Rock é um termo abrangente que define um gênero musical popular que se desenvolveu durante e após a década de 1950. Suas raízes se encontram no rock and roll e no rockabilly que emergiram e se definiram nos Estados Unidos no final dos anos quarenta e início dos cinquenta e que, por sua vez, evoluíram do blues, da música country e do rhythm and blues. Outras influências musicais sobre o rock ainda incluem o folk, o jazz e a música clássica. Todas estas influências foram combinadas em uma estrutura musical simples baseada no blues que era "rápida, dançável e pegajosa".
Apesar de no decorrer de sua história o rock and roll ter ficado mais marcado por astros brancos, deve-se aos negros, escravos trazidos da África para as plantações de algodão dos Estados Unidos, a criação da estrutura rítmica e melódica que seria a base do rock. Os cantos entoados pelos negros durante o trabalho, no início do século XX dariam origem ao Blues (do inglês azul, usado para designar pessoa de pele escura, bem como tristeza ou melancolia). Focado basicamente no vocal, o blues era geralmente acompanhado apenas por violão.
![]() |
| Bateria e guitarra elétrica: instrumentos utilizados na criação do rock |
Índice das partes desta matéria
Parte 01 - Blues: A origem
Parte 02 - Rock: Os Primórdios
Parte 03 - Anos 1950
Parte 04 - Anos 1960
Parte 05 - Anos 1970
Parte 06 - Anos 1980
Parte 07 - Anos 1990
Parte 08 - Anos 2000
Parte 01 - Blues: A origem
Nascido nas colheitas de algodão ao longo do delta do Rio Mississipi, nos Estados Unidos, este gênero musical é a expressão melancolia. Não à toa, bebidas e amores desfeitos são temas constantes. Inicialmente, o blues tinha como principal função aliviar o duro trabalho imposto aos escravos.
Os primeiros relatos em termo de "blues" aparece datam de 1862. A origem do termo é incerta, mas seu significado mais próximos é sem dúvida o equivalente ao que conhecemos como "fossa". Ele podia ser ouvido tanto nas plantações quanto nas senzalas. Vem Daí algumas de suas características marcantes, como o canto rude e melancólico. Diferentemente do jazz, que sofreu influências da música europeia, o blues soube se manter "cru" ao longo dos anos. O nascimento do blues deve-se a uma série de fatores culturais e sociais. Com um fim de guerra civil americana e consequente liberação dos escravos, os negros se dispersaram e em alguns casos se tornaram agricultores de suas próprias terras . O que antes era entoado em coro como "worksongs"(canções de trabalho) deu lugar a um cultivador solitário, guiando sua mula ou puxando seu arado e improvisando cantos. Mas nem todos se tornaram agricultores. Muitos migraram para a cidade e levaram para lá esta forma de canto que se desenvolveu nos campos. O aparecimento deste novo proletariado teve como consequência direta a grande procura por divertimentos: lojas de bebidas sala de jogos, casa de prostituição - locais onde a música dava a tônica.
Foi por esta época que começou a surgir a figura do "songster" ou o cantador. Não raramente cego ou aleijado, ele passava de vila em vila cantando seus problemas com a lei, a falta de emprego ou lamentando a mulher que o deixara. Misto de vagabundo com artista, ele costumava trocar suas histórias por comida, um lugar para dormir ou uma garrafa de uísque. O cantor tocava também um instrumento para marcar o ritmo e fazer dançar. Este instrumento, porém tinha de ser do tipo que ele pudesse carregar em suas peregrinações. Inicialmente a preferência era banjo e violino. Gradualmente, estes instrumentos foram substituídos por uma guitarra leve, prática e barata, muito mais completa que o violino e muito mais prática que o banjo.
Enquanto o negro americano tentava se adaptar a condição de liberto, ele sofria com a forte segregação racial cada vez mais evidente. Um de seu consolos se tornou o pastor negro que adaptava as lições da bíblia a uma visão muito pessoal e voltada para a sua comunidade. Na igreja os negros tentavam transcender a dura realidade e entoavam cânticos que muito lembravam as worksongs. E foi assim que em algum lugar do século 20 do fazendeiro solitário entoando suas canções, do cantor itinerante disseminado suas baladas e do pregador inflamando seus fiéis com cânticos surgiu o blues.
O Blues tem e já teve grandes mestres como B.B. King, Muddy Waters, Albert King, Stevie Ray Vaughan, Jimi Hendrix, Chuck Berry, etc. É impossível mencionar todos mas existem vários.
Bluesmen que participaram da história do blues desde suas origens:
Big Bill Broonzy (1893-1958) - Um dos primeiros artistas do blues clássico, foi o bluesman de maior sucesso nos anos 30.
Sonny Boy Williamson (1899-1965) - Adotou o nome com a morte do primeiro Sonny Boy, e só emplacou por conta de seu talento na harmônica.
Willie Dixon - Compositor cantor, baixista e guitarrista, foi talvez a figura mais importante na chamada era clássica do blues urbano de Chicago.
Otis Spann (1930-70) - Pianista que, juntamente com Waters e LittleWalter, foi um dos criadores do blues de Chicago do pós-guerra.
Muddy Waters (1915-83) - O maior artista do gênero entre a era clássica de Robert Johnson e a de B.B. King. Mestre da slide guitar, manteve a crueza do blues rural mesmo quando adotou a guitarra elétrica.
Memphis Slim - Pianista que migrou do estilo R&B para o folk-blues, com muito sucesso.
Lowell Fulson - Figura de ligação entre o blues clássico e o R&B, guitarrista que alia tradição a novos estilos.
John Lee Hooker - Um dos grandes intérpretes da onda revivalista dos anos 60,este guitarrista faz um blues bem tradicional com sua interpretação econômica e irônica.
Howlin' Wolf (1910-76) - O principal rival de Waters nos anos 50, seu jeito de gritar os blues fez escola e tornava sua performances inesquecíveis.
Buddy Guy - Showman da guitarra revitalizou o gênero nos anos 60.
Bo Diddley - Precursor da batida do rock, esse guitarrista faz um rhythm'n'blues cheio de suingue e animação.
Bessie Smith (1894-1937) - A maior de todas as cantoras de blues, chamada a "Imperatriz do Blues", por suas interpretações sinceras e cheias de emoção.
Parte 02 - Rock: Os Primórdios
Enquanto o blues se desenvolvia nos campos e pequenas cidades, nas grandes cidades por sua vez tocava-se o jazz, baseado na improvisação e marcado por bandas maiores e arranjos mais elaborados, com percussão e instrumentos de sopro.
Por um outro lado, nas igrejas evangélicas desenvolvia-se a música gospel negra, que embora obedecendo as escalas de blues, caracterizavam-se por ritmo frenético ou mesmo sensual, canções de redenção e esperança para um povo oprimido. A música era acompanhada por piano ou órgão.
A economia de guerra e o desenvolvimento da indústria havia levado mais gente dos campos para a cidade, forçando o relacionamento entre brancos e negros e a tensão social e racial mas também favorecendo a influência mútua entre a música negra (blues e seus derivados) e a música branca (principalmente country e jazz). Da fusão do blues original com os ritmos mais dançantes dos brancos surgiu o rhythm and blues, que levou a música negra ao conhecimento da população consumista.
No início da década de 50, com o final da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coreia, os Estados Unidos despontavam como grande potência mundial. Mais do que em qualquer outro momento da história era incentivado o gozo da vida, marcada que estava a sociedade pelos anos de sofrimento da guerra. A população de maneira geral e inclusive as minorias pela primeira vez tinha dinheiro para gastar com supérfluos como música. Com o anúncio da explosão de bombas atômicas pela União Soviética e um possível "fim do mundo" a qualquer momento, a ordem geral era aproveitar cada momento como se fosse o último.
Numa época de mudanças surgia uma corrente intelectual inédita contrária à antiga política, rebeldia esta refletida na literatura, como no livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, mas mais notadamente no cinema com a glorificação da antítese dos antigos valores em filmes como O Selvagem (em que Marlon Brando interpreta um delinquente).
Em pleno crescimento econômico capitalista o consumo era considerado fator primordial para geração de empregos e divisas, bem como o melhor antídoto contra o comunismo, e a busca por novos mercados consumidores era incessante. Obviamente a parcela mais jovem da população rapidamente se mostrou mais facilmente influenciável e ao público adolescente pela primeira vez foi dado o direito de ter produtos destinados ao seu consumo exclusivo, bem como poder de escolha.
Estranhamente porém os jovens brancos em grande parte se negavam a consumir a música normalmente consumida pela maioria branca. Começaram a buscar na música dos guetos algo diferente. Com a indústria fonográfica de grande porte não preparada para suprir o público consumidor com este tipo de música ganharam importância selos pequenos de música negra.
A aceitação deste tipo de música pelo público de maior poder aquisitivo levou a incipiente indústria fonográfica da época a investir na evolução do estilo e procura e contratação de novos talentos, principalmente na procura de um jovem branco que pudesse domar aquele estilo aliando a ele uma imagem que pudesse ser vendida mais facilmente. Tornaram-se comuns os relançamentos de versões de músicas dos negros regravadas por artistas brancos, que terminavam por tirar os verdadeiros criadores do estilo do topo das paradas.
Uma outra grande revolução de costumes estava em curso. Sexo deixava de ser tabu e passava a ser considerado diversão (tanto para o homem como para as mulheres). As canções de amor por pressão do público comprador passavam a dar lugar a letras mais sacanas, embora muitas vezes fosse necessário criar versões atenuadas de versos mais diretos.
A mistura explosiva da empolgante música negra com o consumismo branco adolescente havia sido feita... a explosão era questão de tempo....
Mas quem teria sido o homem que mereceria ser coroado como responsável pela "criação" do rock and roll? Obviamente um estilo musical tão complexo não poderia ter sua invenção atribuída incontestavelmente a apenas um indivíduo ou grupo de indivíduos. Mas se alguém merecesse ter seu nome associado à "criação" do rock como o conhecemos este alguém não seria Elvis ou Bill Haley ou Chuck Berry ou nenhum outro cantor ou band leader. O "inventor" do termo rock and roll e grande responsável pela difusão do estilo foi o disk jokey Allan Freed, radialista de programas de rhythm and blues de Cleveland, Ohio, que primeiro captou e investiu na carência do público jovem consumista por um novo tipo de música mais energética e primeiro percebeu o potencial comercial da música negra.
O termo rock and roll era uma gíria dos negros americanos, referente ao ato sexual, presente inclusive em muitas letras de blues (a exemplo de My Daddy Rocks Me With a Steady Roll da cantora Trixie Smith, de 1922). Allan Freed foi o responsável por usar o nome sonoro para denominar o novo estilo musical em que estava investindo.
Em 1951 Allan Freed criou o programa Moon Dog Show mais tarde renomeado para Moon Dog Rock and Roll Party ao mesmo tempo em que promovia festas de dança com o mesmo nome, movidas inicialmente a blues e rhythm & blues e mais tarde pelo ritmo que havia ajudado a definir e divulgar. Suas festas apesar dos constantes atritos e reclamações por parte das autoridades eram um sucesso. Tumultos lhe valeram dezenas de processos por incitação à violência.
Enquanto a juventude adotava o novo ritmo como sua marca registrada os adultos, principalmente das parcelas mais conservadoras da sociedade, a taxavam como causa de toda delinquência juvenil... apesar do exagero dos protestos, não estavam de todo errados, o gosto pelo rock era realmente parte do estilo das gangues juvenis.
Parte 03 - Anos 1950
O rock and roll surgiu nos subúrbios dos Estados Unidos no final dos anos 1940 e início da década de 1950 e rapidamente se espalhou para o resto do mundo. No começo, o novo estilo rock sofreu várias críticas negativas e algumas positivas, mas sempre atrapalhando seus trabalhos. Muitos diziam que o "novo" rock incentivava o satanismo. Suas origens imediatas remontam a uma mistura entre blues e country, mas com influência de vários gêneros musicais com o rhythm and blues.
Há muita discussão sobre qual deveria ser considerada a primeira gravação rock & roll. Uma forte candidata é "Rocket 88", de Jackie Brenston e os Delta Cats (na verdade, Ike Turner e sua banda The Kings of Rhythm), gravada e lançada pela Sun Records de Sam Philips em 1951. Quatro anos depois, em 1955, "Rock Around the Clock" de Bill Haley se tornou a primeira canção de rock and roll a chegar ao topo da parada de vendas e execuções da revista Billboard e abriu caminho mundialmente para esta nova onda da cultura popular. Mas uma edição da revista Rolling Stone de 2004 argumentou que "That's All Right (Mama)", de 1954, o primeiro single de Elvis Presley (com Scotty Moore na guitarra e Bill Black no baixo) para a Sun Records em Memphis foi o primeiro registro de rock and roll na história e a criação do som "rockabilly" característico da Sun Records. Mas, àquela altura, "Shake, Rattle and Roll" de Big Joe Turner, posteriormente regravada por Haley, já estava no topo da parada R&B da Billboard. Outros artistas que lançaram os primeiros sucessos do rock and roll foram Chuck Berry, Bo Diddley, Fats Domino, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Gene Vincent.
A década de 1950 assistiu ao crescimento da popularidade da guitarra elétrica e o desenvolvimento de um estilo de rock and roll especificamente tocado por expoentes tais como Berry, Link Wray e Scotty Moore.
Também viu grandes avanços na tecnologia de gravação, como a gravação multi-faixas desenvolvida por Les Paul e o tratamento eletrônico de sons por produtores musicais inovadores como Joe Meek. Todos estes avanços foram fundamentais para a influência do rock posteriormente.
Os primeiros relatos em termo de "blues" aparece datam de 1862. A origem do termo é incerta, mas seu significado mais próximos é sem dúvida o equivalente ao que conhecemos como "fossa". Ele podia ser ouvido tanto nas plantações quanto nas senzalas. Vem Daí algumas de suas características marcantes, como o canto rude e melancólico. Diferentemente do jazz, que sofreu influências da música europeia, o blues soube se manter "cru" ao longo dos anos. O nascimento do blues deve-se a uma série de fatores culturais e sociais. Com um fim de guerra civil americana e consequente liberação dos escravos, os negros se dispersaram e em alguns casos se tornaram agricultores de suas próprias terras . O que antes era entoado em coro como "worksongs"(canções de trabalho) deu lugar a um cultivador solitário, guiando sua mula ou puxando seu arado e improvisando cantos. Mas nem todos se tornaram agricultores. Muitos migraram para a cidade e levaram para lá esta forma de canto que se desenvolveu nos campos. O aparecimento deste novo proletariado teve como consequência direta a grande procura por divertimentos: lojas de bebidas sala de jogos, casa de prostituição - locais onde a música dava a tônica.
Foi por esta época que começou a surgir a figura do "songster" ou o cantador. Não raramente cego ou aleijado, ele passava de vila em vila cantando seus problemas com a lei, a falta de emprego ou lamentando a mulher que o deixara. Misto de vagabundo com artista, ele costumava trocar suas histórias por comida, um lugar para dormir ou uma garrafa de uísque. O cantor tocava também um instrumento para marcar o ritmo e fazer dançar. Este instrumento, porém tinha de ser do tipo que ele pudesse carregar em suas peregrinações. Inicialmente a preferência era banjo e violino. Gradualmente, estes instrumentos foram substituídos por uma guitarra leve, prática e barata, muito mais completa que o violino e muito mais prática que o banjo.Enquanto o negro americano tentava se adaptar a condição de liberto, ele sofria com a forte segregação racial cada vez mais evidente. Um de seu consolos se tornou o pastor negro que adaptava as lições da bíblia a uma visão muito pessoal e voltada para a sua comunidade. Na igreja os negros tentavam transcender a dura realidade e entoavam cânticos que muito lembravam as worksongs. E foi assim que em algum lugar do século 20 do fazendeiro solitário entoando suas canções, do cantor itinerante disseminado suas baladas e do pregador inflamando seus fiéis com cânticos surgiu o blues.
O Blues tem e já teve grandes mestres como B.B. King, Muddy Waters, Albert King, Stevie Ray Vaughan, Jimi Hendrix, Chuck Berry, etc. É impossível mencionar todos mas existem vários.
![]() |
| Muddy Waters |
Bluesmen que participaram da história do blues desde suas origens:
Big Bill Broonzy (1893-1958) - Um dos primeiros artistas do blues clássico, foi o bluesman de maior sucesso nos anos 30.
Sonny Boy Williamson (1899-1965) - Adotou o nome com a morte do primeiro Sonny Boy, e só emplacou por conta de seu talento na harmônica.
Willie Dixon - Compositor cantor, baixista e guitarrista, foi talvez a figura mais importante na chamada era clássica do blues urbano de Chicago.
Otis Spann (1930-70) - Pianista que, juntamente com Waters e LittleWalter, foi um dos criadores do blues de Chicago do pós-guerra.
Muddy Waters (1915-83) - O maior artista do gênero entre a era clássica de Robert Johnson e a de B.B. King. Mestre da slide guitar, manteve a crueza do blues rural mesmo quando adotou a guitarra elétrica.
Memphis Slim - Pianista que migrou do estilo R&B para o folk-blues, com muito sucesso.
Lowell Fulson - Figura de ligação entre o blues clássico e o R&B, guitarrista que alia tradição a novos estilos.
John Lee Hooker - Um dos grandes intérpretes da onda revivalista dos anos 60,este guitarrista faz um blues bem tradicional com sua interpretação econômica e irônica.
Howlin' Wolf (1910-76) - O principal rival de Waters nos anos 50, seu jeito de gritar os blues fez escola e tornava sua performances inesquecíveis.
Buddy Guy - Showman da guitarra revitalizou o gênero nos anos 60.
Bo Diddley - Precursor da batida do rock, esse guitarrista faz um rhythm'n'blues cheio de suingue e animação.
Bessie Smith (1894-1937) - A maior de todas as cantoras de blues, chamada a "Imperatriz do Blues", por suas interpretações sinceras e cheias de emoção.
Parte 02 - Rock: Os Primórdios
Enquanto o blues se desenvolvia nos campos e pequenas cidades, nas grandes cidades por sua vez tocava-se o jazz, baseado na improvisação e marcado por bandas maiores e arranjos mais elaborados, com percussão e instrumentos de sopro.
Por um outro lado, nas igrejas evangélicas desenvolvia-se a música gospel negra, que embora obedecendo as escalas de blues, caracterizavam-se por ritmo frenético ou mesmo sensual, canções de redenção e esperança para um povo oprimido. A música era acompanhada por piano ou órgão.
A economia de guerra e o desenvolvimento da indústria havia levado mais gente dos campos para a cidade, forçando o relacionamento entre brancos e negros e a tensão social e racial mas também favorecendo a influência mútua entre a música negra (blues e seus derivados) e a música branca (principalmente country e jazz). Da fusão do blues original com os ritmos mais dançantes dos brancos surgiu o rhythm and blues, que levou a música negra ao conhecimento da população consumista.
No início da década de 50, com o final da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coreia, os Estados Unidos despontavam como grande potência mundial. Mais do que em qualquer outro momento da história era incentivado o gozo da vida, marcada que estava a sociedade pelos anos de sofrimento da guerra. A população de maneira geral e inclusive as minorias pela primeira vez tinha dinheiro para gastar com supérfluos como música. Com o anúncio da explosão de bombas atômicas pela União Soviética e um possível "fim do mundo" a qualquer momento, a ordem geral era aproveitar cada momento como se fosse o último.
Numa época de mudanças surgia uma corrente intelectual inédita contrária à antiga política, rebeldia esta refletida na literatura, como no livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, mas mais notadamente no cinema com a glorificação da antítese dos antigos valores em filmes como O Selvagem (em que Marlon Brando interpreta um delinquente).
Em pleno crescimento econômico capitalista o consumo era considerado fator primordial para geração de empregos e divisas, bem como o melhor antídoto contra o comunismo, e a busca por novos mercados consumidores era incessante. Obviamente a parcela mais jovem da população rapidamente se mostrou mais facilmente influenciável e ao público adolescente pela primeira vez foi dado o direito de ter produtos destinados ao seu consumo exclusivo, bem como poder de escolha.
Estranhamente porém os jovens brancos em grande parte se negavam a consumir a música normalmente consumida pela maioria branca. Começaram a buscar na música dos guetos algo diferente. Com a indústria fonográfica de grande porte não preparada para suprir o público consumidor com este tipo de música ganharam importância selos pequenos de música negra.
A aceitação deste tipo de música pelo público de maior poder aquisitivo levou a incipiente indústria fonográfica da época a investir na evolução do estilo e procura e contratação de novos talentos, principalmente na procura de um jovem branco que pudesse domar aquele estilo aliando a ele uma imagem que pudesse ser vendida mais facilmente. Tornaram-se comuns os relançamentos de versões de músicas dos negros regravadas por artistas brancos, que terminavam por tirar os verdadeiros criadores do estilo do topo das paradas.
Uma outra grande revolução de costumes estava em curso. Sexo deixava de ser tabu e passava a ser considerado diversão (tanto para o homem como para as mulheres). As canções de amor por pressão do público comprador passavam a dar lugar a letras mais sacanas, embora muitas vezes fosse necessário criar versões atenuadas de versos mais diretos.
A mistura explosiva da empolgante música negra com o consumismo branco adolescente havia sido feita... a explosão era questão de tempo....
![]() |
| Allan Freed, criador do termo "rock 'n' roll" |
O termo rock and roll era uma gíria dos negros americanos, referente ao ato sexual, presente inclusive em muitas letras de blues (a exemplo de My Daddy Rocks Me With a Steady Roll da cantora Trixie Smith, de 1922). Allan Freed foi o responsável por usar o nome sonoro para denominar o novo estilo musical em que estava investindo.
Em 1951 Allan Freed criou o programa Moon Dog Show mais tarde renomeado para Moon Dog Rock and Roll Party ao mesmo tempo em que promovia festas de dança com o mesmo nome, movidas inicialmente a blues e rhythm & blues e mais tarde pelo ritmo que havia ajudado a definir e divulgar. Suas festas apesar dos constantes atritos e reclamações por parte das autoridades eram um sucesso. Tumultos lhe valeram dezenas de processos por incitação à violência.
Enquanto a juventude adotava o novo ritmo como sua marca registrada os adultos, principalmente das parcelas mais conservadoras da sociedade, a taxavam como causa de toda delinquência juvenil... apesar do exagero dos protestos, não estavam de todo errados, o gosto pelo rock era realmente parte do estilo das gangues juvenis.
Parte 03 - Anos 1950
O rock and roll surgiu nos subúrbios dos Estados Unidos no final dos anos 1940 e início da década de 1950 e rapidamente se espalhou para o resto do mundo. No começo, o novo estilo rock sofreu várias críticas negativas e algumas positivas, mas sempre atrapalhando seus trabalhos. Muitos diziam que o "novo" rock incentivava o satanismo. Suas origens imediatas remontam a uma mistura entre blues e country, mas com influência de vários gêneros musicais com o rhythm and blues.
Há muita discussão sobre qual deveria ser considerada a primeira gravação rock & roll. Uma forte candidata é "Rocket 88", de Jackie Brenston e os Delta Cats (na verdade, Ike Turner e sua banda The Kings of Rhythm), gravada e lançada pela Sun Records de Sam Philips em 1951. Quatro anos depois, em 1955, "Rock Around the Clock" de Bill Haley se tornou a primeira canção de rock and roll a chegar ao topo da parada de vendas e execuções da revista Billboard e abriu caminho mundialmente para esta nova onda da cultura popular. Mas uma edição da revista Rolling Stone de 2004 argumentou que "That's All Right (Mama)", de 1954, o primeiro single de Elvis Presley (com Scotty Moore na guitarra e Bill Black no baixo) para a Sun Records em Memphis foi o primeiro registro de rock and roll na história e a criação do som "rockabilly" característico da Sun Records. Mas, àquela altura, "Shake, Rattle and Roll" de Big Joe Turner, posteriormente regravada por Haley, já estava no topo da parada R&B da Billboard. Outros artistas que lançaram os primeiros sucessos do rock and roll foram Chuck Berry, Bo Diddley, Fats Domino, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Gene Vincent.
A década de 1950 assistiu ao crescimento da popularidade da guitarra elétrica e o desenvolvimento de um estilo de rock and roll especificamente tocado por expoentes tais como Berry, Link Wray e Scotty Moore.
![]() |
| Les Paul - músico considerado inventor da guitarra elétrica |
Também viu grandes avanços na tecnologia de gravação, como a gravação multi-faixas desenvolvida por Les Paul e o tratamento eletrônico de sons por produtores musicais inovadores como Joe Meek. Todos estes avanços foram fundamentais para a influência do rock posteriormente.
![]() |
| Bill Haley (and His Comets) |
O sonho de encontrar um branco capaz de cantar como um negro havia sido realizado por Sam Phillips, de um pequeno selo chamado Sun Records. Em seu início de carreira com o single de Thats All Right e Blue Moon of Kentucky, logo seguido por Good Rockin’ Tonight e I Don’t Care If The Sun Dont Shine, poucos poderiam acreditar que o Elvis Presley que ouviam no rádio era um branco. Obviamente parecia mais saudável à sociedade conservadora e racista aceitar aquele tipo de música vindo de um rapaz com rosto de bom moço. Qualquer boa intenção porém era desmentida pela maneira agressiva e sensual de dançar.
Embora criado um ano antes o rock and roll só viria a explodir definitivamente em 1955, em grande parte influenciado pela inclusão de Rock Around The Clock como música de abertura do filme Blackboard Jungle (Sementes da Violência) sobre relações tumultuadas entre alunos e professores (uma analogia a algo muito mais amplo, o relacionamento entre o stablishment e a ânsia por mudanças). Uma juventude a cada dia mais delinquente e em busca de heróis sem relações com heróis do passado rapidamente adotou (para pavor da parcela mais conservadora da sociedade) a rebeldia (mesmo que sem causa) como exemplo a ser seguido, e por tabela a música do filme como catalisador desta rebeldia. Obviamente o novo tipo de música passou rapidamente a ser associado à degeneração da juventude, o que tornava ainda maior seu fascínio, em um ciclo vicioso irresistível.
![]() |
| Chuck Berry |
E quando todos pensavam que nada pior poderia influenciar em tão grande escala a juventude americana eis que um negro, Chuck Berry, sobe às paradas com uma versão para o hit country Ida Red, renomeado para Maybelline (da qual consta o nome de Allan Freed como autor embora este não tenha ajudado na composição). Embora nunca tenha conseguido para si o título que lhe poderia ser devido de rei do rock (usurpado pelo branco Elvis) sua importância nunca foi discutida.
![]() |
| Little Richard |
Ainda mais assustadora para os conservadores porém seria a aparição nas paradas de um segundo negro, Little Richard, este ainda por cima afeminado, maquiado e com um penteado no mínimo exótico, cantando em seu primeiro verso o que viria a ser para sempre o grito de guerra mais conhecido do rock and roll, tão indecifrável quanto contagiante... "a wop bop a loo bop a lop bam boom".. a música... Tutti Frutti.
A prova definitiva de que o rock and roll seria a mais lucrativa música de consumo dos próximos anos viria com o pagamento de inéditos 45.000 dólares pelo passe de Elvis Presley (que chegara a ser aconselhado a voltar a dirigir caminhões menos de dois anos antes) para a gravadora major RCA Victor.
![]() |
| Elvis Presley |
Em 1956 enquanto Elvis Presley consolidava seu sucesso com novos hits como Heartbreak Hotel, Blue Suede Shoes (que deveria ter sido lançada pelo seu autor, Carl Perkins, não tivesse este sofrido um grave acidente de carro que o deixou paralisado um ano) e regravações de músicas já consagradas como Tutti Frutti (com Little Richard) e Shake Rattle and Roll (com Bill Haley) tornava-se urgente para outras gravadoras achar artistas que pudessem rivalizar Elvis ou ao menos conseguir alguma repercussão usando de seu estilo.
![]() |
| Roy Orbison |
Com uma sonoridade um pouco diferente, mais marcada pela música negra de origem, principalmente gospel, começava a despontar o talento de James Brown com o quase soul Please Please Me.
Já sobre o comando do empresário Tom Parker o talento de Elvis era aproveitado também no cinema no filme The Reno Brothers, logo renomeado para Love Me Tender em virtude do grande sucesso da canção tema. Não tardam a aparecer outros filmes com participações de astros do rock, como Rock Around The Clock e Don’t Knock The Rock (apresentando Bill Haley e Allan Freed), The Girl Can’t Help It (Little Richard, Gene Vincent, Eddie Cochran), entre outros. Enquanto isso, na Inglaterra, com algum atraso, o filme Blackboard Jungle levava o rock and roll ao reino unido.
![]() |
| "Loving You" é o segundo filme de Elvis Presley de 1957 |
Com o alistamento obrigatório de Elvis Presley nas forças armadas em 1957 o fim do rock and roll foi anunciado pela primeira vez. Afinal o que haveria neste ritmo que o poderia fazer mais durável do que tantos outros como o cha-cha-cha, a rumba, o calipso, o mambo?
Contrariando todas as previsões novos hit makers surgem de onde menos se espera. Se juntando à banda Crickets o até então inexpressivo Buddy Holly, de Nashville, prova com os hits açucarados That Will Be The Day e Peggy Sue que o rock poderia ser domado e usado associado a um bom moço e letras românticas sem segundas intenções.
![]() |
| Buddy Holly & the Crickets |
As esperanças de menos rebeldia e dias mais calmos no rádio não se concretizariam, obviamente. Seja por lançamentos como School Days de Chuck Berry (uma ode ao fim das aulas) ou pela explosão tardia de Jerry Lee Lewis com Crazy Arms e Whole Lotta Shakin’ Going On.
Com o ingresso de Elvis nas forças armadas (a despeito de este ter deixado gravado material para dezenas de lançamentos e um filme gravado, King Creole) Jerry Lee Lewis era o candidato natural para seu posto, rebelde, carismático... e branco. Seu apelo ao público era proporcional ao seu ego e Great Balls Of Fire rapidamente se tornou o sucesso do ano de 1958. Sua carreira viria a derrocar de maneira tão meteórica quanto surgira em virtude de vir a público seu casamento com a prima de 13 anos, Myra Gale Brown, e de ele nem ao menos ter tido o cuidado de desmanchar um de seus casamentos anteriores, sendo portanto um bígamo, o que era demais para a sociedade da época.
1958 vê ainda Chuck Berry lançar dois dos maiores clássicos do rock de todos os tempos, Sweet Little Sixteen (sim, sobre garotas adolescentes) e Johnny B. Goode (quase auto biográfica). O Rock bonzinho e romântico por sua vez reage com All I Have To Do dos Everly Brothers. James Brow lança seu primeiro grande hit, Try Me.
O ano negro de 1959 começou marcado pelo acidente de avião, ocorrido em 3 de fevereiro de 1959, que matou Big Booper, o recém descoberto chicano Ritchie Valens (do sucesso La Bamba) e Buddy Holly (foto ao lado), em Clear Lake, Iowa. Após uma apresentação conjunta durante uma mal-sucedida turnê de inverno chamada Winter Dance Party, o avião que transportava o grupo de uma cidade para outra, em meio a uma tempestade de neve e com um piloto inexperiente, caiu pouco após a decolagem, não deixando sobreviventes. Esse evento inspirou o cantor Don McLean a criar uma popular música de 1971, chamada "American Pie", e imortalizou o dia 3 de fevereiro como "o dia em que a música morreu".
![]() |
| Winter Dance Party |
Buddy Holly deixou um vasto legado, a sua música era sofisticada e uma novidade para a época em que aconteceu, graças por exemplo, à introdução de novos instrumentos ao rock’n'roll, à sua notabilidade como guitarrista e às suas harmoniosas e complexas composições e melodias, Holly abriu caminho para nomes como John Lennon, Paul McCartney, Bob Dylan, Mick Jagger, Alan Clarke, entre outros, sendo que a sua obra foi uma peça indispensável ao progresso da música mundial ao longo do tempo.
A década termina com Chuck Berry sendo preso por cruzar uma fronteira estadual com uma prostituta (que teoricamente havia sido contratada para trabalhar em um clube de sua propriedade em Saint Louis). Seu grande crime obviamente era ser negro em uma sociedade racista e ter alcançado tanto sucesso. Berry foi julgado e condenado a dois anos de cadeia.
Os fatos citados acima eram emblemáticos e fáceis de notar mas os problemas do rock não se reduziam a estes. O estilo estava gasto em virtude da superexposição e mesmo grandes nomes como Carl Perkins e Jerry Lee Lewis estavam tomando o caminho mais lucrativo do country. Elvis Presley, de volta de seu serviço nas forças armadas, passaria de rockeiro rebelde a entertainer familiar, gravando praticamente apenas baladas. A juventude finalmente notara que Bill Haley e Allan Freed afinal já não tinham idade para serem ídolos jovens. Talvez o rock finalmente tivesse morrido. Ou talvez apenas precisasse de algumas mudanças.
![]() |
| Jerry Lee Lewis |
Parte 04 - Anos 1960
Continuando a série de fatalidades entre os rockstars iniciadas em 1959, já em abril de 1960 morreria Eddie Cochran em uma colisão de um táxi contra um poste de energia elétrica. No mesmo carro estava Gene Vincent que juntamente com a namorada de Eddie sofreu apenas ferimentos. O impacto emocional do acidente talvez tenha sido o motivo pelo qual Gene Vincent não mais apresentou a mesma performance e iniciou o declínio de sua careira (chegando a desmaiar no palco durante uma tour pela Inglaterra).
![]() |
| Eddie Cochran & Gene Vincent |
No final da primeira fase do rock and roll também foi emblemática a perseguição ao criador do estilo, Allan Freed, processado e condenado ao pagamento de uma multa de mais de US$30.000 por ter recebido pagamentos em troca da execução de determinadas músicas em seus programas e festas. Alegava-se que as atitudes anti-éticas de Allan Freed haviam sido responsáveis pelo sucesso do rock and roll que de outra forma não poderia ter atingido tamanha repercussão. Allan Freed após a divulgação deste escândalo foi obrigado a se retirar da atenção do público.
Mas enquanto o rock declinava sensivelmente no seu pais de origem, do outro lado do Atlântico, na Inglaterra, principalmente nas cidades portuária (por terem estas acesso mais fácil às músicas que vinham do continente americano), crescia o interesse pelo rock and roll. Billy Furry foi o primeiro artista de rock inglês a ter alguma repercussão nos Estados Unidos, ainda baseado nos conceitos comerciais do rock original, com músicas feitas por encomenda. Na cidade de Liverpool estava tomando forma um movimento cultural que tomou o nome de um fanzine musical local, Mersey Beat. Entre as bandas locais já destacavam-se os Beatles.
O rockabilly influenciou um som selvagem e principalmente instrumental chamado surf music - apesar da cultura surf ser concorrente do pop rock. Este estilo, que tem, como grandes exemplos, Dick Dale e os The Surfaris nos EUA e os Shadows, caracterizou-se por tempos musicais rápidos, percussão inovadora e sons de guitarra com reverbs e ecos. Grupos da Costa Oeste norte-americana como The Beach Boys e Jan and Dean reduziram a velocidade dos tempos musicais e adicionaram harmonias vocais que criaram aquilo que ficaria conhecido como o "California Sound". Do rock ao estilo antigo talvez a única grande novidade no início da década de 60 tenham sido os Beach Boys, banda a início dirigida basicamente à comunidade de surfistas mas que terminou por ter uma inesperada repercussão com o hit Surfin’ Usa (um plágio descarado a Sweet Little Sixteen de Chuck Berry, por quem seriam processados neste mesmo ano). Em seu rastro surgiriam outros artistas com temas de surf, como Jan and Dean.
![]() |
| The Beach Boys: 1964, The Ed Sullivan Show interpretando 'I Get Around'. |
![]() |
| Bob Dylan e Joan Baez |
Em 1963 Bob Dylan já era um astro de relativa repercussão e suas letras inteligentes chamavam a atenção de público e crítica, fato inédito até então na música pop. Em abril fez seu primeiro grande show em New York, e teve uma apresentação no programa de TV de Ed Sullivan cancelada em virtude do conteúdo "revolucionário" de suas letras. Já em maio ocorreria na Califórnia o Monterey Festival reunindo Bob Dylan e Joan Baez, além de outros artistas do estilo como Peter Seeger e o trio Peter, Paul & Mary. Rapidamente a música folk e principalmente Bob Dylan seriam taxados de comunistas e degenerados, o que obviamente atraiu a atenção do público jovem e aumentou o apelo do novo estilo.
No Reino Unido, o movimento trad jazz levou muitos artistas do blues a visitar o país. Enquanto estava desenvolvendo o Concorde, o sucesso "Rock Island Line", de Lonnie Donegan, em 1955, foi a principal influência e ajudou a desenvolver uma nova tendência de grupos musicais de skiffle em todo a Grã-Bretanha, incluindo os Beatles. Foi em solo britânico que se desenvolveu uma grande cena rock and roll, sem as barreiras raciais que mantiveram a "gravações de raça" ou rhythm and blues separados nos Estados Unidos.
Cliff Richard emplacou o primeiro sucesso britânico de rock 'n' roll com "Move It", que efetivamente inaugurou o rock britânico. No início da década de 1960, o seu grupo de apoio The Shadows foi um dos vários grupos a obter sucessos instrumentais. Enquanto o rock 'n' roll caminhava em direção a um pop leve e a baladas fora de moda, grupos de rock britânicos, fortemente influenciados por pioneiros do blues-rock como Alexis Körner, tocavam cada vez mais em clubes e bailes locais e se distanciava do rock and roll norte-americano.
Até o final de 1962, a cena do rock britânico tinha ganhado grupos como The Beatles debruçados sobre um vasto leque de influências que incluíam a soul music, o rhythm and blues e a surf music. Inicialmente, eles reinterpretaram sucessos-padrão norte-americanos, tocados para dançarinos de twist, por exemplo. Esses grupos acabaram introduzindo em suas composições originalidade, som distinto e conceitos musicais cada vez mais complexos. Em meados de 1962, os Rolling Stones foram um dos numerosos grupos surgidos e que mostravam uma influência blues cada vez maior, juntamente com os Animals e os Yardbirds. No fim de 1964, as bandas The Kinks, The Who e The Pretty Things. Perto do final da década, grupos de rock britânico com influencia das subculturas Mod e Hippie, começaram a explorar estilos musicais psicodélicos.
Na Inglaterra, contratados por George Martin da EMI, após terem sido desprezados pela gravadora Decca, em 1963 os Beatles já eram um sucesso sem precedentes usando a formula de juntar o apelo fácil de músicas cativantes a grande presença, bom humor e algum cinismo em entrevistas, que chamavam a atenção da imprensa. Era estranho também para a época que fossem os próprios membros da banda responsáveis por grande parte de suas composições. Com um cover de Come On (música de Chuck Berry) estreava também na Inglaterra, ainda sem grande repercussão, a banda Rolling Stones.
![]() |
| The Beatles |
As novidades já não levavam tanto tempo para se espalhar por outros paises. Bob Dylan e outros artistas folk dos Estados Unidos penetravam finalmente o mercado inglês enquanto paralelamente os Beatles conquistavam a América. Curiosamente em abril de 1964 Bob Dylan era número um na Inglaterra com a música The Times They Are A Changin enquanto os Beatles ocupavam as cinco primeiras posições na parada americana (com Cant Buy Me Love em primeiro lugar). Não haviam atritos ou disputa entre os estilos musicais opostos... as letras e a postura política de Bob Dylan sempre foram abertamente elogiadas pelos Beatles.
Os Rolling Stones se tornavam também um grande sucesso mundial com sua ida aos Estados Unidos pouco depois dos Beatles, iniciando a chamada "Invasão Britânica". A atitude irreverente dos Stones, com seus frequentes escândalos, era a antítese perfeita à educação e boa aparência dos Beatles, conquistando a parcela mais rebelde do público. Outras bandas inglesas como Herman’s Hermits, The Kinks e The Animals também despontavam.
![]() |
| The Rolling Stones |
![]() |
| Yardbirds |
A partir de 1965, com a banda Yardbirds (de carreira tão curta quanto influente, que teve entre seus membros ninguém menos que Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck) e The Who, o rock começava a ganhar uma agressividade inédita, com guitarras mais distorcidas e mais amplificação.
![]() |
| The Who |
As influências das temáticas mais complexas do folk rock eram flagrantes (vide a evolução dos Beatles com o álbum Revolver) e paralelamente às letras mais instigantes os músicos buscavam também levar adiante as sonoridades, explorando instrumentos exóticos e arranjos mais complexos, experimentais e inesperados.
As drogas não mais eram apenas consumidas para eliminar o cansaço, mas sim para buscar prazer e estados alterados de percepção. A música da época foi fortemente influenciada por drogas como LSD, seja porque era composta sobre seu efeito ou porque era composta de maneira a simular ou tentar ampliar seus efeitos. O novo tipo de música foi chamado de psicodélico.
![]() |
| The Beatles: Sgt Peppers’ Era |
Para muitos Sgt Peppers é considerado o nascimento do rock progressivo (que não se prende a nenhum conceito predefinido, baseado na experimentação e no ineditismo). Divide esta glória com um outro álbum, curiosamente gravado no mesmo estúdio e ao mesmo tempo, The Pipers At The Gates Of Dawn, da banda Pink Floyd, que havia ficado famosa pelas suas performances audiovisuais no underground londrino, capitaneada pelo gênio movido a LSD de Syd Barret.
![]() |
| Jimi Hendrix |
![]() |
| The Doors |
O grande evento do ano de 1967 seria o Monterey Pop Festival que reuniu na California Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Animals, Simon and Garfunkel, Bufallo Springfield, entre outros.
![]() |
| Led Zeppelin in USA Spring 1969 |
![]() |
| Pink Floyd (Syd Barrett Era 1967) |
![]() |
| Rolling Stones se apresentando no Altamont. |
![]() |
| Janis Joplin em Woodstock |
Mas mesmo esta má impressão não seria capaz de abafar a realização do que possivelmente foi o maior evento de música de todos os tempos, entre 15 e 17 de Agosto, em Woodstock, interpretado por muitos como o marco do início de uma nova era de paz e amor, com apresentações entre outros de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane e The Who. No Newport Jazz Festival por sua vez apresentaram-se Led Zeppelin, Jethro Tull, John Mayall, Ten Years After, Jeff Beck, James Brows, Johnny Winter, entre outros.
![]() |
| Festival de Woodstock |
Com bandas de músicos virtuosos como Pink Floyd, Led Zepellin, Cream, Jethro Tull e Deep Purple, e os super experimentais Mothers Of Invention de Frank Zappa, associados aos trabalhos cada vez mais elaborados de bandas antigas como os Beatles e o The Who (que havia lançado a ópera rock Tommy, elevando definitivamente o rock a categoria de arte) a simplicidade característica do rock dos primeiros tempos havia sumido.
Parte 05 - Anos 1970
Em 1970 o rock, assim como os roqueiros da primeira geração, já haviam atingido sua maioridade e a inocência dos primeiros tempos era apenas passado. As grandes bandas em sua maioria estavam cercadas dos melhores equipamentos de estúdio e mesmo orquestras (bastante emblemático é o lançamento do Deep Purple, Concerto For Group And Orchestra). Um outro grande passo para a sofisticação fora também a rápida difusão dos sintetizadores (a início os Moogs e Minimoogs inventados por Robert Moog), teclados capazes de criar novas tessituras e variedades sonoras antes impraticáveis.
O fim dos Beatles foi emblemático do fim de mais uma era no rock. Haviam sido talvez a banda que mais ajudara na transição entre o rock básico de letras simples dos primeiros tempos ao rock mais complexo e sério musicalmente e liricamente. Não mais apenas diversão e produto de consumo o rock era definitivamente encarado como expressão artística e social.
O publico de rock se dividia em duas frentes, a dos adolescentes mais interessados nos hits singles de bandas teoricamente "descartáveis" e a dos já amadurecidos rockers dos primeiros tempos, em busca de experimentação, letras elaboradas, álbuns completos.
O rock progressivo começava a se apresentar ao grande público e Greg Lake, após abandonar a banda King Crimson, formava a clássica banda Emerson, Lake & Palmer (acompanhado de Keith Emerson e Carl Palmer), cativando um público cada vez mais sério. O álbum Deja Vu de Crosby, Stills, Nash & Young, é o mais vendido do ano nos estados unidos. Com a aquisição do baterista Phill Collins a banda Genesis iniciava sua careira de sucesso.
Embora o rock progressivo continuasse em expansão, bandas de musicalidade mais simples e muito baseadas no apelo fácil da rebeldia voltavam a surgir para suprir a nova geração, principalmente nos Estados Unidos, como Slade, Sweet, Gary Glitter, T Rex, ou conseguiam um sucesso tardio, como David Bowie, Bay City Rollers e Elton John. A imagem (maquiagem, cabelos, roupas exageradas e coloridas) de músicos como Marc Bolan, do T Rex, iniciavam a definição do estilo Glam Rock (que aproveitavam a imagem esdrúxula e em muitos casos andrógena como fator de marketing).
Na Inglaterra, em 1970, sem requintes musicais, o Black Sabbath gravava seu primeiro disco (conta a lenda que em apenas dois dias), auto intitulado, expandindo as fronteiras do "peso" no hard rock e criando o que possivelmente poderia ser o primeiro disco definitivamente heavy metal conhecido do grande público. O limite dos escândalos envolvendo sexo, drogas e "satanismo" também é empurrado para diante.
Munido de maquiagem e teatralidade inéditos até então Alice Cooper seria a resposta americana ao inédito peso e atitude do Black Sabbath. Surge para o público em 1971 com o hit Eighteen e o álbum Love It To Death.
A cristalização do uso da imagem, do teatro e da "atitude" como fator de marketing tão ou mais importante do que a própria música seria a banda americana Kiss (que lançou seu álbum de estreia, auto-intitulado, em 1974) cujos músicos tocavam maquiados, assumiam personalidades de demônio, animal, homem espacial e deus, voavam, cuspiam fogo, vomitavam sangue e vendiam discos, maquiagem e bonecos como nenhuma banda de simples músicos poderia vender.
Em 1975, paralelamente ao rock elaborado das bandas progressivas ou de hard rock (o Queen lançava seu excelente primeiro disco auto-intitulado) e ao rock comercial glam, surgia nos pequenos bares e casas de show dos Estados Unidos um movimento musical underground marcado por descompromisso e cheio da autenticidade e da real rebeldia que faltava a estes primeiros. Em pequenos locais (como o emblemático CBGB em New York) bandas como Blondie e Ramones. O estilo era marcado pelo "do-it-yourself", a possibilidade de qualquer um (mesmo que não sabendo tocar) montar uma banda.
Foi responsabilidade de Malcon McLaren, até então dono de uma loja de roupas de couro (de certa forma uma sex shop) em Londres, o aproveitamento do novo estilo como algo comercial. Não tendo sido bem sucedido em empresariar a banda americana New York Dolls (que já estavam em franca decadência), McLaren voltou a Londres com a finalidade de montar ele próprio uma banda usando o padrão que havia conhecido nos Estados Unidos. Entre clientes de sua loja recrutou quem tivesse os parcos conhecimentos musicais necessários para formar a banda Sex Pistols. Acrescentaram à música simples e alucinada dos punks americanos letras anarquistas e mais agressivas. Seu primeiro hit foi Anarchy In The Uk, em 1975.
O punk criado nos estados unidos e popularizado na Inglaterra (onde logo viria a se tornar um movimento social do proletariado e não mais apenas um estilo musical) foi uma resposta necessária ao rock que estava se levando a sério demais, aos álbuns duplos conceituais, aos solos de dez minutos e às bandas que perdiam de vista o caráter de diversão do rock. O punk embora considerado por muitos anti-música foi na pior das hipóteses um mal necessário para mostrar e conter alguns exageros da onda do progressivismo.
Em 1977 o primeiro disco dos Sex Pistols, Nevermind The Bollocks entraria direto no primeiro lugar da parada britânica. Aos Sex Pistols se seguiriam dezenas de bandas inglesas e americanas como Clash, Damned, Siouxie and The Banshees, além de serem resgatadas e tiradas do anonimato bandas como Ramones e Blondie.
O estilo também influiria embora indiretamente na sonoridade de novas bandas que surgiam, como Motörhead e AC/DC. O punk também absorveria elementos de outros estilos (como o reggae, por exemplo, de temática e musicalidade semelhantes em sua simplicidade). Bandas como The Police, Simple Minds e Pretenders (e um pouco mais tarde U2) adotariam um estilo que viria a ser conhecido como new wave, mais facilmente aceitável que o punk (cuja fórmula inicial já não surtia tanto efeito comercialmente).
Mas o punk e a new wave não eram a única alternativa à onda "disco" que assolava a música. Começava a se formar na Inglaterra com bandas como Judas Priest, Samsom e principalmente Iron Maiden o que viria a ser conhecido como New Wave Of British Heavy Metal, a resposta do som pesado e elaborado à sonoridade simples do punk. O hard rock também dava sinais de renovação com o primeiro álbum auto-intitulado da banda Van Halen em 1978.
Apesar do fim dos Sex Pistols em 1978 (com a fórmula tão esgotada quanto os próprios músicos após uma imensa tour pelos Estados Unidos) e da morte do anti-herói, símbolo do punk, Sid Vicious (de overdose, após conseguir liberdade condicional da prisão onde estava por ter supostamente assassinado a namorada) em 1979, o rock nunca mais seria o mesmo após a onda punk.
Parte 06 - Anos 1980
Chegam os anos 80, ainda com aquele restinho de onda punk. Mas o gosto de ressaca estava no ar. Essa geração vinha cheia de melancolia, com uma rebeldia mais triste, sombria e solitária. Nas letras, muitas vezes niilistas, um lirismo que representava muito bem o sentimento dos jovens da época. Era o pós-punk. De Liverpool, vinha o Echo and The Bunnymen, e de Manchester, o Joy Division, com toda a tristeza do vocalista Ian Curtis, que se enforca, aos 22 anos de idade. O resto da banda formaria o New Order.
Darks e góticos também eram bem representados pelo Sister of Mercy, The Mission, The Cult e Bauhaus.
Ao contrário dos góticos, outros queriam fazer música divertida e para dançar. Era a new wave chegando, com roupas coloridas, gel no cabelo e muita alegria, como o B’52 e o Talking Heads, de David Byrne.
Com certeza, três das bandas mais famosas nos anos 80 foram The Cure, The Smiths e U2. A Cure tinha aquele visual dark, só usava roupa preta, batons escuros, maquiagem e cabelos arrepiados. Era a rapaziada liderada por Robert Smith. The Smiths, considerada por muitos como a melhor banda dos 80, apostava no lirismo das letras de Morrissey e nas guitarras de Jonnhy Marr. Os irlandeses da U2 desde o começo traziam uma preocupação política nas letras como em Sunday Blood Sunday.
Glam metal
Foi ainda na década de 1980 que o rock popular se diversificou. Este período também viu uma Nova Onda do Heavy Metal Britânico ganhar popularidade com bandas como Iron Maiden e Def Leppard. A primeira metade daquela década viu Eddie Van Halen realizar inovações musicais com a guitarra, enquanto os vocalistas David Lee Roth (do Van Halen) e Freddie Mercury (do Queen, tal como havia feito durante toda a década de 1970) estiveram na linha de frente dos artistas mais performáticos. Concomitantemente, um New Wave mais pop permaneceu populares, com artistas como Billy Idol e The Go-Go's atingindo fama. No coração dos Estados Unidos, o rock popularizou nomes como Bruce Springsteen, Bob Seger, Donnie Iris, John Cougar Mellencamp e outros. Com o álbum "Reckless", Bryan Adams seguia rumo a uma bem-sucedida carreira comercial. Liderados pelo cantor folk Paul Simon e pelo antiga estrela do rock progressivo Peter Gabriel, o rock se fundiu com uma variedade de estilos de música popular ao redor do mundo. Esta fusão ganharia o nome no mundo anglo-saxão de "world music" e incluiu fusões como rock aborígine. Ainda naquela década, formas mais extremas do rock evoluíram. No início dos anos oitenta, o som áspero e agressivo do thrash metal atraiu um grande público underground. Algumas bandas como Metallica e Megadeth caminharam em direção ao sucesso comercial.
Um dos subgêneros mais populares da década de 1980 foi o glam metal. Influenciado por vários artistas do hard rock/heavy metal da década anterior, tais como Aerosmith, Queen, Kiss, Alice Cooper, Sweet e New York Dolls, a primeira leva de bandas de glam metal que ganharam notabilidade foram: Mötley Crüe, Skid Row, W.A.S.P., Ratt, Poison, Quiet Riot, além da mais conhecida delas -mas formada nos anos setenta-, Kiss. Ficaram conhecidos pelo estilo de vida excessivo, que se refletia no vestuário, na maquiagem e nos cabelos espalhafatosos. Suas canções também eram geralmente focadas na tríade sexo, bebidas e drogas.
Em 1987, surgiu uma nova geração de artistas do glam metal, entre os quais Winger, Bon Jovi, L.A. Guns, Poison e Faster Pussycat. Formado a partir da fusão de integrantes do L.A. Guns e do Hollywood Rose, os Guns N' Roses emergiram desta cena glam rumo a um grande sucesso comercial, embora eles não sejam categorizado como uma típica banda de glam metal como as demais citadas neste tópico.
Rock alternativo
As primeiras bandas de rock alternativo - R.E.M., The Feelies e Violent Femmes - combinaram suas influências punks com outras de folk music e do rock mainstream (comercial). Destas, o R.E.M. foi a de maior êxito imediato; seu álbum de estreia "Murmur", de 1983, figurou no Top 40 da Billboard e inspirou uma série de seguidores, as bandas de jangle pop. Uma das muitas cenas do jangle pop no começo dos anos oitenta foi a "Paisley Underground", em Los Angeles, que buscava inspiração em artistas da década de 1960 e incorporar a psicodelia, as ricas harmonias vocais e a interação da guitarra do folk rock, bem como de bandas que influenciaram movimentos musicais underground como o Velvet Underground.
Selos independentes estadunidenses como SST Records, Twin/Tone Records, Touch & Go Records e Dischord Records ocuparam posição de destaque na mudança do cenário underground nos EUA dominado pelo hardcore punk em direção a diversos estilos do rock alternativo que emergiriam a partir dos anos oitenta. Bandas como Hüsker Dü e The Replacements, ambas da cidade de Minneapolis, eram indicativos desta tendência. Estes dois grupos começaram como bandas de punk rock, mas logo diversificaram os seus sons e se tornaram mais melódicas, culminando nos respectivos álbuns "Zen Arcade" e "Let It Be" (ambos de 1984). Eles foram aclamados pela crítica e chamaram a atenção para o florescimento do subgênero musical. Naquele mesmo ano, a SST Records também lançou os primeiros trabalhos dos grupos Minutemen e Meat Puppets, que misturavam punk com funk e country music, respectivamente.
O R.E.M. e o Hüsker Dü foram modelos para uma grande parte dos artistas alternativos dos anos oitenta, de forma que conseguiriam aproximar suas carreiras. Na segunda metade daquela década, a cena alternativa e as rádios universitárias norte-americanas eranm dominadas pelas chamadas bandas college rock, como The Pixies, They Might Be Giants, Camper Van Beethoven, Dinosaur Jr e Throwing Muses - bem como por sobreviventes do post-punk britânico. Outro estilo ascendente dentro do rock alternativo foi o noise rock das bandas Sonic Youth, Big Black, Butthole Surfers, entre outras. No final daquela década, um número crescente de grupos alternativos assinavam contratos com grandes gravadoras. Enquanto no início grandes gravadoras que assinaram com o Hüsker Dü e os Replacements obtiveram pouco sucesso, outros artistas que seguiram o mesmo caminho e também assinaram com grandes selos, como os casos do R.E.M. do Jane's Addiction, alcançaram grandes vendagens de discos que conduziram anos depois em uma ruptura com o alternativo. Algumas bandas como os Pixies tiveram um grande sucesso no exterior, enquanto eram ignorados em nível local. No início da década de 1990, a indústria fonográfica foi alvoroçado sobre possibilidades de comercialização do rock alternativo e ativamente incitou grupos alternativos como o Dinosaur Jr, Firehouse, Pearl jam e Nirvana.
A década também é marcada pelo surgimento do neopsicodelismo, onde os ideais de paz e amor são retomadas, mas sem a ingenuidade dos anos 1960. Exemplo de bandas: U2 (oriundo do movimento pós-punk do início da década de 1980), R.E.M., Smashing Pumpkins, Cake, entre outros.
Parte 07 - Anos 1990
Na Califórnia, os rapazes do Red Hot Chilli Pepers começam a estourar em 89, com um som pesado, às vezes misturado com hip hop. Mas o grande movimento da década vinha de Seattle. Garotos que não estavam nem aí para o visual, vestiam jeans rasgado, camisas de flanela quadriculada e faziam um som alternativo, em pequenos clubes e bares da cidade. O que parecia um movimento underground isolado, em pouco tempo, vira o mainstream, quando a pequena gravadora subpop lança, em 89, o primeiro disco de uns garotos que estavam começando. O disco era Bleach, e os garotos eram o Nirvana. Em menos de dois anos, a banda liderada por Kurt Cobain sai de Seattle para o mundo e, em 91, lançam o álbum mais importante da década: Nervermind. O grunge explode e vira moda e atitude para milhões de adolescentes. O movimento ainda tinha Pearl Jam, Mudhoney, Soundgarten e Alice in Chains, todas de Seattle. Pronto, a geração de 90 já tinha o seu som garantido e também o seu ídolo: Kurt Cobain. O casamento com Courtney Love, para muitos, fazia lembrar a história de Sid Vicious and Nany Spungen. O amor era grande, e as brigas, também. As drogas tornam-se cada vez mais constantes. Seguindo o destino trágico da família (dois de seus tios se mataram), o ídolo de milhões de jovens suicida-se aos 27 anos com um tiro de espingarda. Era o fim do grunge.
O feminismo também passa pelo rock in roll, com as Riot Grrrrrl, garotas que empunham guitarras e soltam o verbo no palco, com um som pauleira mesmo, punk rock. Bons exemplos desse estilo são Bikini Kill, o Hole de Cortney Love, Sleater-Kinney e L7.
A década de 90 também abriga o britpop, que vem da Inglaterra e abarca grupos bastante distintos, como o polêmico Oasis, dos irmãos Galangher, o Blur, de Dalman Albarn, o cultuado Radiohead, de Tom York, o Pulp, de Jarvis Cocker, e o Suede.
A década de 1990 foi marcada ainda pela explosão do surgimento de vários novos estilos do rock ou pela consolidação daqueles cujos primeiros passos foram dados na década passada. Abaixo, um resumo de todos eles.
Grunge: foi um estilo de música voltado para sons pesados e distorcidos, mas sem ser metal. A principal banda desse estilo era o Nirvana, que tinha um som voltado para o alternativo. Bandas como Soundgarden e Alice in Chains tinham um estilo mais inspirado no metal e no hard rock, Pearl Jam puxava mais para o lado do hard rock, rock clássico e rock alternativo. Outras bandas como Stone Temple Pilots, chegaram no mainstream depois da consolidação do movimento Grunge. Muitas dessas bandas atingiram o 1º lugar nas paradas no mundo todo e até hoje vê-se influências desse movimento em bandas como Nickelback, Everclear e Seether.
Britpop: algumas bandas inglesas, que por possuírem uma estética similar, embora sem representar um movimento unitário, costumam ser denominadas britpop. Entram nesta denominação grupos pop como Blur e Oasis assim como grupos menos comerciais como Pulp, Suede, The Stone Roses e Supergrass.
Riot grrrl: a grosso modo, uma versão feminista de punk rock e hardcore, com letras que deixam transparecer o ativismo pela causa feminista. As suas representantes incluem L7, Bikini Kill, Sleater-Kinney, Babes in Toyland e Bratmobile.
Metal progressivo: aliando o peso do heavy metal à psicodelia do rock progressivo, algumas bandas deste estilo fazem dos seus membros referências para os entusiastas do heavy metal e, em alguns casos, do rock de uma forma geral. O exemplo mais proeminente é o Dream Theater, cujos integrantes são cultuados por seu talento (como o guitarrista John Petrucci, o tecladista Jordan Rudess e o baterista Mike Mangini). Outros exemplos de bandas neste estilo incluem, Shadow Gallery, Evergrey, Symphony X, Queensryche e Vanden Plas.
Metal alternativo: é uma forma eclética de heavy metal. Algumas bandas surgidas, com esse estilo, são: Faith No More, Alice In Chains, Living Colour, Deftones, Tool, Godsmack, Evanescence, System of a Down e Three Days Grace.
Indie rock: bandas de garagem que participam do circuito "independente", fora do mainstream, como: Radiohead, Pixies, Dinosaur Jr., The Strokes,The Libertines, White Stripes, Coldplay, Arctic Monkeys, Travis, Belle & Sebastian e Communiquè (banda de São Francisco), além de algumas bandas britpop.
Post rock: estilo de rock oriundo do início dos anos 1990, quando algumas bandas iniciaram uma ousada proposta de unir elementos do rock alternativo com o rock progressivo. Slint foi considerada a banda precursora do estilo, seguido também por Coheed and Cambria.
Nu metal: também conhecido como new metal ou nu-metal, é caracterizado por bandas que misturam outros estilos musicais nas suas composições, notadamente rap ou música eletrônica. Por causa disso, é ignorado pelos entusiastas puristas de heavy metal. Bandas deste estilo incluem Slipknot, Korn, Limp Bizkit, P.O.D., Otep, Linkin Park e Papa Roach. Alguns atribuem a origem do estilo ao Faith No More, enquanto outros remetem à sonoridade adoptada pelo Pantera a partir do seu quinto disco, Cowboys From Hell.
Death metal: tendo suas origens na metade da década de 1980 com bandas como Mantas (futuro Death) e Celtic Frost ficou conhecido como estilo musical dentro do heavy metal no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990. O death metal é um estilo musical extremo que aborda desde satanismo, cristianismo, guerras e até assassinatos, suicídios e carnificinas. O death metal tem muitas outras vertentes dentro de si, como thrash death metal, tech death metal, splatter death metal, death metal melódico, brutal death metal, death metal cristão etc. O som é caracterizado por riffs pesados e distorcidos, bateria agressiva e por vocais guturais. Bandas desse estilo incluem Morbid Angel, Cannibal Corpse, Death, Obituary, Deicide, Cryptopsy, Nile, Benediction, Krisiun, Dismember, Entombed, In Flames, Soilwork, Darkest Hour e Children of Bodom.
Black metal: é a vertente mais extrema e obscura dentro do heavy metal, surgiu no começo dos anos 1980 com bandas como Venom e Mercyful Fate mas que tinha uma sonoridade bem mais parecida com o heavy metal tradicional e nada parecido com o black metal de hoje em dia. O som é caracterizado por letras satânicas, por vocais rasgados e riffs de guitarra rápidos e pesados. As bandas mais conhecidas são: Venom, Sarcófago, Burzum, Marduk, Emperor, Gorgoroth, Hellhammer, Bathory, Immortal, Mayhem, Darkthrone.
Viking metal: é uma espécie de mistura entre Black Metal e Folk Metal, com letras sobre a história nórdica, deuses nórdicos, etc. A banda Bathory é uma das mais conhecidas.
Metal neoclássico: uma fluente mistura de Metal com música clássica, é um subgênero do heavy metal que recebeu muita influência da música clássica no estilo de cantar e de compor. Exemplos como Cacophony, Symphony X, e artistas como Jason Becker, Yngwie Malmsteen, Paul Gilbert, entre muitos outros, são pertencentes desse subgênero.
Rock industrial: faz uso de industrial (uma vertente da música eletrônica) em conjunção com o rock, mas ao contrário do new metal, praticamente não há elementos sonoros de rap. As músicas deste gênero também são consideradas experimentais, por adicionar sonoridades e distorções fora do convencional. Exemplos incluem Marilyn Manson, Nine Inch Nails, Rammstein, Fear Factory, Deathstars, Ministry, e Rob Zombie.
Metalcore: vertente do heavy metal que começou a surgir no final da década de 1990 e hoje é o estilo mais popular entre os jovens da atualidade. Mistura elementos do heavy metal em uma sonoridade mais melódica, alternando entre o uso de vocal gutural e limpos (melódicos). Algumas bandas dessa vertente As I Lay Dying, Avenged Sevenfold, All That Remains, Bullet For My Valentine, Caliban, Killswitch Engage e In This Moment.
Visual kei: movimento originado no Japão que combina diversos estilos como gótico, punk, metal, ska, pop rock etc, de uma maneira muito peculiar, apresentado usualmente sob uma imagem carregada e andrógena dos músicos. Alguns representantes são X Japan,Nightmare, Luna Sea, Glay, Buck-Tick, L'Arc~en~Ciel, Malice Mizer e Moi Dix Mois.
Pop punk: uma mistura de punk rock, pop e o ska de Less Than Jake, tem suas raízes ainda na décadade 1970, más somentes com bandas dos anos 90, com um cenário independente muito forte e com diferentes estratégias de divulgação [e que passou para o cenário mainstream. Alguns representantes desse estilo: Yellowcard, Green Day, Blink-182, Sum 41 e The Offspring
Parte 08 - Anos 2000
Com o pop em alta, o rock parecia ter perdido a força. No entanto, uma nova vertente do estilo, mais consciente sobre a relação do rock e a diversidade da música surgiu, demonstrando toda a vitalidade do ideal do "rock". Grupos com influências diversas, alguns deles eram excessivamente influenciados por outros estilos de música, havendo também aqueles que preferiam manter a crueza dos fundamentos. Tendo em comum, porém a aceitação da heterogeneidade e a exaltação da história trilhada pelo rock até então, motivo pelo qual muitas das bandas surgidas nessa época serem acusadas de apenas "requentar" fórmulas já expostas por outras bandas.
Algumas bandas viraram "queridinhos" da mídia e foram chamados de "the next big thing": The Strokes The Vines, The Hives, Yeah Yeah Yeahs, Interpol, Libertines e White Stripes, tendo, no entanto, apenas uma importância módica na cultura pop.
No outro lado da questão, algumas bandas surgiram e se estabeleceram distante de círculos hypados dos jornais de Londres e das pistas de dança modernas. Algumas delas são: Queens of the Stone Age e The Mars Volta.
Alguns estilos que surgiram ou se destacaram a partir dos anos 2000s
Indie rock: O indie rock dessa década (que se afastou completamente da proposta original de rotular bandas auto-produzidas) perdeu toda a ideia dos anos 1990 e ficou mais conhecido por serem bandas de rock alternativo se aproximando do pop, os diversos subgêneros criados com esse estilo são marcadas pelo revivalismo do pós-punk do anos 1980 só que feito de um jeito mais contemporâneo. Típicas bandas influenciadoras: Gang of Four, Blondie, Joy Division, The Cure. Alguns exemplos desse estilo: The Hives, Franz Ferdinand, Bloc Party, Kaiser Chiefs, 'The Coral, Raconteurs, She Wants Revenge, Arctic Monkeys etc. O indie rock dos anos 2000, acabou levando a muitos outros estilos, alguns até hoje não rotulados. A situação caminhou a tal ponto que é quase impossível saber o que é e o que não é indie rock.
Garage rock revival: Altamente confundido com o indie rock. O garage rock revival é um rock minimalista: poucos acordes, guitarristas distorcidas, sem "firulas". Seria uma espécie de rock de garagem só que mais moderno e mais bem elaborado. Diferente do conhecido garage rock, o garage rock revival dos anos 2000 não segue as regras do anteriores, dos anos 1960 e 80, ele só é chamado de "garage rock" por ser um rock cru. Exemplos desse estilo são: The Strokes, The White Stripes e Yeah Yeah Yeahs
Dance-punk (ou disco-punk): Pode ser considerado um tipo de indie rock, pois também tem clara influência do pós-punk. É uma mistura de ritmos e batidas dançantes com o punk e a new rave e começou em Londres. Tem, como precursores, as bandas: Death From Above 1979, The Faint, Radio 4, LCD Soundsystem, Klaxons, Shitdisco, The Rapture e tem como maior característica a mistura do punk rock, pós-punk e samples de Música Eletrônica.
Stoner Rock: um estilo com guitarras bem graves e pesadas, acordes mais lentos e com fortes influências psicodélicas. Entre bandas famosas deste estilo, estão: Queens of the Stone Age, Death From Above 1979, Wolfmother e Fu Manchu.
Love Metal: Criado em 2003, pela banda HIM, ao longo do tempo foram se classificando bandas que faziam seu "metal romântico", algumas vezes inspirado em livros do romantismo do século XIX. As bandas Negative e Lovex também podem ser classificadas no gênero.
O indie rock do novo milênio
O Strokes inaugurou a "onda indie" do novo milênio. Em apenas dois anos, o grupo saiu dos pequenos shows em bares e clubes no Lower East Side, em Nova Iorque, para o sucesso mundial. Famosos no circuito da música alternativa da cidade desde 1999, o grupo ficou internacionalmente conhecido com o álbum “Is This It” (2001), com uma sonoridade que basicamente reviveu o rock de garagem do underground norte-americano dos anos 60 e 70.
Graças à proposta musical que rompeu com as tendências do pop-rock do final do século 20 e, principalmente, por conta da atitude e da estratégia de divulgação de seus trabalhos, esses grupos foram imediatamente identificados como indies. Comum a muito deles foi a popularização de suas canções e shows por meio da Internet, basicamente através de sites de relacionamento, como o MySpace, o preferido do cenário musical jovem.
O movimento indie atingiu uma combalida indústria fonográfica, já que as novas bandas mostraram que podiam divulgar seus trabalhos e oferecer suas músicas na Internet diretamente aos apreciadores, sem a intermediação das gravadoras. Nesse processo, o lançamento e a distribuição de CDs perderam importância. As bandas indies investem mais na construção de uma comunidade de fãs que freqüentem seus shows, o que lhes dá um retorno financeiro bem superior ao obtido com o formato tradicional de venda de álbuns.
Como em outros movimentos importantes da canção pop, o fenômeno indie constituiu uma nova subcultura com suas identidades visuais e comportamentais. Além da freqüência a clubes noturnos do circuito alternativo, onde as principais atrações são justamente novas bandas, os jeans com cintura baixa, corte reto, tênis All Star e as camisetas de bandas marcam o visual dos fãs da nova música independente.
A cena musical indie que surgiu na virada do milênio não só atualizou esteticamente a produção de canções pop que surgem no underground como também inovou nas relações entre artistas e fãs. E para fazer isso usou amplamente as novas tecnologias de comunicação e seu poder de interação com o universo jovem.
Desde o final dos anos 60, a canção pop que tem sido chamada de underground, alternativa ou indie tem essencialmente buscado uma produção musical mais independente das tendências comercialmente bem-sucedidas e uma maior autonomia artística.
As tendências contemporâneas do gênero musical mais promissor da história da música.
No início da década de 2000, o estilo musical mais promissor da história parecia ter perdido sua clara força e vitalidade. Nas paradas musicais ao redor do globo, o Pop e a música eletrônica se instauraram na cena mundial abafando de forma avassaladora outros gêneros musicais, principalmente o bom e velho Rock’n Roll. Fãs ortodoxos do estilo, jovens e principalmente a mídia se perguntavam sobre quem e qual banda salvaria o Rock quando tudo parecia perdido.
A cada década o Rock sempre conseguiu dar aquela volta por cima quando o assunto era seu possível fim e nos anos 2000, com quase sessenta anos de vitalidade, isso não seria diferente. Seguindo mais uma vez de braços dados com a mídia foi em 2001 que ambos encontraram uma banda de Nova York lançando seu primeiro disco, revivendo e modernizando elementos do Rock oitentista para criar uma espécie de Rock Alternativo Contemporâneo. O The Strokes foi imediatamente aceito e aclamado pela mídia que já vinha comprometida com a missão de tentar realizar o salvamento do estilo musical que eles representavam.
A partir deste momento, pôde-se perceber a capacidade camaleônica de adaptação que este gênero apresentava para se instaurar no cenário mundial. A ajuda da mídia foi uma constante imprescindível neste processo, embora o renascimento da fênix musical tenha se dado por intermédio de uma outra grande aliada em sua história: a Internet. Uma vez que os mercados midiático e fonográfico estavam demasiadamente preocupados com a comercialização do Rock, o espaço foi timidamente sendo conquistado, principalmente pelos subgêneros deste estilo, através da rede mundial de computadores, onde já se fazia possível realizar facilmente uma divulgação e popularização nunca possível em décadas anteriores. Subgêneros que nunca fizeram parte do Mainstream, como por exemplo o Metalcore surgido em meados dos anos 90 ou os subgêneros frutos do Rock Alternativo Contemporâneo - O Rock dos anos 2000 -surgidos ao longo da década, foram rapidamente alavancados com a ajuda da rede.
O advento da Internet foi essencial para moldar o Rock da década com uma heterogeneidade ilimitada. Frente a esta ampla variedade de subgêneros, o fácil acesso às músicas 'com apenas um clique' fez com que o CD começasse a perder seu espaço quando o assunto era a aquisição das mesmas (principalmente as de origem independente) e isto consequentemente começou a implantar uma atmosfera de medo em torno das grandes gravadoras que se viam ameaçadas com a possibilidade de lucros dos selos independentes. A Internet causou uma verdadeira revolução na forma de se ouvir a música na década de 2000, garantindo popularidade a muitos artistas que nunca sequer assinaram contrato com gravadoras.
O Rock dos anos 2000, ainda que enfrentando os empecilhos musicais existentes na época, como a predominância de outros gêneros na cena musical mundial no começo da década ou da falta de um movimento baseado no mesmo (como o de Woodstock em 1969 ou o Grunge em 1991), soube mais uma vez como se impor e sobreviver na cadeia alimentar do mundo da música. A heterogeneidade alcançada pelo estilo foi imensa e expressiva e graças à indispensável motivação da Internet a divulgação de toda esta grande variação de subgêneros surgidos foi possível, inclusive daqueles desprovidos de aceitação do público em relação às bandas Mainstream. Todo este alvoroço digital contribuiu para o surgimento de uma ávida cena independente que se tornou um novo paradigma para o futuro do Rock’n Roll. Diferente do que afirmam alguns críticos embasados em justificativas equivocadas, o estilo musical mais frutífero da história da música está longe de ter morrido e vem mostrando evidências, desde 1950, que consegue se reerguer quando for preciso. A década de 2000 foi sem dúvidas um período incrível e histórico na vida do bom e velho Rock’n Roll, indiscutivelmente bom mas, ainda que velho, insiste em não bater as botas tão facilmente.
Fontes:
A História do Blues
musicamundy.blogspot.com/2009/01/historia-do-blues.html
História do Rock: dos primórdios aos anos 70 - Especial
http://whiplash.net/materias/biografias/000080.html
Em 1970 o rock, assim como os roqueiros da primeira geração, já haviam atingido sua maioridade e a inocência dos primeiros tempos era apenas passado. As grandes bandas em sua maioria estavam cercadas dos melhores equipamentos de estúdio e mesmo orquestras (bastante emblemático é o lançamento do Deep Purple, Concerto For Group And Orchestra). Um outro grande passo para a sofisticação fora também a rápida difusão dos sintetizadores (a início os Moogs e Minimoogs inventados por Robert Moog), teclados capazes de criar novas tessituras e variedades sonoras antes impraticáveis.
O fim dos Beatles foi emblemático do fim de mais uma era no rock. Haviam sido talvez a banda que mais ajudara na transição entre o rock básico de letras simples dos primeiros tempos ao rock mais complexo e sério musicalmente e liricamente. Não mais apenas diversão e produto de consumo o rock era definitivamente encarado como expressão artística e social.
O publico de rock se dividia em duas frentes, a dos adolescentes mais interessados nos hits singles de bandas teoricamente "descartáveis" e a dos já amadurecidos rockers dos primeiros tempos, em busca de experimentação, letras elaboradas, álbuns completos.
O rock progressivo começava a se apresentar ao grande público e Greg Lake, após abandonar a banda King Crimson, formava a clássica banda Emerson, Lake & Palmer (acompanhado de Keith Emerson e Carl Palmer), cativando um público cada vez mais sério. O álbum Deja Vu de Crosby, Stills, Nash & Young, é o mais vendido do ano nos estados unidos. Com a aquisição do baterista Phill Collins a banda Genesis iniciava sua careira de sucesso.
Embora o rock progressivo continuasse em expansão, bandas de musicalidade mais simples e muito baseadas no apelo fácil da rebeldia voltavam a surgir para suprir a nova geração, principalmente nos Estados Unidos, como Slade, Sweet, Gary Glitter, T Rex, ou conseguiam um sucesso tardio, como David Bowie, Bay City Rollers e Elton John. A imagem (maquiagem, cabelos, roupas exageradas e coloridas) de músicos como Marc Bolan, do T Rex, iniciavam a definição do estilo Glam Rock (que aproveitavam a imagem esdrúxula e em muitos casos andrógena como fator de marketing).
Na Inglaterra, em 1970, sem requintes musicais, o Black Sabbath gravava seu primeiro disco (conta a lenda que em apenas dois dias), auto intitulado, expandindo as fronteiras do "peso" no hard rock e criando o que possivelmente poderia ser o primeiro disco definitivamente heavy metal conhecido do grande público. O limite dos escândalos envolvendo sexo, drogas e "satanismo" também é empurrado para diante.
Munido de maquiagem e teatralidade inéditos até então Alice Cooper seria a resposta americana ao inédito peso e atitude do Black Sabbath. Surge para o público em 1971 com o hit Eighteen e o álbum Love It To Death.
A cristalização do uso da imagem, do teatro e da "atitude" como fator de marketing tão ou mais importante do que a própria música seria a banda americana Kiss (que lançou seu álbum de estreia, auto-intitulado, em 1974) cujos músicos tocavam maquiados, assumiam personalidades de demônio, animal, homem espacial e deus, voavam, cuspiam fogo, vomitavam sangue e vendiam discos, maquiagem e bonecos como nenhuma banda de simples músicos poderia vender.
Em 1975, paralelamente ao rock elaborado das bandas progressivas ou de hard rock (o Queen lançava seu excelente primeiro disco auto-intitulado) e ao rock comercial glam, surgia nos pequenos bares e casas de show dos Estados Unidos um movimento musical underground marcado por descompromisso e cheio da autenticidade e da real rebeldia que faltava a estes primeiros. Em pequenos locais (como o emblemático CBGB em New York) bandas como Blondie e Ramones. O estilo era marcado pelo "do-it-yourself", a possibilidade de qualquer um (mesmo que não sabendo tocar) montar uma banda.
Foi responsabilidade de Malcon McLaren, até então dono de uma loja de roupas de couro (de certa forma uma sex shop) em Londres, o aproveitamento do novo estilo como algo comercial. Não tendo sido bem sucedido em empresariar a banda americana New York Dolls (que já estavam em franca decadência), McLaren voltou a Londres com a finalidade de montar ele próprio uma banda usando o padrão que havia conhecido nos Estados Unidos. Entre clientes de sua loja recrutou quem tivesse os parcos conhecimentos musicais necessários para formar a banda Sex Pistols. Acrescentaram à música simples e alucinada dos punks americanos letras anarquistas e mais agressivas. Seu primeiro hit foi Anarchy In The Uk, em 1975.
O punk criado nos estados unidos e popularizado na Inglaterra (onde logo viria a se tornar um movimento social do proletariado e não mais apenas um estilo musical) foi uma resposta necessária ao rock que estava se levando a sério demais, aos álbuns duplos conceituais, aos solos de dez minutos e às bandas que perdiam de vista o caráter de diversão do rock. O punk embora considerado por muitos anti-música foi na pior das hipóteses um mal necessário para mostrar e conter alguns exageros da onda do progressivismo.
Em 1977 o primeiro disco dos Sex Pistols, Nevermind The Bollocks entraria direto no primeiro lugar da parada britânica. Aos Sex Pistols se seguiriam dezenas de bandas inglesas e americanas como Clash, Damned, Siouxie and The Banshees, além de serem resgatadas e tiradas do anonimato bandas como Ramones e Blondie.
O estilo também influiria embora indiretamente na sonoridade de novas bandas que surgiam, como Motörhead e AC/DC. O punk também absorveria elementos de outros estilos (como o reggae, por exemplo, de temática e musicalidade semelhantes em sua simplicidade). Bandas como The Police, Simple Minds e Pretenders (e um pouco mais tarde U2) adotariam um estilo que viria a ser conhecido como new wave, mais facilmente aceitável que o punk (cuja fórmula inicial já não surtia tanto efeito comercialmente).
Mas o punk e a new wave não eram a única alternativa à onda "disco" que assolava a música. Começava a se formar na Inglaterra com bandas como Judas Priest, Samsom e principalmente Iron Maiden o que viria a ser conhecido como New Wave Of British Heavy Metal, a resposta do som pesado e elaborado à sonoridade simples do punk. O hard rock também dava sinais de renovação com o primeiro álbum auto-intitulado da banda Van Halen em 1978.
Apesar do fim dos Sex Pistols em 1978 (com a fórmula tão esgotada quanto os próprios músicos após uma imensa tour pelos Estados Unidos) e da morte do anti-herói, símbolo do punk, Sid Vicious (de overdose, após conseguir liberdade condicional da prisão onde estava por ter supostamente assassinado a namorada) em 1979, o rock nunca mais seria o mesmo após a onda punk.
Parte 06 - Anos 1980
Chegam os anos 80, ainda com aquele restinho de onda punk. Mas o gosto de ressaca estava no ar. Essa geração vinha cheia de melancolia, com uma rebeldia mais triste, sombria e solitária. Nas letras, muitas vezes niilistas, um lirismo que representava muito bem o sentimento dos jovens da época. Era o pós-punk. De Liverpool, vinha o Echo and The Bunnymen, e de Manchester, o Joy Division, com toda a tristeza do vocalista Ian Curtis, que se enforca, aos 22 anos de idade. O resto da banda formaria o New Order.
Darks e góticos também eram bem representados pelo Sister of Mercy, The Mission, The Cult e Bauhaus.
Ao contrário dos góticos, outros queriam fazer música divertida e para dançar. Era a new wave chegando, com roupas coloridas, gel no cabelo e muita alegria, como o B’52 e o Talking Heads, de David Byrne.
Com certeza, três das bandas mais famosas nos anos 80 foram The Cure, The Smiths e U2. A Cure tinha aquele visual dark, só usava roupa preta, batons escuros, maquiagem e cabelos arrepiados. Era a rapaziada liderada por Robert Smith. The Smiths, considerada por muitos como a melhor banda dos 80, apostava no lirismo das letras de Morrissey e nas guitarras de Jonnhy Marr. Os irlandeses da U2 desde o começo traziam uma preocupação política nas letras como em Sunday Blood Sunday.
Glam metal
Foi ainda na década de 1980 que o rock popular se diversificou. Este período também viu uma Nova Onda do Heavy Metal Britânico ganhar popularidade com bandas como Iron Maiden e Def Leppard. A primeira metade daquela década viu Eddie Van Halen realizar inovações musicais com a guitarra, enquanto os vocalistas David Lee Roth (do Van Halen) e Freddie Mercury (do Queen, tal como havia feito durante toda a década de 1970) estiveram na linha de frente dos artistas mais performáticos. Concomitantemente, um New Wave mais pop permaneceu populares, com artistas como Billy Idol e The Go-Go's atingindo fama. No coração dos Estados Unidos, o rock popularizou nomes como Bruce Springsteen, Bob Seger, Donnie Iris, John Cougar Mellencamp e outros. Com o álbum "Reckless", Bryan Adams seguia rumo a uma bem-sucedida carreira comercial. Liderados pelo cantor folk Paul Simon e pelo antiga estrela do rock progressivo Peter Gabriel, o rock se fundiu com uma variedade de estilos de música popular ao redor do mundo. Esta fusão ganharia o nome no mundo anglo-saxão de "world music" e incluiu fusões como rock aborígine. Ainda naquela década, formas mais extremas do rock evoluíram. No início dos anos oitenta, o som áspero e agressivo do thrash metal atraiu um grande público underground. Algumas bandas como Metallica e Megadeth caminharam em direção ao sucesso comercial.
Um dos subgêneros mais populares da década de 1980 foi o glam metal. Influenciado por vários artistas do hard rock/heavy metal da década anterior, tais como Aerosmith, Queen, Kiss, Alice Cooper, Sweet e New York Dolls, a primeira leva de bandas de glam metal que ganharam notabilidade foram: Mötley Crüe, Skid Row, W.A.S.P., Ratt, Poison, Quiet Riot, além da mais conhecida delas -mas formada nos anos setenta-, Kiss. Ficaram conhecidos pelo estilo de vida excessivo, que se refletia no vestuário, na maquiagem e nos cabelos espalhafatosos. Suas canções também eram geralmente focadas na tríade sexo, bebidas e drogas.
Em 1987, surgiu uma nova geração de artistas do glam metal, entre os quais Winger, Bon Jovi, L.A. Guns, Poison e Faster Pussycat. Formado a partir da fusão de integrantes do L.A. Guns e do Hollywood Rose, os Guns N' Roses emergiram desta cena glam rumo a um grande sucesso comercial, embora eles não sejam categorizado como uma típica banda de glam metal como as demais citadas neste tópico.
Rock alternativo
As primeiras bandas de rock alternativo - R.E.M., The Feelies e Violent Femmes - combinaram suas influências punks com outras de folk music e do rock mainstream (comercial). Destas, o R.E.M. foi a de maior êxito imediato; seu álbum de estreia "Murmur", de 1983, figurou no Top 40 da Billboard e inspirou uma série de seguidores, as bandas de jangle pop. Uma das muitas cenas do jangle pop no começo dos anos oitenta foi a "Paisley Underground", em Los Angeles, que buscava inspiração em artistas da década de 1960 e incorporar a psicodelia, as ricas harmonias vocais e a interação da guitarra do folk rock, bem como de bandas que influenciaram movimentos musicais underground como o Velvet Underground.
Selos independentes estadunidenses como SST Records, Twin/Tone Records, Touch & Go Records e Dischord Records ocuparam posição de destaque na mudança do cenário underground nos EUA dominado pelo hardcore punk em direção a diversos estilos do rock alternativo que emergiriam a partir dos anos oitenta. Bandas como Hüsker Dü e The Replacements, ambas da cidade de Minneapolis, eram indicativos desta tendência. Estes dois grupos começaram como bandas de punk rock, mas logo diversificaram os seus sons e se tornaram mais melódicas, culminando nos respectivos álbuns "Zen Arcade" e "Let It Be" (ambos de 1984). Eles foram aclamados pela crítica e chamaram a atenção para o florescimento do subgênero musical. Naquele mesmo ano, a SST Records também lançou os primeiros trabalhos dos grupos Minutemen e Meat Puppets, que misturavam punk com funk e country music, respectivamente.
O R.E.M. e o Hüsker Dü foram modelos para uma grande parte dos artistas alternativos dos anos oitenta, de forma que conseguiriam aproximar suas carreiras. Na segunda metade daquela década, a cena alternativa e as rádios universitárias norte-americanas eranm dominadas pelas chamadas bandas college rock, como The Pixies, They Might Be Giants, Camper Van Beethoven, Dinosaur Jr e Throwing Muses - bem como por sobreviventes do post-punk britânico. Outro estilo ascendente dentro do rock alternativo foi o noise rock das bandas Sonic Youth, Big Black, Butthole Surfers, entre outras. No final daquela década, um número crescente de grupos alternativos assinavam contratos com grandes gravadoras. Enquanto no início grandes gravadoras que assinaram com o Hüsker Dü e os Replacements obtiveram pouco sucesso, outros artistas que seguiram o mesmo caminho e também assinaram com grandes selos, como os casos do R.E.M. do Jane's Addiction, alcançaram grandes vendagens de discos que conduziram anos depois em uma ruptura com o alternativo. Algumas bandas como os Pixies tiveram um grande sucesso no exterior, enquanto eram ignorados em nível local. No início da década de 1990, a indústria fonográfica foi alvoroçado sobre possibilidades de comercialização do rock alternativo e ativamente incitou grupos alternativos como o Dinosaur Jr, Firehouse, Pearl jam e Nirvana.
A década também é marcada pelo surgimento do neopsicodelismo, onde os ideais de paz e amor são retomadas, mas sem a ingenuidade dos anos 1960. Exemplo de bandas: U2 (oriundo do movimento pós-punk do início da década de 1980), R.E.M., Smashing Pumpkins, Cake, entre outros.
Parte 07 - Anos 1990
Na Califórnia, os rapazes do Red Hot Chilli Pepers começam a estourar em 89, com um som pesado, às vezes misturado com hip hop. Mas o grande movimento da década vinha de Seattle. Garotos que não estavam nem aí para o visual, vestiam jeans rasgado, camisas de flanela quadriculada e faziam um som alternativo, em pequenos clubes e bares da cidade. O que parecia um movimento underground isolado, em pouco tempo, vira o mainstream, quando a pequena gravadora subpop lança, em 89, o primeiro disco de uns garotos que estavam começando. O disco era Bleach, e os garotos eram o Nirvana. Em menos de dois anos, a banda liderada por Kurt Cobain sai de Seattle para o mundo e, em 91, lançam o álbum mais importante da década: Nervermind. O grunge explode e vira moda e atitude para milhões de adolescentes. O movimento ainda tinha Pearl Jam, Mudhoney, Soundgarten e Alice in Chains, todas de Seattle. Pronto, a geração de 90 já tinha o seu som garantido e também o seu ídolo: Kurt Cobain. O casamento com Courtney Love, para muitos, fazia lembrar a história de Sid Vicious and Nany Spungen. O amor era grande, e as brigas, também. As drogas tornam-se cada vez mais constantes. Seguindo o destino trágico da família (dois de seus tios se mataram), o ídolo de milhões de jovens suicida-se aos 27 anos com um tiro de espingarda. Era o fim do grunge.
O feminismo também passa pelo rock in roll, com as Riot Grrrrrl, garotas que empunham guitarras e soltam o verbo no palco, com um som pauleira mesmo, punk rock. Bons exemplos desse estilo são Bikini Kill, o Hole de Cortney Love, Sleater-Kinney e L7.
A década de 90 também abriga o britpop, que vem da Inglaterra e abarca grupos bastante distintos, como o polêmico Oasis, dos irmãos Galangher, o Blur, de Dalman Albarn, o cultuado Radiohead, de Tom York, o Pulp, de Jarvis Cocker, e o Suede.
A década de 1990 foi marcada ainda pela explosão do surgimento de vários novos estilos do rock ou pela consolidação daqueles cujos primeiros passos foram dados na década passada. Abaixo, um resumo de todos eles.
Grunge: foi um estilo de música voltado para sons pesados e distorcidos, mas sem ser metal. A principal banda desse estilo era o Nirvana, que tinha um som voltado para o alternativo. Bandas como Soundgarden e Alice in Chains tinham um estilo mais inspirado no metal e no hard rock, Pearl Jam puxava mais para o lado do hard rock, rock clássico e rock alternativo. Outras bandas como Stone Temple Pilots, chegaram no mainstream depois da consolidação do movimento Grunge. Muitas dessas bandas atingiram o 1º lugar nas paradas no mundo todo e até hoje vê-se influências desse movimento em bandas como Nickelback, Everclear e Seether.
Britpop: algumas bandas inglesas, que por possuírem uma estética similar, embora sem representar um movimento unitário, costumam ser denominadas britpop. Entram nesta denominação grupos pop como Blur e Oasis assim como grupos menos comerciais como Pulp, Suede, The Stone Roses e Supergrass.
Riot grrrl: a grosso modo, uma versão feminista de punk rock e hardcore, com letras que deixam transparecer o ativismo pela causa feminista. As suas representantes incluem L7, Bikini Kill, Sleater-Kinney, Babes in Toyland e Bratmobile.
Metal progressivo: aliando o peso do heavy metal à psicodelia do rock progressivo, algumas bandas deste estilo fazem dos seus membros referências para os entusiastas do heavy metal e, em alguns casos, do rock de uma forma geral. O exemplo mais proeminente é o Dream Theater, cujos integrantes são cultuados por seu talento (como o guitarrista John Petrucci, o tecladista Jordan Rudess e o baterista Mike Mangini). Outros exemplos de bandas neste estilo incluem, Shadow Gallery, Evergrey, Symphony X, Queensryche e Vanden Plas.
Metal alternativo: é uma forma eclética de heavy metal. Algumas bandas surgidas, com esse estilo, são: Faith No More, Alice In Chains, Living Colour, Deftones, Tool, Godsmack, Evanescence, System of a Down e Three Days Grace.
Indie rock: bandas de garagem que participam do circuito "independente", fora do mainstream, como: Radiohead, Pixies, Dinosaur Jr., The Strokes,The Libertines, White Stripes, Coldplay, Arctic Monkeys, Travis, Belle & Sebastian e Communiquè (banda de São Francisco), além de algumas bandas britpop.
Post rock: estilo de rock oriundo do início dos anos 1990, quando algumas bandas iniciaram uma ousada proposta de unir elementos do rock alternativo com o rock progressivo. Slint foi considerada a banda precursora do estilo, seguido também por Coheed and Cambria.
Nu metal: também conhecido como new metal ou nu-metal, é caracterizado por bandas que misturam outros estilos musicais nas suas composições, notadamente rap ou música eletrônica. Por causa disso, é ignorado pelos entusiastas puristas de heavy metal. Bandas deste estilo incluem Slipknot, Korn, Limp Bizkit, P.O.D., Otep, Linkin Park e Papa Roach. Alguns atribuem a origem do estilo ao Faith No More, enquanto outros remetem à sonoridade adoptada pelo Pantera a partir do seu quinto disco, Cowboys From Hell.
Death metal: tendo suas origens na metade da década de 1980 com bandas como Mantas (futuro Death) e Celtic Frost ficou conhecido como estilo musical dentro do heavy metal no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990. O death metal é um estilo musical extremo que aborda desde satanismo, cristianismo, guerras e até assassinatos, suicídios e carnificinas. O death metal tem muitas outras vertentes dentro de si, como thrash death metal, tech death metal, splatter death metal, death metal melódico, brutal death metal, death metal cristão etc. O som é caracterizado por riffs pesados e distorcidos, bateria agressiva e por vocais guturais. Bandas desse estilo incluem Morbid Angel, Cannibal Corpse, Death, Obituary, Deicide, Cryptopsy, Nile, Benediction, Krisiun, Dismember, Entombed, In Flames, Soilwork, Darkest Hour e Children of Bodom.
Black metal: é a vertente mais extrema e obscura dentro do heavy metal, surgiu no começo dos anos 1980 com bandas como Venom e Mercyful Fate mas que tinha uma sonoridade bem mais parecida com o heavy metal tradicional e nada parecido com o black metal de hoje em dia. O som é caracterizado por letras satânicas, por vocais rasgados e riffs de guitarra rápidos e pesados. As bandas mais conhecidas são: Venom, Sarcófago, Burzum, Marduk, Emperor, Gorgoroth, Hellhammer, Bathory, Immortal, Mayhem, Darkthrone.
Viking metal: é uma espécie de mistura entre Black Metal e Folk Metal, com letras sobre a história nórdica, deuses nórdicos, etc. A banda Bathory é uma das mais conhecidas.
Metal neoclássico: uma fluente mistura de Metal com música clássica, é um subgênero do heavy metal que recebeu muita influência da música clássica no estilo de cantar e de compor. Exemplos como Cacophony, Symphony X, e artistas como Jason Becker, Yngwie Malmsteen, Paul Gilbert, entre muitos outros, são pertencentes desse subgênero.
Rock industrial: faz uso de industrial (uma vertente da música eletrônica) em conjunção com o rock, mas ao contrário do new metal, praticamente não há elementos sonoros de rap. As músicas deste gênero também são consideradas experimentais, por adicionar sonoridades e distorções fora do convencional. Exemplos incluem Marilyn Manson, Nine Inch Nails, Rammstein, Fear Factory, Deathstars, Ministry, e Rob Zombie.
Metalcore: vertente do heavy metal que começou a surgir no final da década de 1990 e hoje é o estilo mais popular entre os jovens da atualidade. Mistura elementos do heavy metal em uma sonoridade mais melódica, alternando entre o uso de vocal gutural e limpos (melódicos). Algumas bandas dessa vertente As I Lay Dying, Avenged Sevenfold, All That Remains, Bullet For My Valentine, Caliban, Killswitch Engage e In This Moment.
Visual kei: movimento originado no Japão que combina diversos estilos como gótico, punk, metal, ska, pop rock etc, de uma maneira muito peculiar, apresentado usualmente sob uma imagem carregada e andrógena dos músicos. Alguns representantes são X Japan,Nightmare, Luna Sea, Glay, Buck-Tick, L'Arc~en~Ciel, Malice Mizer e Moi Dix Mois.
Pop punk: uma mistura de punk rock, pop e o ska de Less Than Jake, tem suas raízes ainda na décadade 1970, más somentes com bandas dos anos 90, com um cenário independente muito forte e com diferentes estratégias de divulgação [e que passou para o cenário mainstream. Alguns representantes desse estilo: Yellowcard, Green Day, Blink-182, Sum 41 e The Offspring
Parte 08 - Anos 2000
Com o pop em alta, o rock parecia ter perdido a força. No entanto, uma nova vertente do estilo, mais consciente sobre a relação do rock e a diversidade da música surgiu, demonstrando toda a vitalidade do ideal do "rock". Grupos com influências diversas, alguns deles eram excessivamente influenciados por outros estilos de música, havendo também aqueles que preferiam manter a crueza dos fundamentos. Tendo em comum, porém a aceitação da heterogeneidade e a exaltação da história trilhada pelo rock até então, motivo pelo qual muitas das bandas surgidas nessa época serem acusadas de apenas "requentar" fórmulas já expostas por outras bandas.
Algumas bandas viraram "queridinhos" da mídia e foram chamados de "the next big thing": The Strokes The Vines, The Hives, Yeah Yeah Yeahs, Interpol, Libertines e White Stripes, tendo, no entanto, apenas uma importância módica na cultura pop.
No outro lado da questão, algumas bandas surgiram e se estabeleceram distante de círculos hypados dos jornais de Londres e das pistas de dança modernas. Algumas delas são: Queens of the Stone Age e The Mars Volta.
Alguns estilos que surgiram ou se destacaram a partir dos anos 2000s
Indie rock: O indie rock dessa década (que se afastou completamente da proposta original de rotular bandas auto-produzidas) perdeu toda a ideia dos anos 1990 e ficou mais conhecido por serem bandas de rock alternativo se aproximando do pop, os diversos subgêneros criados com esse estilo são marcadas pelo revivalismo do pós-punk do anos 1980 só que feito de um jeito mais contemporâneo. Típicas bandas influenciadoras: Gang of Four, Blondie, Joy Division, The Cure. Alguns exemplos desse estilo: The Hives, Franz Ferdinand, Bloc Party, Kaiser Chiefs, 'The Coral, Raconteurs, She Wants Revenge, Arctic Monkeys etc. O indie rock dos anos 2000, acabou levando a muitos outros estilos, alguns até hoje não rotulados. A situação caminhou a tal ponto que é quase impossível saber o que é e o que não é indie rock.
Garage rock revival: Altamente confundido com o indie rock. O garage rock revival é um rock minimalista: poucos acordes, guitarristas distorcidas, sem "firulas". Seria uma espécie de rock de garagem só que mais moderno e mais bem elaborado. Diferente do conhecido garage rock, o garage rock revival dos anos 2000 não segue as regras do anteriores, dos anos 1960 e 80, ele só é chamado de "garage rock" por ser um rock cru. Exemplos desse estilo são: The Strokes, The White Stripes e Yeah Yeah Yeahs
Dance-punk (ou disco-punk): Pode ser considerado um tipo de indie rock, pois também tem clara influência do pós-punk. É uma mistura de ritmos e batidas dançantes com o punk e a new rave e começou em Londres. Tem, como precursores, as bandas: Death From Above 1979, The Faint, Radio 4, LCD Soundsystem, Klaxons, Shitdisco, The Rapture e tem como maior característica a mistura do punk rock, pós-punk e samples de Música Eletrônica.
Stoner Rock: um estilo com guitarras bem graves e pesadas, acordes mais lentos e com fortes influências psicodélicas. Entre bandas famosas deste estilo, estão: Queens of the Stone Age, Death From Above 1979, Wolfmother e Fu Manchu.
Love Metal: Criado em 2003, pela banda HIM, ao longo do tempo foram se classificando bandas que faziam seu "metal romântico", algumas vezes inspirado em livros do romantismo do século XIX. As bandas Negative e Lovex também podem ser classificadas no gênero.
O indie rock do novo milênio
O Strokes inaugurou a "onda indie" do novo milênio. Em apenas dois anos, o grupo saiu dos pequenos shows em bares e clubes no Lower East Side, em Nova Iorque, para o sucesso mundial. Famosos no circuito da música alternativa da cidade desde 1999, o grupo ficou internacionalmente conhecido com o álbum “Is This It” (2001), com uma sonoridade que basicamente reviveu o rock de garagem do underground norte-americano dos anos 60 e 70.
![]() |
| The Strokes |
![]() |
| O grupo Kaiser Chiefs, um dos destaques da cena indie dos anos 2000 |
O sucesso dos Strokes chamou a atenção para uma leva de jovens grupos, principalmente norte-americanos
e britânicos, que propagavam uma revitalização do rock. Suas influências vinham do rock de garagem, de Iggy Pop e Stooges e MC5, e também dos sons do pós-punk dos anos 80, de Joy Division, The Cure, The Simths e Talking Heads. Destacaram-se nesse cenário da música alternativa do começo do novo milênio bandas como Franz Ferdinand, Interpol, Kaiser Chiefs, The Killers, The Hives, Arctic Monkeys, The Klaxons, The Rapture e a brasileira Cansei de Ser Sexy.
![]() |
| O grupo Franz Ferdinand em estúdio |
Graças à proposta musical que rompeu com as tendências do pop-rock do final do século 20 e, principalmente, por conta da atitude e da estratégia de divulgação de seus trabalhos, esses grupos foram imediatamente identificados como indies. Comum a muito deles foi a popularização de suas canções e shows por meio da Internet, basicamente através de sites de relacionamento, como o MySpace, o preferido do cenário musical jovem.
O movimento indie atingiu uma combalida indústria fonográfica, já que as novas bandas mostraram que podiam divulgar seus trabalhos e oferecer suas músicas na Internet diretamente aos apreciadores, sem a intermediação das gravadoras. Nesse processo, o lançamento e a distribuição de CDs perderam importância. As bandas indies investem mais na construção de uma comunidade de fãs que freqüentem seus shows, o que lhes dá um retorno financeiro bem superior ao obtido com o formato tradicional de venda de álbuns.
![]() |
| Arctic Monkeys |
Como em outros movimentos importantes da canção pop, o fenômeno indie constituiu uma nova subcultura com suas identidades visuais e comportamentais. Além da freqüência a clubes noturnos do circuito alternativo, onde as principais atrações são justamente novas bandas, os jeans com cintura baixa, corte reto, tênis All Star e as camisetas de bandas marcam o visual dos fãs da nova música independente.
![]() |
| Arcade Fire lançou o álbum "Funeral" em 2004 , um clássico da música indie |
A cena musical indie que surgiu na virada do milênio não só atualizou esteticamente a produção de canções pop que surgem no underground como também inovou nas relações entre artistas e fãs. E para fazer isso usou amplamente as novas tecnologias de comunicação e seu poder de interação com o universo jovem.
Desde o final dos anos 60, a canção pop que tem sido chamada de underground, alternativa ou indie tem essencialmente buscado uma produção musical mais independente das tendências comercialmente bem-sucedidas e uma maior autonomia artística.
As tendências contemporâneas do gênero musical mais promissor da história da música.
No início da década de 2000, o estilo musical mais promissor da história parecia ter perdido sua clara força e vitalidade. Nas paradas musicais ao redor do globo, o Pop e a música eletrônica se instauraram na cena mundial abafando de forma avassaladora outros gêneros musicais, principalmente o bom e velho Rock’n Roll. Fãs ortodoxos do estilo, jovens e principalmente a mídia se perguntavam sobre quem e qual banda salvaria o Rock quando tudo parecia perdido.
A cada década o Rock sempre conseguiu dar aquela volta por cima quando o assunto era seu possível fim e nos anos 2000, com quase sessenta anos de vitalidade, isso não seria diferente. Seguindo mais uma vez de braços dados com a mídia foi em 2001 que ambos encontraram uma banda de Nova York lançando seu primeiro disco, revivendo e modernizando elementos do Rock oitentista para criar uma espécie de Rock Alternativo Contemporâneo. O The Strokes foi imediatamente aceito e aclamado pela mídia que já vinha comprometida com a missão de tentar realizar o salvamento do estilo musical que eles representavam.
A partir deste momento, pôde-se perceber a capacidade camaleônica de adaptação que este gênero apresentava para se instaurar no cenário mundial. A ajuda da mídia foi uma constante imprescindível neste processo, embora o renascimento da fênix musical tenha se dado por intermédio de uma outra grande aliada em sua história: a Internet. Uma vez que os mercados midiático e fonográfico estavam demasiadamente preocupados com a comercialização do Rock, o espaço foi timidamente sendo conquistado, principalmente pelos subgêneros deste estilo, através da rede mundial de computadores, onde já se fazia possível realizar facilmente uma divulgação e popularização nunca possível em décadas anteriores. Subgêneros que nunca fizeram parte do Mainstream, como por exemplo o Metalcore surgido em meados dos anos 90 ou os subgêneros frutos do Rock Alternativo Contemporâneo - O Rock dos anos 2000 -surgidos ao longo da década, foram rapidamente alavancados com a ajuda da rede.
O advento da Internet foi essencial para moldar o Rock da década com uma heterogeneidade ilimitada. Frente a esta ampla variedade de subgêneros, o fácil acesso às músicas 'com apenas um clique' fez com que o CD começasse a perder seu espaço quando o assunto era a aquisição das mesmas (principalmente as de origem independente) e isto consequentemente começou a implantar uma atmosfera de medo em torno das grandes gravadoras que se viam ameaçadas com a possibilidade de lucros dos selos independentes. A Internet causou uma verdadeira revolução na forma de se ouvir a música na década de 2000, garantindo popularidade a muitos artistas que nunca sequer assinaram contrato com gravadoras.
O Rock dos anos 2000, ainda que enfrentando os empecilhos musicais existentes na época, como a predominância de outros gêneros na cena musical mundial no começo da década ou da falta de um movimento baseado no mesmo (como o de Woodstock em 1969 ou o Grunge em 1991), soube mais uma vez como se impor e sobreviver na cadeia alimentar do mundo da música. A heterogeneidade alcançada pelo estilo foi imensa e expressiva e graças à indispensável motivação da Internet a divulgação de toda esta grande variação de subgêneros surgidos foi possível, inclusive daqueles desprovidos de aceitação do público em relação às bandas Mainstream. Todo este alvoroço digital contribuiu para o surgimento de uma ávida cena independente que se tornou um novo paradigma para o futuro do Rock’n Roll. Diferente do que afirmam alguns críticos embasados em justificativas equivocadas, o estilo musical mais frutífero da história da música está longe de ter morrido e vem mostrando evidências, desde 1950, que consegue se reerguer quando for preciso. A década de 2000 foi sem dúvidas um período incrível e histórico na vida do bom e velho Rock’n Roll, indiscutivelmente bom mas, ainda que velho, insiste em não bater as botas tão facilmente.
Fontes:
A História do Blues
musicamundy.blogspot.com/2009/01/historia-do-blues.html
História do Rock: dos primórdios aos anos 70 - Especial
http://whiplash.net/materias/biografias/000080.html
A HISTÓRIA DO ROCK IN ROLL
http://www.paralerepensar.com.br/historia_do_rock.htm
Rock
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rock
O indie rock do novo milênio
http://lazer.hsw.uol.com.br/indie4.htm
As tendências contemporâneas do gênero musical mais promissor da história da música.
http://matheuskcp.blogspot.com.br/2010/05/o-rock-dos-anos-2000.html
http://www.paralerepensar.com.br/historia_do_rock.htm
Rock
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rock
O indie rock do novo milênio
http://lazer.hsw.uol.com.br/indie4.htm
As tendências contemporâneas do gênero musical mais promissor da história da música.
http://matheuskcp.blogspot.com.br/2010/05/o-rock-dos-anos-2000.html









+3.jpg)




















.jpg)









Caesar CPO
0 comentários:
Postar um comentário