon deixou todos física e emocionalmente abalados. Richard Wright descreveu as sessões iniciais como "um período difícil", e Roger Waters, como "tortuoso". O baterista Nick Mason achou o processo de gravação em múltiplas faixas tedioso, e David Gilmour estava mais interessado em aprimorar o material já existente. Ele também passou a se frustrar para com Mason, cujo casamento malogrado havia provocado indisposição e apatia ao baterista, o que afetava sua performance. Mason admitiu, também, que a crítica de Nick Kent à NME talvez tenha tido alguma influência, ainda que tenha mantido a banda unida.

Todavia, após algumas semanas, Waters passou a enxergar um novo conceito. As três novas composições da turnê de 1974 foram, ao menos, o ponto inicial para um novo álbum, e "Shine On You Crazy Diamond" pareceu uma escolha razoável para assumir o posto central desse novo trabalho. Em sua maioria, tratava-se de uma peça instrumental de mais de vinte minutos, similar à Echoes, e a abertura da guitarra, composta de quatro notas, trouxe à mente de Waters o "fantasma" de Syd Barrett. Gilmour havia composto a frase por acidente, mas foi encorajado pela resposta positiva de Waters. Waters queria dividir "Shine On", inserindo duas novas canções entre as duas metades, ideia que foi desaprovada por Gilmour, mas que foi colocada em prática após uma votação, em que Gilmour perdeu por três votos a um. "Welcome to the Machine" e "Have a Cigar" tinham letras com "ataques" à indústria musical, atuando em conjunto com "Shine On", buscando retratar a ascensão e a queda de Barrett, "porque eu queria chegar o mais perto possível do que eu senti, um tipo de melancolia indefinível e inevitável sobre o desaparecimento de Syd", disse Waters. "Raving and Drooling" e "Gotta Be Crazy" não tinham lugar no conceito, sendo deixadas de lado, embora viessem a aparecer, posteriormente, em Animals.


O "crazy diamond"

Syd Barrett
Um dos eventos mais notáveis durante as gravações de Wish You Were Here ocorreu em 5 de Junho de 1975. A banda estava terminando de mixar "Shine On You Crazy Diamond" quando um homem acima do peso, careca, com olheiras e segurando um saco plástico entrou na sala. Waters, que estava trabalhando no estúdio, não o reconheceu. Wright também não. Ele presumiu que o homem fosse um amigo de Waters e lhe perguntou sobre isso, mas percebeu que se tratava de Syd Barrett. Gilmour achou que se tratava de um integrante da equipe da EMI, e Mason também não conseguiu reconhece-lo, ficando "horrorizado" quando Gilmour lhe contou quem era. Em Inside Out, Mason relembrou da conversa com Barrett como "desconexa e não totalmente sensível", enquanto Storm Thorgerson definiu a presença de Barrett: "Duas ou três pessoas choraram. Ele se sentou e falou um pouco, mas ele não estava realmente lá."

Relatos indicam que Waters estava profundamente chateado com a silhueta de seu amigo, que foi perguntado pelo visitante Andrew King sobre como ele havia conseguido ganhar tanto peso. Barret disse que ele tinha um grande refrigerador em sua cozinha, e que ele andava comendo muitas costeletas de porco. Ele também mencionou que estava pronto para que seus serviços fossem utilizados pela banda; todavia, ao ouvir a mixagem de "Shine On", não mostrou nenhum sinal de compreensão sobre a sua relevância nessa situação. Ele esteve presente na recepção de casamento de Gilmour, mas saiu sem dizer adeus; daquele dia em diante, nenhum membro da banda nunca mais o viu, até sua morte, em 2006. Ainda que a letra da música já tivesse sido criado, a presença de Barrett, naquele dia, pode ter influenciado a parte final da música — tocado por Wright, um sutil refrão de "See Emily Play" é audível ao fim do álbum.

Syd Barrett - Abbey Road Studios em 5/06/1975
    Eu estou muito triste pelo Syd. É claro que ele foi importante e a banda não teria nem existido sem ele, porque era ele quem escrevia todo o material. Não teria acontecido sem ele, mas por outro lado, não tinha como continuar com ele. "Shine On You Crazy Diamond" não é realmente sobre Syd — ele é só um símbolo para todos os extremos de ausência que algumas pessoas têm de passar porque é o único jeito com que elas podem lidar com o quão triste isso é [...] Eu achei terrivelmente triste.
    — Roger Waters



Instrumentação

Assim como em Dark Side of the Moon, a banda, novamente, usou sintetizadores como o EMS VCS 3 (em "Welcome to the Machine"), mas o suavizou com o violão de Gilmour e a percussão de Mason. O começo de "Shine On" contém restos de gravações anteriores, todavia incompletas, da banda, conhecidas como "Household Objects". Taças de vinho foram cheias com quantidades diversas de líquidos, e a gravação foi feita com um dedo circulando a beirada da taça. Essas gravações passaram por um processo de multi-faixa e se tornaram acordes, presentes na abertura de "Shine On".

O violinista de jazz Stephane Grappelli e o violinista clássico Yehudi Menuhin estavam gravando em outro estúdio de Abbey Road, e foram convidados para gravarem peças para o álbum. Menuhin observou enquanto Grappelli tocou; entretanto, a banda decidiu, mais tarde, que sua contribuição era imprópria, e gravou por cima dela. Ainda que Grappeli não tenha recebido os créditos pela sua contribuição (a banda presumiu que ele se sentiria insultado), ele recebeu um pagamento de 300 libras (759 reais ou 340 euros em 2011). Dick Parry, novamente, tocou saxofone, em "Shine On". OS compassos iniciais de "Wish You Were Here" foram gravadas no rádio do carro de Gilmour, com alguém sintonizando-o (a música clássica ouvida no final é a Quarta Sinfonia de Tchaikovsky).


Vocais

As sessões de gravação foram interrompidas duas vezes por turnês norte-americanas (uma em Abril e a outra em Junho de 1975), e as sessões finais, que ocorreram logo após a estreia do album em Knebworth, revelaram-se particularmente problemáticas para Waters. Ele fez um grande esforço para gravar a letra de "Have a Cigar", precisando de inúmeros takes para conseguir uma versão aceitável. Seus problemas ocorrerem, em parte, pelo seu alcance vocal limitado, mas também pelo estresse causado em sua voz enquanto gravava a voz principal de "Shine On". Foi pedido à Gilmour que cantasse em seu lugar, mas ele rejeitou; coube, então, à Roy Harper, amigo da banda, faze-lo. Harper estava gravando seu próprio álbum em outro estúdio de Abbey Road, e Gilmour já havia tocado algumas frases de guitarra com ele. Waters, posteriormente, viria a se arrepender da decisão, acreditando que ele devia ter cantado a canção. Os backing vocals de "Shine On" foram gravadas pelo The Blackberries.


Embalagem

Complexo Warner Bros na Califórnia
Wish You Were Here foi vendido em uma das embalagens mais elaboradas já feitas para um álbum do Pink Floyd. Storm Thorgerson havia acompanhado a banda em sua turnê em 1974, dando algumas opiniões sobre o significado das letras, vindo a concluir que elas se concentravam mais em uma "presença não preenchida" do que, propriamente, na doença de Barrett. O tema da ausência foi refletido nas ideias produzidas após longas horas de brainstorming com a banda. Thorgerson notou que o álbum Country Life, do Roxy Music, fora vendido em uma manga verde opaca, de celofane — censurando a imagem da capa — e copiou a ideia, ocultando a arte de Wish You Were Here em uma embalagem a vácuo de cor escura (tornando a arte do álbum "ausente"). O conceito por trás de "Welcome to the Machine" e "Have a Cigar" sugeriu o uso de um aperto de mão (um gesto ocasionalmente vazio), e George Hardie desenhou o adesivo contendo o logotipo da banda de duas mãos mecânicas se cumprimentando com um aperto de mão para ser colocado na manga opaca. A imagem da capa do álbum foi inspirado na ideia de que as pessoas tendem a esconder seus verdadeiros sentimentos, pelo medo de "se queimarem" e, assim, dois homens de negócio foram retratados apertando as mãos, com um deles pegando fogo; "pegando fogo" também era uma frase comum na indústria musical. Dois dublês foram usados (Ronnie Rondell e Danny Rodgers), um vestido em uma roupa ignífuga, coberta por um terno. Sua cabeça foi protegida por um capuz, escondido sob uma peruca. A foto foi tirada nos estúdios da Warner Bros. em Los Angeles. Inicialmente, o vento estava soprando na direção errada, e as chamas foram forçadas na direção da face de Rondell, queimando seu bigode; os dois dublês trocaram de posições, e a imagem foi, mais tarde, revertida.

A contracapa do álbum mostra um "vendedor do Floyd", sem face, que, nas palavras de Thorgerson, "vende sua alma" no deserto (fotografado no Deserto de Yuma, na Califórnia). A ausência de pulsos e tornozelos significa que sua presença é "vazia". O encarte mostra um véu em um bosque de Norfolk, e um mergulho sem respingo no Lago Mono — chamado de Monosee nas notas do álbum —, na Califórnia (novamente sublinhando o tema da ausência). A decisão de embalar o disco em uma capa preta não foi popular entre a gravadora da banda nos Estados Unidos, a Columbia Records, que insistiu que isso fosse mudado. A EMI, por sua vez, estava menos preocupada. Todavia, a banda ficou bastante feliz com o produto final e, quando apresentaram um mockup da pré-produção, ele foi aceito com uma espontânea salva de palmas.


Recepção

Uma boa parte de Wish You Were Here foi tocada, pela primeira vez, em um show em um festival à céu aberto em Knebworth, no dia 5 de Julho de 1975. O álbum, por sua vez, foi lançado em 12 de Setembro daquele ano no Reino Unido, e no dia seguinte nos Estados Unidos. Na Grã-Bretanha, atingiu, de imediato, 250.000 vendas, indo direto para a primeira posição; a demanda era tanta que a EMI informou aos vendedores que somente 50% dos pedidos poderiam ser atendidos. Com 900.000 vendas, o maior número de qualquer lançamento da Columbia, atingiu a primeira posição na Billboard na segunda semana de lançamento. Todavia, inicialmente, o álbum recebeu críticas mistas; a revista Melody Maker definiu o álbum como "[...] pouco convincente [...] mostra uma crítica falta de imaginação [...]"[10], enquanto Robert Christgau teve uma visão mais positiva, dizendo que "[...] a música não é somente simples e atrativa [...] mas também consegue um pouco da dignidade sinfônica (e referências cruzadas) que The Dark Side of the Moon simulou também ponderadamente."

Apesar disso, em 2003, o álbum foi listado na 209ª posição na lista de 500 melhores álbuns de sempre da revista Rolling Stone. Em 1998, leitores da Q votaram em Wish You Were Here como o 34ª maior álbum de todos os tempos. Em 2000, a mesma revista o colocou na 43ª posição em sua lista dos 100 maiores álbuns britânicos de todos os tempos. Em 2007, uma estação de rádio alemã, a WDR 2, pediu aos seus ouvintes que votasssem nos 200 melhores álbuns de todos os tempos; Wish You Were Here foi eleito o primeiro. Em 2004, o álbum foi listado na 38ª posição da lista dos cem melhores álbuns dos anos 70 da Pitchfork Media[21], enquanto a IGN o escolheu como o 8º melhor álbum de rock clássico.

Não obstante os problemas durante a produção, o álbum é o favorito de Wright: "É um álbum que eu posso ouvir por prazer, e não há muitos álbums do [Pink] Floyd em que eu possa faze-lo". Essa visão é compartilhada por Gilmour: "Se eu tivesse que dizer que esse é o meu álbum favorito, eu diria que é o Wish You Were Here. O resultado final de tudo isso, qualquer que tenha sido, definitivamente me deixou um álbum com o qual eu possa viver muito, muito feliz. Eu gosto muito dele".


Músicas

A1  Shine On You Crazy Diamond (1-5) 13:30
A música traça qualidades e fatos da vida do ex integrante da banda Syd Barrett. Barrett foi um dos pioneiros do rock psicodélico. Suas linhas de guitarras eram peculiares e suas letras bastante imaginativas. Em pouco tempo alcançou o estrelato e ao mesmo tempo o mundo das drogas. O alto consumo de LSD fez com que Barrett se tornasse cada vez mais imprevisível nas apresentações e gravações do Pink Floyd, além de torná-lo cada vez mais ausente da rotina da banda. Foi quando a banda resolveu convidar David Gilmour para dar suporte e posteriormente substituir de vez Barrett.
Na letra, Gilmour "conversa" com Barrett, relembrando quando ele era novo (no auge de sua criatividade), quando ele era como um diamante louco que tinha o brilho do sol e seus olhos eram como buracos negros no céu. Ele era um mártir, uma lenda e também alvo de risadas (por conta de sua imprevisibilidade nos palcos). Ele alcançou o estrelato cedo demais e com o estrelato afundou-se nas drogas.


A2  Welcome to the Machine  7:26
É uma crítica à indústria musical, a quem Waters chama de máquina. Um jovem que comprou uma guitarra e castigou sua mãe com o seu som. Não gostava de ir a escola. Ao invés disso, reuniu colegas para formar uma banda. Quantos jovens não tiveram essa história? Pois eis que vem a máquina e molda o pensamento desses garotos, incutindo em suas mentes o que eles realmente precisam: buscar o estrelato. Então a máquina inventa uma história comercialmente vendável: ele tocava uma guitarra precária, comia sempre num bar e adorava dirigir seu jaguar. A máquina também moldou Syd Barrett, expondo-o ao estrelato e, a partir dai, sua vida pessoal e profissional começou a ruir.


B1  Have a Cigar  5:08 
É uma crítica à hipocrisia dos empresários das bandas. Eles preveem o que o público espera ouvir da banda e muitas vezes fazem a cabeça dos músicos para produzir algo que é de interesse da indústria fonográfica, delimitando sua liberdade de criação.
Na letra, um empresário convida um integrante do Pink Floyd, possivelmente Syd Barrett já que ele era o líder antes da banda fazer sucesso. Então o empresário oferece um charuto e convida Syd a se sentar. Coloca na cabeça de Syd que a banda vai longe, que o som é fantástico e pergunta qual deles é o Pink (o que mostra sua total ignorância com a história da banda). Ele diz que o nome do jogo é "Riding in the gravy train", uma expressão que significa ganhar dinheiro de maneira fácil, tal como quem ganha na loteria. Então ele coloca na cabeça de Syd que eles precisam lançar um álbum, eles "devem" isso ao público. O álbum não estreou tão bem nas paradas. O empresário diz que a banda ainda está verde, mas é um grande começo. O negócio pode se transformar num monstro se a banda e ele seguirem em frente como um time.
A principio Waters cantaria a música, mas havia tensionado demais suas cordas vocais ao gravar "Shine on you crazy diamonds". Gilmour, por sua vez, se recusou a cantar. Então a banda convidou Roy Harper que estava gravando um de seus álbuns num estúdio ao lado para fazer o vocal da canção. É a única letra não cantada por um membro da banda de toda a história do Pink Floyd.


B2  Wish You Were Here  5:40
Gilmour indaga se Syd consegue distinguir o inferno e os céus, um campo verde e um trilho de aço, uma vez que Syd já estava totalmente consumido pelas drogas. Gilmour acusa que eles (os empresários, a máquina) fizeram Syd trocar o ar quente pela brisa fria, o conforto pela mudança, o papel de coadjuvante numa guerra por um papel principal numa cela. Ano após ano, Gilmour e os outros membros da banda olham para si e para Syd como almas num aquário correndo sobre o mesmo chão e temendo os mesmos medos. Gilmour, Waters, Wright e Mason gostariam que Syd estivesse com eles nessa mesma jornada.


"Wish You Were Here (alternative version)" em Why Pink Floyd...?

Uma parte notável da música foi uma contribuição planejada de Stéphane Grappelli . Um violinista de jazz popular na época e bem conhecido por suas colaborações com Yehudi Menuhin, ambos os violinistas estavam gravando em um estúdio no andar de baixo na Abbey Road na época. Gilmour sugeriu que houvesse um pouco de "violino country" no final da música e os convidou para participar. Grappelli cobrou uma taxa de sessão (Menuhin recusou) de £ 300, equivalente a £ 2.300 em 2018. Em última análise, durante a mixagem, foi decidido quase remover sua contribuição, embora possa ser ouvido apenas por volta de 5:21. De acordo com Waters, foi decidido que seria insultuoso creditar Grappelli nas notas da capa por algo tão inaudível, embora ele tenha recebido a taxa acordada.

Como parte do Why Pink Floyd ...?, uma campanha de relançamento do catálogo do Pink Floyd , lançado em três etapas ao longo de 2011-12, com novas remasterizações e faixas inéditas, incluem uma versão alternativa da música em que a parte de Grappelli é ouvida no intervalo instrumental após o segundo verso e ao longo do terceiro verso antes de um Outro considerável. Outras diferenças menos óbvias são audíveis, por exemplo, na seção que leva ao segundo verso.

Essa versão alternativa pode ser ouvida no segundo vídeo abaixo.


B3  Shine On You Crazy Diamond (6-9)  12:22
Desde 1973 Barrett desapareceu dos holofotes e passou a viver em algum canto de Cambridge. Ninguém mais tinha notícias do seu paradeiro. É dito que no dia 5 de junho de 1975 ele reapareceu no estúdio, onde a banda gravava "Wish you were here", muito acima do peso, com a barba mal feita, com olheiras, de modo que nem mesmo os integrantes da banda o reconheceram de primeira. A presença dele desapontou os antigos amigos, pois não era mais o antigo Syd que estava ali.
Gilmour canta a última estrofe. Agora, o sonhador, visionário e pintor, se recolhe em sua própria sombra, sendo ocasionalmente exposto a luz (do estrelato) até ser esquecido de vez de tal forma que ninguém saberá mais onde ele está. Resta o apelo da banda para que Syd saia do anonimato e brilhe mais uma vez.



Vídeos

A1  Shine On You Crazy Diamond

B2  Wish You Were Here




DVD - The Story Of Wish You Were Here (2012)



No dia 26 de Junho deste ano, o Pink Floyd lançou "The Story Of Wish You Were Here",  em DVD  e Blu-Ray pelo selo Eagle Rock Entertainment.

37 anos depois do lançamento do álbum, esse DVD  traz um documentário no estilo ‘making of’ contando a história completa de como o disco foi gravado e as peculiaridades que o cercam. Novas entrevistas com Roger Waters, David Gilmour e Nick Mason estão presentes no DVD e são mescladas com imagens da época da gravação assim como entrevistas de arquivo com o tecladista Richard Wright, falecido em 2008. Também estão presentes Storm Thorgerson (o homem por trás da capa do disco), Roy Harper (a voz em ‘Have A Cigar’), Ronnie Rondell (o homem em chamas) e muitas outras pessoas envolvidas com o disco.

O tema principal do DVD (assim como todos os outros DVDs da série Classic Albums, assim como foi o DVD The Dark Side Of The Moon, de 2003) é a ‘desconstrução’ do disco em estúdio, o engenheiro original do disco Brian Humphries volta ao Abbey Road Studios com as fitas originais de Wish You Were Here e nos mostra todos os detalhes de cada faixa.

Assuntos como os temas das letras, a lendárias visita de Syd Barret ao estúdio, a dificuldade no início das gravações e a decisão de dividir ‘ Shine On You Crazy Diamond’ em duas partes também são abordados.

The Story Of Wish You Were Here (2012) foi ao ar primeiramente pela televisão, as versões em DVD e Blu-Ray tem diversos extras como entrevistas adicionais com Roger Waters, David Gilmour e Nick Mason e versões acústicas das músicas com Roger Waters e David Gilmour separadamente.

Assista abaixo na íntegra o documentário ‘Welcome To The Machine’ com tradução para o português.



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