Formação: 1975, New York, NY, United States
Dissolvida: 1992
lançamento: 08/10/1980
Gravadora: Sire Records
Produção: Brian Eno
Gêneros: New Wave
Funk, Post-Punk, Experimental Rock, Afrobeat
Lineup: David Byrne (lead vocals, guitars, bass guitar, keyboards, percussion, vocal arrangements), Jerry Harrison (guitars, keyboards, backing vocals), Tina Weymouth (bass guitar, keyboards, percussion, backing vocals), Chris Frantz (drums, percussion, keyboards, backing vocals)
Título - Duração
Compositor [Performance]
A1 Born Under Punches (The Heat Goes On) 5:46
David Byrne / Brian Eno / Talking Heads [Talking Heads]
A2 Crosseyed and Painless 4:45
David Byrne / Brian Eno / Chris Frantz / Jerry Harrison / Tina Weymouth [Talking Heads]
A3 The Great Curve 6:26
David Byrne / Brian Eno / Talking Heads [Talking Heads]
B1 Once in a Lifetime 4:19
David Byrne / Brian Eno / Chris Frantz / Jerry Harrison / Tina Weymouth [Talking Heads]
B2 Houses in Motion 4:30
David Byrne / Brian Eno / Chris Frantz / Jerry Harrison / Tina Weymouth [Talking Heads]
B3 Seen and Not Seen 3:20
David Byrne / Brian Eno / Talking Heads [Talking Heads]
B4 Listening Wind 4:42
David Byrne / Brian Eno / Chris Frantz / Jerry Harrison / Tina Weymouth [Talking Heads]
B5 The Overload 6:00
David Byrne / Brian Eno / Talking Heads [Talking Heads]
Remain in Light é o quarto álbum de estúdio da banda Talking Heads, lançado em 1980.
Apresentando influências de ritmos africanos, o álbum tornou-se uma gravação influente de Pós-punk, World music e New wave.
Poucas bandas merecem a fama de terem feito música para o cérebro. Com certeza, o Talking Heads é um delas. E nenhuma foi mais cerebral do que o quarto disco do grupo, Remain In Light e com Brian Eno sendo praticamente um quinto membro, exercendo uma influência imensa sobre David Byrne e ocasionando uma tensão insuportável com os demais membros. Mas foi desta tensão que nasceu um dos discos mais importantes e inovadores dos anos 80. Brian Eno havia entrado na vida do grupo em 1978, quando produziu o segundo álbum, More Songs About Building and Food.
No terceiro, Fear of Music, começou a mudar a cara do grupo, levando-os a explorar ritmos africanos e a trabalhar com músicos diversos, como o guitarrista Robert Fripp, líder do King Crimson, mas, em 1980, sua influência extrapolava qualquer limite.
Sob sua batuta, o grupo mergulhou nos ritmos africanos cada vez mais, especialmente os do nigeriano Fela Kuti. Eno armou uma senhora banda em volta dos Talking Heads: Adrian Belew (guitarra), Jose Rossy e Robert Palmer (percussão), Nona Hendryx (voz) e Jon Hassell (trumpete). Além disso, meteu a mão em duas letras de Byrne - "Crosseyed and Painless" e "Born Under Punches (The Heat Goes On)". O grupo dividiu as gravações entre os estúdios Compass Point Studios, em Nassau, Bahamas e o Sigma, em Nova York.
Quem mais se sentia incomodado era o casal Tina Weymouth e Chris Frantz. Como membros-fundadores, os dois reclamavam da influência de Eno. O que era uma ajuda considerável em termos técnicos, no início, havia virado uma doença, segundo eles.
"Muitas vezes achava que Brian não se incomoda com o que a banda queria. Na verdade, ele realmente não se incomodava. Nós éramos apenas instrumentos para suas ideias. O problema é que ele conseguiu se aproximar de David fortemente e os dois tentavam nos manipular. Não foi nada fácil conviver com essa situação", confessou a baixista, anos depois. Tina não estava distante da realidade, tanto que em 1981, Brian Eno e David Byrne lançaram um LP intitulado My Life in the Bush of Ghosts, onde exploravam a paixão por ritmos africanos e asiáticos, através de colagens.
Para muitos, é o primeiro lançamento do ainda inédito estilo "word music".
O disco tinha as seguintes faixas:
Lado A
01. "America Is Waiting" (arr. Eno, Byrne, Bill Laswell, Tim Wright, David Van Tieghem) – 3:36
Unidentified indignant radio host (Ray Taliaferro of KGO NEWSTALK AM 810), San Francisco, April 1980.
02. "Mea Culpa" – 3:35
Inflamed caller and smooth politician replying, both unidentified. Radio call-in show, New York, July 1979.
03. "Regiment" (Eno, Byrne, Michael "Busta Cherry" Jones / arranged by Eno, Byrne, Jones, Chris Frantz and Robert Fripp) – 3:56
Dunya Yunis,[22] Lebanese mountain singer, from The Human Voice in the World of Islam (Tangent Records TGS131)
04. "Help Me Somebody" – 4:18
Reverend Paul Morton, broadcast sermon, New Orleans, June 1980.
05. "The Jezebel Spirit" – 4:55
Unidentified exorcist, New York, September 1980.
Lado B
01. "Qu'ran" – 3:46
Algerian Muslims chanting the Qur'an. (same source as track 3)
02. "Moonlight in Glory" – 4:19
The Moving Star Hall Singers, Sea Islands, Georgia. (From The Moving Star Hall Singers, Folkways FS 3841). Produced by Guy Carawan.
03. "The Carrier" – 3:30
Dunya Yunis. (same source as track 3)
04. "A Secret Life" – 2:30
Samira Tewfik, Lebanese popular singer. (from Les Plus Grandes Artistes du Monde Arabe, EMI)
05. "Come with Us" – 2:38
Unidentified radio evangelist, San Francisco, April 1980
06. "Mountain of Needles" – 2:35
Mas antes do disco entre os dois, Eno se trancou por meses com a banda para fazer o mais ambicioso trabalho do grupo.
Misturando funk com minimalismo, Byrne explicava que a banda queria adentrar no mundo do ritmo, fugindo do lugar-comum das canções pops tradicionais.
Isso significava dizer trabalhar os arranjos em pequenas partes, com grande ênfase na mixagem e nas texturas. Além disso, David contribuía com letras cada vez mais densas, dando brechas a inúmeras interpretações.
Lançado em 8 de outubro de 1980, Remain In Light, ganhou efusivos elogios da crítica, apesar das vendas modestas.
O disco chegou ao 19º lugar na Billboard e ao 21º no Reino Unido.
Apenas uma faixa, "Once In a Lifetime", foi lançada como compacto e pouco sucesso fez. O vídeo trazia David Byrne dançando como se fosse uma marionete.
A faixa inicial, “Born Under Punches”, já mostra um grande choque vocal. O agito fica por conta do baixo acentuado que revela um funk desfigurado tanto pelos vocais esquizofrênicos de Byrne, como pelo hibridismo exacerbado que inclui synths acelerados, percussão tribal e trejeitos pop.
A mais conhecida é “Once in a Lifetime”, principalmente pela letra que diz: ‘Você se vê em uma linda casa/Com uma bela esposa/E você se pergunta: como cheguei até aqui?’. Analisando hoje, com o relativo conhecimento que temos do passado, fica difícil imaginar como esta canção não se tornou porta-voz de uma geração artística que ainda estava procurando se estabelecer. Havia o punk, o disco e a new wave. As coisas mudavam, mas poucos deviam ter senso de direção. ‘O mesmo como sempre foi’, responde Byrne repetidamente aos perdidos. Muitos estavam certos de que, não, a coisa era e deveria ser diferente. E realmente era e foi. Mas Byrne martela contra, e o faz sabiamente: tudo estava dividido – e sempre foi assim. No entanto, ‘uma vez na vida a água flui do subsolo’. Se é pretensão dos Heads ser essa água, fica a dúvida. Mas é bom que uma canção como “Once in a Lifetime” suscite outra reflexão sobre o que realmente foram os anos 1980.
“The Great Curve” é a canção que melhor sintetiza a estética resultante de referências britânicas, futuristas, africanas, caribenhas e da new wave. A percussão é a grande sacada que apimenta o ritmo da canção. A inserção das guitarras, vozes de fundo, baixo e teclados revelam não uma mistura, mas um diálogo: mais que um experimento, a música é um achado. Uma conexão bem-sucedida, que ainda finaliza com um estupendo solo de guitarra de Adrian Belew.
No momento em que entra o segundo lado do disco, ele vai se tornando mais obscuro e atmosférico – apesar de ainda manter a estética afro-new-wave, se pudermos chamar assim.
O próprio título diz ‘Permanecer na Luz’, mas aos poucos ela vai se apagando: na penúltima canção, “Listening Wind”, os Heads dão o presságio de que cabe à natureza decidir (por meio de uma crônica que fala de camponeses russos sendo atacados por norte-americanos). Quando chega “The Overboard”, a banda soa tão melancólica como o Joy Division em seus momentos mais depressivos. Começa na luz, termina na escuridão. Assim é a vida e assim é a obra-prima dos Talking Heads.
A faixa inicial, “Born Under Punches”, já mostra um grande choque vocal. O agito fica por conta do baixo acentuado que revela um funk desfigurado tanto pelos vocais esquizofrênicos de Byrne, como pelo hibridismo exacerbado que inclui synths acelerados, percussão tribal e trejeitos pop.
A mais conhecida é “Once in a Lifetime”, principalmente pela letra que diz: ‘Você se vê em uma linda casa/Com uma bela esposa/E você se pergunta: como cheguei até aqui?’. Analisando hoje, com o relativo conhecimento que temos do passado, fica difícil imaginar como esta canção não se tornou porta-voz de uma geração artística que ainda estava procurando se estabelecer. Havia o punk, o disco e a new wave. As coisas mudavam, mas poucos deviam ter senso de direção. ‘O mesmo como sempre foi’, responde Byrne repetidamente aos perdidos. Muitos estavam certos de que, não, a coisa era e deveria ser diferente. E realmente era e foi. Mas Byrne martela contra, e o faz sabiamente: tudo estava dividido – e sempre foi assim. No entanto, ‘uma vez na vida a água flui do subsolo’. Se é pretensão dos Heads ser essa água, fica a dúvida. Mas é bom que uma canção como “Once in a Lifetime” suscite outra reflexão sobre o que realmente foram os anos 1980.
“The Great Curve” é a canção que melhor sintetiza a estética resultante de referências britânicas, futuristas, africanas, caribenhas e da new wave. A percussão é a grande sacada que apimenta o ritmo da canção. A inserção das guitarras, vozes de fundo, baixo e teclados revelam não uma mistura, mas um diálogo: mais que um experimento, a música é um achado. Uma conexão bem-sucedida, que ainda finaliza com um estupendo solo de guitarra de Adrian Belew.
No momento em que entra o segundo lado do disco, ele vai se tornando mais obscuro e atmosférico – apesar de ainda manter a estética afro-new-wave, se pudermos chamar assim.
O próprio título diz ‘Permanecer na Luz’, mas aos poucos ela vai se apagando: na penúltima canção, “Listening Wind”, os Heads dão o presságio de que cabe à natureza decidir (por meio de uma crônica que fala de camponeses russos sendo atacados por norte-americanos). Quando chega “The Overboard”, a banda soa tão melancólica como o Joy Division em seus momentos mais depressivos. Começa na luz, termina na escuridão. Assim é a vida e assim é a obra-prima dos Talking Heads.
A coreografia foi desenvolvida pela cantora Toni Basil e ficou famosa por refletir alguns dos maneirismos de Byrne no palco, como seus espasmos musculares e movimentos nervosos, além de usar uma engraçadíssimo óculos.
Esse também seria um importante ponto de partida para David desenvolver o seu lado visual, que chegaria ao ápice no filme True Stories.
Remain In Light mostra o grupo no auge de suas potencialidades em termos de ideias e conceitos. A música era pesada, claustrofóbica e a última faixa do disco, "The Overload", parecia emular o Joy Division, apesar de nenhum dele jamais ter ouvido o quarteto britânico já extinto com a morte do vocalista Ian Curtis.
A complexidade dos arranjos e a liberdade necessária para que David Byrne pudesse se expressar corretamente, sem ficar preso à guitarra, obrigou o grupo a se apoiar em excepcionais músicos (bem melhores do que a própria banda), durante a excursão promocional entre os anos de 1980 e de 1981.
Boa parte desse show está capturado no disco duplo The Name of This Band is Talking Heads, lançado em 1982. Vale dizer que muitos desses músicos das ideias estariam presentes e mais aperfeiçoadas, anos depois, no documentário e disco Stop Making Sense, de 1984.
A longa e estafante turnê e o "fantasma" de Brian Eno causaram uma ruptura entre David e os demais membros do grupo e por essa razão o grupo demorou três anos para lançar um novo disco de estúdio.
Em 2003 a revista Rolling Stone classificou este álbum na 126ª posição em sua lista dos 500 melhores álbuns de sempre.
Este álbum é mencionado no livro de referência musical "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer", lançado em 2007.
Músicos adicionais
Brian Eno – bass guitar, keyboards, percussion, backing vocals, vocal arrangements
Nona Hendryx – backing vocals
Adrian Belew – guitar
Robert Palmer – percussion
Jose Rossy – percussion
Jon Hassell – trumpets, horns
Músicos adicionais
Brian Eno – bass guitar, keyboards, percussion, backing vocals, vocal arrangements
Nona Hendryx – backing vocals
Adrian Belew – guitar
Robert Palmer – percussion
Jose Rossy – percussion
Jon Hassell – trumpets, horns
Vídeos
A2 Crosseyed and Painless
B1 Once in a Lifetime
A2 Crosseyed and Painless
B1 Once in a Lifetime




César CPO
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