Nasceu: 05-12-1932, Macon, GA, United States
Atualmente: Lynchburg, TN, United States
Gêneros: Rock & Roll, Rhythm & Blues, SoulAtualmente: Lynchburg, TN, United States
Richard Wayne Penniman (Macon, 5 de Dezembro de 1932) mais conhecido por Little Richard, é um cantor, compositor e pianista dos Estados Unidos. Foi eleito pela Rolling Stone o 8º maior artista da música de todos os tempos.
Em sua infância, na Geórgia, Little Richard cresceu ouvindo cantores arrebatados de gospel nas igrejas negras e isto influenciou seu modo de cantar. Aprendeu a tocar piano na adolescência e se tornaria um dos desbravadores do rock, misturando boogie-woogie, Rhythm & Blues e música gospel, criando um estilo único: uma música agressiva, vibrante, intensa, tocada acelerada ao piano.
Começou
a gravar em 1955, estourando nas paradas com a música "Tutti Frutti"
(gravada também por Elvis Presley). Seguiram-se hits como "Lucille",
"Keep A Knockin" (cuja introdução de bateria influenciou o Led Zeppelin
na música "Rock & Roll"), "Long Tall Sally", "Rip it up", "Jenny
Jenny" entre outros. Little Richard teria injetado funk no rock and roll
durante este período, através dos saxofones de sua banda The Upsetters,
em meados da década de 1950, influenciando bastante desenvolvimento
desse gênero musical. Richard tornou-se um astro, mas era atormentado
por questões religiosas ligadas à sua homossexualidade, pois cresceu
numa cultura cristã e conservadora. Por fim, em 1958, largou a carreira
após uma excursão a Austrália para dedicar-se à religião. Tornou-se
pastor e gravou canções gospel. Em 1962, entretanto, voltou aos palcos
em uma turnê com shows de abertura dos Beatles e do Rolling Stones.
O
interesse da cultura pop britânica pelos pioneiros do rock americano
fez com que realizasse diversos shows em clubes ingleses, ao longo dos
anos 60, sempre interpretando seus grandes sucessos. Também na América,
buscou revitalizar sua carreira gravando canções de padrão soul, mas
sempre foi mais reconhecido pelo seu repertório de seus anos iniciais.
Nos anos 70, embora sempre respeitado por seu pioneirismo, dedicou-se
mais a eventos nostálgicos celebrando as "origens" do rock' roll do que a
uma carreira artística efetiva, gravando poucas canções inéditas.
Infância
Nascido Richard Wayne Penniman em Macon, Georgia, terceiro de 12 filhos de Charles "Bud" Penniman, um fabricante clandestino de bebidas alcoólicas, e Leva Mae. Cresceu em uma família religiosa na qual cantar fazia parte integral de suas vidas, eles se apresentavam em igrejas locais como "The Penniman Singers", e chegaram a entrar em competições com outras famílias cantoras. Sua família o chamava de "War Hawk" (br: Falcão de Guerra) por causa de sua maneira de cantar alto e gritado. Seu avô, Walter Penniman, era um pastor, e os pais de sua família eram membros da fundação templária "African Methodist Episcopal" (AME) na igreja de Macon. Sua avó materna era membro do "Macon's Holiness Temple Baptist Church". Ele frequentava a "New Hope Baptist Church" em Macon com sua mãe. As preferidas de Richard eram as igrejas pentecostais por causa da música e a diversão que tinha fazendo a dança sagrada e fazendo glossolalia com os membros da congregação. Quando tinha dez anos se tornou um curador pela fé, cantando músicas gospel e tocando nas pessoas, que testemunhavam que sentiam melhor após a prática. Inspirado pelo Irmão Joe May, um cantor evangelista conhecido como "The Thunderbolt of the West" (br: "Raio trovejante do oeste"), Richar queria ser um pastor.
O fraseado dramatico e mudanças rápidas de voz de Richard são derivadas dos artistas negros de gospel dos anos 30 e 40. Ele disse que Sister Rosetta Tharpe era sua cantora preferida na infância. Ela convidou ele para cantar uma música no palco do auditória da cidade de Macon em 1945, depois de ouvir ele cantando antes do show. A platéia aplaudiu com entusiasmo e ela pagou a ele uma quantidade de dinheiro que ele nunca havia visto na vida. Também foi influenciado por Mahalia Jackson, Brother Joe May e Marion Williams de quem ele pegou a marca registrada "whoooo" em seus vocais. Seu visual e som foram inspirados no estilo gospel e jump blues do final dos anos 40 do cantor Billy Wright conhecido como "Principe do Blues". Billy apresentou Richard ao DJ Zenas Sears, que conseguiu para o novato seu primeiro contrato de gravação em 1951.
Uma das principais influências de Richard ao tocar piano foi Esquerita (Eskew Reeder, Jr.), que mostrou a ele como tocar notas altas sem comprometer o baixo. Richard conheceu Esquerita quando viajou por Macon com uma pastora chamada Irmã Rosa.
Richard vivia em uma vizinhança negra, ele tinha algum contato com brancos, mas devido à segregação racial ele não podia cruzar a linha para onde os brancos viviam. Enquanto estava no colegial, Richard tocou saxophone na banda da escola. Começou a perder o interesse na escola e tocar em várias bandas itinerantes durante sua adolescência. Aos 14 anos se juntou ao show do intérprete Sugarfoot Sam do Alabama, onde aparecia vestido de mulher e era chamado de "Princesa Lavonne - A excêntricidade do ano".
Anos 1950
Em outubro de 1951, Richard começou suas gravações de jump blues pela RCA Camden. Em 1952 enquanto Richard estava em uma de suas gravações, seu pai levou um tiro e morreu, o assassino foi preso mas pouco tempo depois as acusações acabaram sendo retiradas. Com as vendas pobres de suas primeiras gravações e seu pai morto, Richard foi forçado a trabalhar como lavador de pratos em Macon.
Suas próximas gravações com a Peacock Records em 1953 não estavam satisfazendo Richard com sua carreira solo, ele então formou uma nova banda de R&B chamada "The Upsetters". A banda começou com o baterista de Nova Orleans Charles "Chuck" Connors e dois saxofonistas, incluindo Wilbert "Lee Diamond" Smith. Em 1955 se juntaram à banda os saxofonistas Clifford "Gene" Burks e Grady Gaines, o guitarrista Nathaniel "Buster" Douglas e o baixista Olsie "Baysee" Robinson.
Como sugestão de Lloyd Price, Richard gravou uma demo para o selo gospel/R&B Specialty Records em 9 de fevereiro de 1955. O dono da Specialty, Art Rupe, o emprestou dinheiro para comprar seu contrato da Peacock Records e colocar sua carreira nas mãos de Robert "Bumps" Blackwell da Specialty A&R.
Rupe e BlackWell primeiramente enxergavam Richard como sendo um rival comercial de Ray Charles, que estava experimentando sucesso pela Atlantic Records cantando músicas gospel e desenvolvendo músicas com uma batida blues. Richard disse à Rupe que gostava do som de Fats Domino, então Rupe e Blackwell reservaram o estúdio de gravação J & M de Cosimo Matassa em Nova Orleans, e contrataram músicos de estúdio que haviam trabalhado com Fats Domino (incluindo Earl Palmer na bateria e Lee Allen no sax) que logo depois se tornaram músicos da banda de Richard durante turnês nos meio dos anos 50.
Após seguidas gravações que não agradaram Blackwell, Richard começou a espancar no piano um ritmo boogie woogie e gritar a improvisadamente "Tutti Frutti", uma música que ele havia escrito e apresentado no palco durante anos. Blackwell estava tão impressionado com aquele som que fez Richard gravar a música. No entanto, para deixar a música comercialmente aceitável, Richard teve que reescrever a letra. Blackwell achou que a letra com humor homossexual e modos de menestrel precisavam ser limpos. Por exemplo, "Tutti Frutti, good booty" foi substituído por "Tutti Futti, aw-rooty". A música já tinha a introdução a capella "A-wop-bop-a-loo-lop-a-lop-bam-boom!" que também foi ligeiramente alterada para ficar comercialmente aceitável. A gravação foi lançada pela Specialty em outubro de 1955.
Pela Specialty Records, entre 1956 e 57, Richard gravou diversas músicas que viriam a ser clássicos do rock de todos os tempos, como “Long Tall Sally”, “Rip It Up”, “Tutti Frutti”, “The Girl Can't Help It”, “Good Golly Miss Molly”, “Slippin' and Slidin'”, “Jenny, Jenny”, “Keep a Knockin'” e “Lucille”, entre outras. Participou de filmes como “The Girl Can't Help It”, “She's Got It” e “Mister Rock And Roll”, que reforçaram sua imagem e ajudaram a divulgar sua música internacionalmente. É apenas justo que parte do seu sucesso seja também creditado à sua banda, composta de excelentes músicos de Nova Orleans, como Lee Allen no sax tenor, Alvin Tyler no sax barítono e de seu baterista favorito, Earl Palmer, que gravou e excursionou com ele por quase toda a carreira.
Vocalista mais virtuoso da primeira fase do rock and roll, Little Richard influenciou com seus falsetes, seu piano e seu temperamento extrovertido, os grandes nomes da história do rock, de Paul McCartney a Robert Plant, de Jerry Lee Lewis a Billy Preston, de Otis Redding a Freddie Mercury, de Elvis Presley a Prince. Sua performance explosiva e insinuação em palco agitavam e levavam o público à loucura, chegando a causar tumultos. Sempre o centro das atenções, sua música ajudou a promover a desmistificação entre brancos e negros, uma vez que os jovens brancos passaram a invadir os espaços reservados aos negros, diretamente em frente ao palco, para dançarem juntos. Assim, jovens brancos puderam perceber melhor a discrepância do tabu racial vinda dos mais velhos e em que eram obrigados a acreditar.
Excursionou durante esse período não somente por todo os Estados Unidos, de costa a costa, como também foi um dos primeiros artistas a levar o rock 'n' roll para a Austrália. Durante sua viagem de volta desta excursão, a meses depois do acidente mortal de outra lenda, Buddy Holly, seu avião teve problemas e Richard em pânico implorou a Deus que, se ele sobrevivesse, largaria a vida artística e voltaria suas energias para espalhar a palavra de Deus. Ele diria depois que o chamado já estava lhe incomodando fazia tempo e que entendeu o incidente no aeroplano como um ultimato de Deus.
A fase evangélica
Após terminar alguns compromissos restantes, Little Richard abandonou a profissão em 1958, tornando-se novamente Richard Penniman, e passou a cursar a Oakwood Collage Seminary School em Huntsville, Alabama, formando-se em 1961 como bacharel em Teologia. Foi ordenado ministro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, renegando seu passado mundano e se afastando do show business. A gravadora Speciality não gostou nada desta decisão e procurou forçá-lo a se manter como performer, ameaçando-o à ter que assinar um acordo abrindo mão de todos os seus direitos sobre suas canções, como alternativa. Little Richard, porém, estava sério sobre sua crença religiosa e prontamente abriu mão de todos os direitos que detinha sobre sua música. Em 1961 gravou discos religiosos e excursionou pelo sul de igreja a igreja, pregando e cantando hinos religiosos.
O retorno
Mas Richard não conseguiu ficar mais de três anos longe do rock. Em 1962, viajou para Europa, onde em Hamburgo conheceu os Beatles, seguiu para o Oriente e depois para a Austrália. Em 1963 tocou na Inglaterra, a nova Meca do rock, para se juntar à excursão dos Everly Brothers, que incluía apresentações dos Rolling Stones e Bo Diddley. A TV Granada fez na ocasião, um especial sobre sua carreira. Os tempos mudaram mas as apresentações de Little Richard eram uma das poucas atrações da já velha guarda que ainda mantinha o público pulando. Com a Beatlemania e a posterior psicodelia, a maioria dos grandes astros da primeira fase caíram no esquecimento, como coisa do passado. Mas Richard ainda voltou para a América e fez temporada em Chicago, no City Opera House. Em 1964, bandas como os Beatles e os Rolling Stones, com diversas entrevistas fazendo questão de frisar a importância dos artistas negros americanos na sua música, ajudaram Little Richard a conseguir um hit moderado com a canção "Bama Lama Bama Loo".
Em 1965 fez temporada no Paramount Theater de Nova York. É neste período que Little Richard teve como guitarrista um desconhecido Jimi Hendrix, acorrentado pela obrigação de tocar de modo simples, com afinação tradicional e sem distorção de qualquer espécie. Hendrix foi dispensado pouco antes de Little Richard seguir para uma excursão européia. Eternamente tentando reconquistar o novo público jovem, esses anos, em sua maioria, foram bastante frustrantes para esse gigante do passado. Ainda mais quando cálculos concluíam que até 1968 ele já havia vendido cerca de US$32 milhões em discos ao redor do mundo, nenhum centavo deste dinheiro indo para seu bolso.
Anos 1970 e 1980
Foi somente em 1969, após a psicodelia, com uma onda de revalorizar o rock simples do passado, que Little Richard conseguiu novamente atenção. Entre todos os velhos roqueiros que reapareceram neste "revival", como Gene Vincent, Everly Brothers, Fats Domino e Chubby Checker, entre tantos outros, Little Richard e Chuck Berry foram os únicos a realmente sobressair. É só a partir desta fase que Richard passa a ser visto como uma autêntica mega-estrela de todos os tempos pelo público americano. Ele se auto-pronunciou o "Arquiteto do Rock", seguido por outros títulos como “O Criador”, “O Emancipador”, “O Inventor”, e é claro, nada menos do que "O Verdadeiro Rei do Rock 'n' Roll". Outro apelido curioso que ele recebeu foi "O Liberace de Bronze". Richard ainda conseguiu em 1970 outro hit moderado com "Freedom Blues". Passou o restante da primeira parte da década de 70 aparecendo em "talk-shows", dando entrevistas e fazendo pequenas apresentações em eventos nostálgicos.
Ao final de 1976, em eterno duelo com seu "outro lado", Little Richard sucumbiu novamente para a respeitabilidade de Reverendo Richard Penniman. Mas como passou a ser visto como um ícone do rock 'n' roll, seus sermões apareceram nos jornais fora de contexto. Em tais sermões, ele pregava a força absoluta da fé com frases como "Se Deus pode salvar um velho homossexual como eu, ele pode salvar qualquer um". Em jornais sensacionalistas, a frase foi explorada indevidamente e a opinião pública o viu como um traidor decadente.
Com o tempo e a idade, o artista Little Richard e seu alter ego, o Reverendo Richard Penniman, aparentemente aprenderam a conviver em paz dentro do corpo desta personalidade tão complexa. Little Richard reapareceu em 1986 para a filmagem de "Down And Out In Beverly Hills", uma comédia com Richard Drefuss e Betty Midler, onde Little Richard rouba o espetáculo como o vizinho que se irrita facilmente. O filme abriria caminho para o seu último hit até o presente, a canção "Great Gosh O' Mighty". Ainda em 1986 ele foi convidado a entrar para o Rock 'n' Roll Hall of Fame, o chamado Corredor da Fama, misto de museu e título de honra para seus membros. Durante o seu discurso de agradecimento, ele começou a chorar em público, ato incomum para este artista geralmente muito seguro de si. Em seu discurso de agradecimento, declarou que este tipo de reconhecimento é como um sonho se realizando. Pouco depois Richard Penniman voltou a pregar a palavra de Deus enquanto processava a Speciality Records, querendo reaver o dinheiro dos direitos das vendas de seus discos. Infelizmente, depois de o processo correr por quase um ano, a Justiça considerou o documento que ele assinou legal e ele fica mesmo sem direito àquela fortuna.
Anos 1990 e 2000
Durante a década de 90, novamente como Little Richard, ele passou a freqüentar a televisão americana constantemente, entre participações em seriados como Miami Vice, a documentários como "A Tribute To Woody Guthrie And Leadbelly", e propagandas como a do McDonald’s. Gravou uma participação no disco infantil da Disney "For Our Children", fez backing vocals para o dueto entre Bono Vox e BB King, "When Love Comes To Town", apareceu no Vila Sésamo participando do quadro "Kurmit Unpigged", sátira à série Unplugged da MTV, cantando "She Drives Me Crazy" e contracenando com Caco, o sapo.
Recebeu outros prêmios na década de 90, como o “Lifetime Achievement Award”, da National Academy of Recording Arts and Sciences, o “Pioneer Award”, da Rhythm & Blues Foundation, em 1994, e em reconhecimento por todas as suas contribuições e vasta influência em tantos artistas posterior ao seu auge, foi presenteado com o extremamente prestigioso “Award of Merit” pela American Music Awards, em 1997, outro momento de intensa emoção em sua carreira.
A partir de 1997, Little Richard voltou a excursionar pelo mundo com incrível disposição para um homem acima de sessenta e sete anos de idade, mantendo intacta sua imagem de roqueiro selvagem. Com incrível bom humor, ele explica que está em paz não só com sua persona artística como também com o verdadeiro Richard Penniman que existe atrás deste artista. Antes de ele poder ajudar os outros, ele precisava chegar a este meio-termo.
Aposentadoria
Infância
Nascido Richard Wayne Penniman em Macon, Georgia, terceiro de 12 filhos de Charles "Bud" Penniman, um fabricante clandestino de bebidas alcoólicas, e Leva Mae. Cresceu em uma família religiosa na qual cantar fazia parte integral de suas vidas, eles se apresentavam em igrejas locais como "The Penniman Singers", e chegaram a entrar em competições com outras famílias cantoras. Sua família o chamava de "War Hawk" (br: Falcão de Guerra) por causa de sua maneira de cantar alto e gritado. Seu avô, Walter Penniman, era um pastor, e os pais de sua família eram membros da fundação templária "African Methodist Episcopal" (AME) na igreja de Macon. Sua avó materna era membro do "Macon's Holiness Temple Baptist Church". Ele frequentava a "New Hope Baptist Church" em Macon com sua mãe. As preferidas de Richard eram as igrejas pentecostais por causa da música e a diversão que tinha fazendo a dança sagrada e fazendo glossolalia com os membros da congregação. Quando tinha dez anos se tornou um curador pela fé, cantando músicas gospel e tocando nas pessoas, que testemunhavam que sentiam melhor após a prática. Inspirado pelo Irmão Joe May, um cantor evangelista conhecido como "The Thunderbolt of the West" (br: "Raio trovejante do oeste"), Richar queria ser um pastor.
O fraseado dramatico e mudanças rápidas de voz de Richard são derivadas dos artistas negros de gospel dos anos 30 e 40. Ele disse que Sister Rosetta Tharpe era sua cantora preferida na infância. Ela convidou ele para cantar uma música no palco do auditória da cidade de Macon em 1945, depois de ouvir ele cantando antes do show. A platéia aplaudiu com entusiasmo e ela pagou a ele uma quantidade de dinheiro que ele nunca havia visto na vida. Também foi influenciado por Mahalia Jackson, Brother Joe May e Marion Williams de quem ele pegou a marca registrada "whoooo" em seus vocais. Seu visual e som foram inspirados no estilo gospel e jump blues do final dos anos 40 do cantor Billy Wright conhecido como "Principe do Blues". Billy apresentou Richard ao DJ Zenas Sears, que conseguiu para o novato seu primeiro contrato de gravação em 1951.
Uma das principais influências de Richard ao tocar piano foi Esquerita (Eskew Reeder, Jr.), que mostrou a ele como tocar notas altas sem comprometer o baixo. Richard conheceu Esquerita quando viajou por Macon com uma pastora chamada Irmã Rosa.
Richard vivia em uma vizinhança negra, ele tinha algum contato com brancos, mas devido à segregação racial ele não podia cruzar a linha para onde os brancos viviam. Enquanto estava no colegial, Richard tocou saxophone na banda da escola. Começou a perder o interesse na escola e tocar em várias bandas itinerantes durante sua adolescência. Aos 14 anos se juntou ao show do intérprete Sugarfoot Sam do Alabama, onde aparecia vestido de mulher e era chamado de "Princesa Lavonne - A excêntricidade do ano".
Anos 1950
Em outubro de 1951, Richard começou suas gravações de jump blues pela RCA Camden. Em 1952 enquanto Richard estava em uma de suas gravações, seu pai levou um tiro e morreu, o assassino foi preso mas pouco tempo depois as acusações acabaram sendo retiradas. Com as vendas pobres de suas primeiras gravações e seu pai morto, Richard foi forçado a trabalhar como lavador de pratos em Macon.
Suas próximas gravações com a Peacock Records em 1953 não estavam satisfazendo Richard com sua carreira solo, ele então formou uma nova banda de R&B chamada "The Upsetters". A banda começou com o baterista de Nova Orleans Charles "Chuck" Connors e dois saxofonistas, incluindo Wilbert "Lee Diamond" Smith. Em 1955 se juntaram à banda os saxofonistas Clifford "Gene" Burks e Grady Gaines, o guitarrista Nathaniel "Buster" Douglas e o baixista Olsie "Baysee" Robinson.
Como sugestão de Lloyd Price, Richard gravou uma demo para o selo gospel/R&B Specialty Records em 9 de fevereiro de 1955. O dono da Specialty, Art Rupe, o emprestou dinheiro para comprar seu contrato da Peacock Records e colocar sua carreira nas mãos de Robert "Bumps" Blackwell da Specialty A&R.
Rupe e BlackWell primeiramente enxergavam Richard como sendo um rival comercial de Ray Charles, que estava experimentando sucesso pela Atlantic Records cantando músicas gospel e desenvolvendo músicas com uma batida blues. Richard disse à Rupe que gostava do som de Fats Domino, então Rupe e Blackwell reservaram o estúdio de gravação J & M de Cosimo Matassa em Nova Orleans, e contrataram músicos de estúdio que haviam trabalhado com Fats Domino (incluindo Earl Palmer na bateria e Lee Allen no sax) que logo depois se tornaram músicos da banda de Richard durante turnês nos meio dos anos 50.
Após seguidas gravações que não agradaram Blackwell, Richard começou a espancar no piano um ritmo boogie woogie e gritar a improvisadamente "Tutti Frutti", uma música que ele havia escrito e apresentado no palco durante anos. Blackwell estava tão impressionado com aquele som que fez Richard gravar a música. No entanto, para deixar a música comercialmente aceitável, Richard teve que reescrever a letra. Blackwell achou que a letra com humor homossexual e modos de menestrel precisavam ser limpos. Por exemplo, "Tutti Frutti, good booty" foi substituído por "Tutti Futti, aw-rooty". A música já tinha a introdução a capella "A-wop-bop-a-loo-lop-a-lop-bam-boom!" que também foi ligeiramente alterada para ficar comercialmente aceitável. A gravação foi lançada pela Specialty em outubro de 1955.
Pela Specialty Records, entre 1956 e 57, Richard gravou diversas músicas que viriam a ser clássicos do rock de todos os tempos, como “Long Tall Sally”, “Rip It Up”, “Tutti Frutti”, “The Girl Can't Help It”, “Good Golly Miss Molly”, “Slippin' and Slidin'”, “Jenny, Jenny”, “Keep a Knockin'” e “Lucille”, entre outras. Participou de filmes como “The Girl Can't Help It”, “She's Got It” e “Mister Rock And Roll”, que reforçaram sua imagem e ajudaram a divulgar sua música internacionalmente. É apenas justo que parte do seu sucesso seja também creditado à sua banda, composta de excelentes músicos de Nova Orleans, como Lee Allen no sax tenor, Alvin Tyler no sax barítono e de seu baterista favorito, Earl Palmer, que gravou e excursionou com ele por quase toda a carreira.
Vocalista mais virtuoso da primeira fase do rock and roll, Little Richard influenciou com seus falsetes, seu piano e seu temperamento extrovertido, os grandes nomes da história do rock, de Paul McCartney a Robert Plant, de Jerry Lee Lewis a Billy Preston, de Otis Redding a Freddie Mercury, de Elvis Presley a Prince. Sua performance explosiva e insinuação em palco agitavam e levavam o público à loucura, chegando a causar tumultos. Sempre o centro das atenções, sua música ajudou a promover a desmistificação entre brancos e negros, uma vez que os jovens brancos passaram a invadir os espaços reservados aos negros, diretamente em frente ao palco, para dançarem juntos. Assim, jovens brancos puderam perceber melhor a discrepância do tabu racial vinda dos mais velhos e em que eram obrigados a acreditar.
Excursionou durante esse período não somente por todo os Estados Unidos, de costa a costa, como também foi um dos primeiros artistas a levar o rock 'n' roll para a Austrália. Durante sua viagem de volta desta excursão, a meses depois do acidente mortal de outra lenda, Buddy Holly, seu avião teve problemas e Richard em pânico implorou a Deus que, se ele sobrevivesse, largaria a vida artística e voltaria suas energias para espalhar a palavra de Deus. Ele diria depois que o chamado já estava lhe incomodando fazia tempo e que entendeu o incidente no aeroplano como um ultimato de Deus.
A fase evangélica
Após terminar alguns compromissos restantes, Little Richard abandonou a profissão em 1958, tornando-se novamente Richard Penniman, e passou a cursar a Oakwood Collage Seminary School em Huntsville, Alabama, formando-se em 1961 como bacharel em Teologia. Foi ordenado ministro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, renegando seu passado mundano e se afastando do show business. A gravadora Speciality não gostou nada desta decisão e procurou forçá-lo a se manter como performer, ameaçando-o à ter que assinar um acordo abrindo mão de todos os seus direitos sobre suas canções, como alternativa. Little Richard, porém, estava sério sobre sua crença religiosa e prontamente abriu mão de todos os direitos que detinha sobre sua música. Em 1961 gravou discos religiosos e excursionou pelo sul de igreja a igreja, pregando e cantando hinos religiosos.
O retorno
Mas Richard não conseguiu ficar mais de três anos longe do rock. Em 1962, viajou para Europa, onde em Hamburgo conheceu os Beatles, seguiu para o Oriente e depois para a Austrália. Em 1963 tocou na Inglaterra, a nova Meca do rock, para se juntar à excursão dos Everly Brothers, que incluía apresentações dos Rolling Stones e Bo Diddley. A TV Granada fez na ocasião, um especial sobre sua carreira. Os tempos mudaram mas as apresentações de Little Richard eram uma das poucas atrações da já velha guarda que ainda mantinha o público pulando. Com a Beatlemania e a posterior psicodelia, a maioria dos grandes astros da primeira fase caíram no esquecimento, como coisa do passado. Mas Richard ainda voltou para a América e fez temporada em Chicago, no City Opera House. Em 1964, bandas como os Beatles e os Rolling Stones, com diversas entrevistas fazendo questão de frisar a importância dos artistas negros americanos na sua música, ajudaram Little Richard a conseguir um hit moderado com a canção "Bama Lama Bama Loo".
Em 1965 fez temporada no Paramount Theater de Nova York. É neste período que Little Richard teve como guitarrista um desconhecido Jimi Hendrix, acorrentado pela obrigação de tocar de modo simples, com afinação tradicional e sem distorção de qualquer espécie. Hendrix foi dispensado pouco antes de Little Richard seguir para uma excursão européia. Eternamente tentando reconquistar o novo público jovem, esses anos, em sua maioria, foram bastante frustrantes para esse gigante do passado. Ainda mais quando cálculos concluíam que até 1968 ele já havia vendido cerca de US$32 milhões em discos ao redor do mundo, nenhum centavo deste dinheiro indo para seu bolso.
Anos 1970 e 1980
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| Little Richard - 1988 |
Foi somente em 1969, após a psicodelia, com uma onda de revalorizar o rock simples do passado, que Little Richard conseguiu novamente atenção. Entre todos os velhos roqueiros que reapareceram neste "revival", como Gene Vincent, Everly Brothers, Fats Domino e Chubby Checker, entre tantos outros, Little Richard e Chuck Berry foram os únicos a realmente sobressair. É só a partir desta fase que Richard passa a ser visto como uma autêntica mega-estrela de todos os tempos pelo público americano. Ele se auto-pronunciou o "Arquiteto do Rock", seguido por outros títulos como “O Criador”, “O Emancipador”, “O Inventor”, e é claro, nada menos do que "O Verdadeiro Rei do Rock 'n' Roll". Outro apelido curioso que ele recebeu foi "O Liberace de Bronze". Richard ainda conseguiu em 1970 outro hit moderado com "Freedom Blues". Passou o restante da primeira parte da década de 70 aparecendo em "talk-shows", dando entrevistas e fazendo pequenas apresentações em eventos nostálgicos.
Ao final de 1976, em eterno duelo com seu "outro lado", Little Richard sucumbiu novamente para a respeitabilidade de Reverendo Richard Penniman. Mas como passou a ser visto como um ícone do rock 'n' roll, seus sermões apareceram nos jornais fora de contexto. Em tais sermões, ele pregava a força absoluta da fé com frases como "Se Deus pode salvar um velho homossexual como eu, ele pode salvar qualquer um". Em jornais sensacionalistas, a frase foi explorada indevidamente e a opinião pública o viu como um traidor decadente.
Com o tempo e a idade, o artista Little Richard e seu alter ego, o Reverendo Richard Penniman, aparentemente aprenderam a conviver em paz dentro do corpo desta personalidade tão complexa. Little Richard reapareceu em 1986 para a filmagem de "Down And Out In Beverly Hills", uma comédia com Richard Drefuss e Betty Midler, onde Little Richard rouba o espetáculo como o vizinho que se irrita facilmente. O filme abriria caminho para o seu último hit até o presente, a canção "Great Gosh O' Mighty". Ainda em 1986 ele foi convidado a entrar para o Rock 'n' Roll Hall of Fame, o chamado Corredor da Fama, misto de museu e título de honra para seus membros. Durante o seu discurso de agradecimento, ele começou a chorar em público, ato incomum para este artista geralmente muito seguro de si. Em seu discurso de agradecimento, declarou que este tipo de reconhecimento é como um sonho se realizando. Pouco depois Richard Penniman voltou a pregar a palavra de Deus enquanto processava a Speciality Records, querendo reaver o dinheiro dos direitos das vendas de seus discos. Infelizmente, depois de o processo correr por quase um ano, a Justiça considerou o documento que ele assinou legal e ele fica mesmo sem direito àquela fortuna.
Anos 1990 e 2000
Durante a década de 90, novamente como Little Richard, ele passou a freqüentar a televisão americana constantemente, entre participações em seriados como Miami Vice, a documentários como "A Tribute To Woody Guthrie And Leadbelly", e propagandas como a do McDonald’s. Gravou uma participação no disco infantil da Disney "For Our Children", fez backing vocals para o dueto entre Bono Vox e BB King, "When Love Comes To Town", apareceu no Vila Sésamo participando do quadro "Kurmit Unpigged", sátira à série Unplugged da MTV, cantando "She Drives Me Crazy" e contracenando com Caco, o sapo.
Recebeu outros prêmios na década de 90, como o “Lifetime Achievement Award”, da National Academy of Recording Arts and Sciences, o “Pioneer Award”, da Rhythm & Blues Foundation, em 1994, e em reconhecimento por todas as suas contribuições e vasta influência em tantos artistas posterior ao seu auge, foi presenteado com o extremamente prestigioso “Award of Merit” pela American Music Awards, em 1997, outro momento de intensa emoção em sua carreira.
A partir de 1997, Little Richard voltou a excursionar pelo mundo com incrível disposição para um homem acima de sessenta e sete anos de idade, mantendo intacta sua imagem de roqueiro selvagem. Com incrível bom humor, ele explica que está em paz não só com sua persona artística como também com o verdadeiro Richard Penniman que existe atrás deste artista. Antes de ele poder ajudar os outros, ele precisava chegar a este meio-termo.
Aposentadoria
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| Little Richard durante show em 2004 nos EUA |
Little Richard, aos 80 anos, anunciou em entrevista publicada na edição de setembro de 2013 da revista Rolling Stone dos EUA que deve se afastar definitivamente dos palcos. "Estou acabado, em certo sentido, porque sinto que não tenho vontade de fazer nada atualmente", disse ele na matéria intitulada O Longo Adeus de Little Richard, assinada pelo jornalista Neil Strauss.
Com fortes dores no nervo ciático e problemas degenerativos no quadril, Richard viu sua saúde obrigá-lo a reduzir o número de shows por nem sempre ser capaz de proporcionar um espetáculo à altura de seu nome.
O momento decisivo, segundo relata o texto, ocorreu em junho de 2012, quando Richard teve de interromper um show em Washington, lamentando de forma dramática ao público: "Jesus, por favor me ajude. Mal posso respirar. É horrível".
"Sinto dores 24 horas por dia. Estou doente", disse antes que o ajudassem a abandonar o palco naquela que foi uma das poucas apresentações realizadas pelo músico nos últimos cinco anos.
Richard ainda conseguiu se recuperar e marcou presença no festival Viva Las Vegas Rockabilly, realizado em abril de 2013, mas seu estado de saúde piorou desde então. Seu último trabalho estúdio, Shake it all About, foi lançado em 1992.
Discografia
Álbuns
1957: Here's Little Richard (Specialty)
1958: Little Richard (Specialty)
1959: The Fabulous Little Richard (Specialty)
1960: Pray Along with Little Richard, Volume 1
1960: Pray Along with Little Richard (Vol 2)
1962: The King of the Gospel Singers
1964: Little Richard Is Back (And There's A Whole Lotta Shakin' Goin' On!) (Vee-Jay)
1965: Little Richard's Greatest Hits (Vee-Jay)
1967: The Incredible Little Richard Sings His Greatest Hits - Live! (Modern)
1967: The Wild and Frantic Little Richard (Modern)
1967: The Explosive Little Richard (Okeh)
1967: Little Richard's Greatest Hits: Recorded Live! (Okeh)
1970: The Rill Thing (Reprise)
1971: Mr. Big
1971: The King of Rock and Roll (Reprise)
1972: The Second Coming (Reprise)
1972: Southern Child (Reprise, unreleased)
1972: Friends from the Beginning - Little Richard and Jimi Hendrix
1973: Right Now!
1974: Talkin' 'Bout Soul
1976: Little Richard Live
1979: God's Beautiful City
1986: Lifetime Friend (WEA)
Com fortes dores no nervo ciático e problemas degenerativos no quadril, Richard viu sua saúde obrigá-lo a reduzir o número de shows por nem sempre ser capaz de proporcionar um espetáculo à altura de seu nome.
O momento decisivo, segundo relata o texto, ocorreu em junho de 2012, quando Richard teve de interromper um show em Washington, lamentando de forma dramática ao público: "Jesus, por favor me ajude. Mal posso respirar. É horrível".
"Sinto dores 24 horas por dia. Estou doente", disse antes que o ajudassem a abandonar o palco naquela que foi uma das poucas apresentações realizadas pelo músico nos últimos cinco anos.
Richard ainda conseguiu se recuperar e marcou presença no festival Viva Las Vegas Rockabilly, realizado em abril de 2013, mas seu estado de saúde piorou desde então. Seu último trabalho estúdio, Shake it all About, foi lançado em 1992.
Vídeos
Tutti Frutti
Long Tall Sally
Long Tall Sally
Discografia
Álbuns
1957: Here's Little Richard (Specialty)
1958: Little Richard (Specialty)
1959: The Fabulous Little Richard (Specialty)
1960: Pray Along with Little Richard, Volume 1
1960: Pray Along with Little Richard (Vol 2)
1962: The King of the Gospel Singers
1964: Little Richard Is Back (And There's A Whole Lotta Shakin' Goin' On!) (Vee-Jay)
1965: Little Richard's Greatest Hits (Vee-Jay)
1967: The Incredible Little Richard Sings His Greatest Hits - Live! (Modern)
1967: The Wild and Frantic Little Richard (Modern)
1967: The Explosive Little Richard (Okeh)
1967: Little Richard's Greatest Hits: Recorded Live! (Okeh)
1970: The Rill Thing (Reprise)
1971: Mr. Big
1971: The King of Rock and Roll (Reprise)
1972: The Second Coming (Reprise)
1972: Southern Child (Reprise, unreleased)
1972: Friends from the Beginning - Little Richard and Jimi Hendrix
1973: Right Now!
1974: Talkin' 'Bout Soul
1976: Little Richard Live
1979: God's Beautiful City
1986: Lifetime Friend (WEA)




César CPO
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