Artista: Bob Dylan
Nasceu: 24/05/1941, Duluth, MN, United States
Atualmente: Malibu, CA, United States
Gravadora: Columbia
Produção: Tom Wilson
Lançamento: 22/03/1965
Generos: Folk Rock, Contemporary Folk, Singer/Songwriter
Electric Blues
(Licença: Spotify)
Título - Duração
Compositor [Performance]
A1 Subterranean Homesick Blues 2:17 (332)
Bob Dylan [Bob Dylan]
A2 She Belongs to Me 2:48
Bob Dylan [Bob Dylan]
A3 Maggie's Farm 3:51
Bob Dylan [Bob Dylan]
A4 Love Minus Zero/No Limit 2:47
Bob Dylan [Bob Dylan]
A5 Outlaw Blues 3:00
Bob Dylan [Bob Dylan]
A6 On the Road Again 2:30
Bob Dylan [Bob Dylan]
A7 Bob Dylan's 115th Dream 6:29
Bob Dylan [Bob Dylan]
B1 Mr. Tambourine Man 5:25 (106)
Bob Dylan [Bob Dylan]
B2 Gates of Eden 5:42
Bob Dylan [Bob Dylan]
B3 It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding) 7:30
Bob Dylan [Bob Dylan]
B4 It's All Over Now, Baby Blue 4:13
Bob Dylan [Bob Dylan]
Bringing It All Back Home é quinto álbum de estúdio do cantor e compositor Bob Dylan, lançado em março de 1965 pela Columbia Records. O álbum é dividido em um lado elétrico e outro acústico. Em um lado do LP original, Dylan é apoiado por uma banda de elétro rock and roll - um movimento que o afastou de alguns de seus antigos parceiros, na cena folclórica da comunidade. Da mesma forma, o segundo lado, a parte acústica do álbum, o distanciou da canção de protesto com a qual ele se identificava (tais como "Blowin 'in the Wind"e "A Hard Rain's a-Gonna Fall").
O ano de 1965 foi o ano da virada na carreira de Bob Dylan. Primeiro, por lançar dois álbuns monumentais em um curto espaço de tempo entre cada um. E, o segundo motivo, foi a adoção da guitarra elétrica em sua música, abandonando um pouco o seu lado folk, o que lhe causou a famosa vaia no Festival de Newport, quando foi xingado e acusado de traidor (e isso bem antes dos punks...). Dylan queria voltar às suas origens, tocando o rock que havia o seduzido quando menino e, de quebra, atingir um público maior. E, se isso não fosse suficiente, 1965 foi o ano em que ele lançou algumas canções "razoáveis": "Mr. Tambourine Man", "It's All Over Now, Baby Blue", "Maggie's Farm", "Like A Rolling Stone", "Ballad Of A Thin Man"...
Bob Dylan não estava satisfeito com o caminho de sua carreira. Apesar de lançar dois birlhantes discos no ano de 1964 - The Times They Are A-Changin' e Another Side of Bob Dylan - o cantor e compositor queria mudar sua postura, embora soubesse que seus fãs iriam chiar.
Dylan estava impressionado com o sucesso das bandas britânicas na América, especialmente dos Beatles. Para amigos, Dylan confessava que queria fundir seu folk com guitarras elétricas, baixo elétrico e bateria. "Minhas primeiras influências foram Elvis Presley e Hank Williams. Eu não estaria aqui sem eles. Eu sempre tive uma veia roqueira."
Dessa maneira, o artista resolveu dar um passo gigantesco e arriscado, eletrificando seu som.
Assim, em janeiro de 1965, Bob entrou em estúdio com uma banda formada pelos seguintes músicos: Al Gorgone, John Hammond, Jr., Bruce Langhorne e Kenneth Rankin (guitarras); Paul Griffin, Frank Owens (piano); William E. Lee, Joseph Macho, Jr. e John Sebastian (baixo) e Bobby Gregg (bateria).
O próprio Dylan tocaria guitarra acústica e harmônica. Na produção, mais uma vez estaria o experiente Tom Wilson.
Gravado rapidamente, Bringing It All Back Home marca uma espetacular virada em sua carreira. Muitos consideram seu melhor trabalho até hoje, não apenas pelas músicas, mas também pela evolução como letrista.
O primeiro ponto a se destacar é o título do álbum: "Trazendo tudo de volta para casa" fazia uma referência que o rock havia nascido na América, nos anos 50, e não com as bandas britânicas que invadiam a América. Dylan tentava, dessa maneira, fazer um resgate não apenas do rock, mas também de si mesmo.
A capa trazia várias referências: no colo do cantor havia um gato batizado de Rolling Stone; atrás apareciam capas de discos de Robert Johnson, Lenya, Von Schmidt e The Impressions; à sua frente uma capa da revista Time; dentro da lareira o seu disco Another Side Of Bob Dylan. A morena que aparece logo atrás dele era Sally Grossman, esposa de Albert Grossman, empresário do cantor.
No disco ainda conta com algumas fotos, tais como o cantor tocando com Joan Baz, uma foto do cantor Peter Yarrow- do trio Peter, Paul & Mary -, além da presença do poeta beat Allen Ginsberg.
O LP traz dois momentos distintos: o lado A era essencialmente elétrico mostrando seu futuro e o lado B, acústico retratatando seu passado.
Bringing It All Back Home abria com "Subterranean Homesick Blues", que seria o primeiro compacto do disco. A canção já dava mostras do novo som do cantor, cheio de guitarras influencidas por Chuck Berry, com uma letra bem sarcástica.
Uma curiosidade dessa canção é a presença do poeta Allen Ginsberg no vídeo promocional. Dylan fica em pé, com cartazes na mão contendo trechos da letra que ele vai descartando enquanto a música é tocada. Ela alcançou apenas a 39ª posição nas paradas.
Dylan possuía uma profunda admiração pelo escritor: "Ginsberg é um dos dois santos que eu conheço pessoalmente. Ele é o único escritor que eu respeito. Gosto de outros, mas não tenho o mesmo respeito que tenho por Allen.
Ele tem uma grande qualidade: ele não é poeta apenas no papel. Eu não me considero um poeta da mesma maneira que não me considero um cantor que faz música de protesto. Mas Allen é um poeta verdadeiro. Ele chegou a musicar seus poemas."
Outro destaque do disco é "Maggie's Farm". Em 1961 Dylan cantava "Hard Times in the Country", em que narrava a exploração de um fazendeiro sobre seus empregados. Dylan também gostava muito da canção "Penny Farm", gravada pelo lendário músico Pete Seeger, em 1950.
Dessas duas, nasceu "Maggie's Farm", em que o cantor canta que não trabalhará mais na fazenda de Maggie. Essa canção fez um enorme sucesso na Inglaterra, em 1978, quando a conservadora Margaret Thatcher subiu ao poder. A canção acabou dando nome a uma história em quadrinhos da revista inglesa Time Out.
"Love Minus Zero/No Limit" pode ser considerado uma anti-canção de amor, com Dylan usando uma metáfora de uma mulher isolada no mundo, mas que tenta evitar todas as armadilhas comuns em um relacionamento amoroso.
"On The Road Again" é uma sucessão de imagens grotescas, absurdas que tanto fascinavam o cantor nessa época. "Bob Dylan's 115th Dream" tem como grande curiosidade um ataque de risos do cantor logo no início da música. Dylan quebra a tensão da gravação rindo e depois a canta de um fôlego só. É com ela que o lado A é fechada.
O lado B, totalmente acústico, é o que traz os grandes momentos do disco. São apenas quatro canções, todas clássicas. Abre com "Mr. Tambourine Man", emblemática música que tenta narra a busca da transcedência de um artista.
Nessa letra Dylan fala de todas as angústias de um ser humano. Há quem enxergue nela uma apologia às drogas já que "Tambourine Man" poderia ser um curandeiro e que essa transcedência que Dylan tanto busca venha através das drogas ilícitas., tese refutada pelo cantor: "as drogas nunca fizeram parte da canção. Parte da magia da canção vem dos "tambourine men" que encontrei pela vida. O mais impressionante é que essa intricada letra foi escrita quando o cantor tinha apenas 23 anos.
A segunda canção do lado B é "Gates Of Eden", uma canção sobre a salvação espiritual. A música teve como inspiração o poeta William Blake, que escreveu um texto chamado The Keys Of The Gates, que por sua vez tinha sido inspirado em The Gates of Paradise.
Dylan joga com a ambiguidade mais uma vez e até hoje se discute se o cantor fala do Eden de uma maneira positiva ou negativa ou se é apenas uma representação de uma busca interior.
"It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)" pega o título emprestado da canção de Arthur "Big Boy" Crudup "That's All Right, Mama", primeiro compacto de Elvis Presley, fato confirmado pelo cantor. Nela, Dylan tenta destruir todos os mitos da sociedade atual e fala das mazelas e traz uma das mais famosas frases de sua autoria "he not busy being born, is busy dying" (ele não está ocupado em nascer e sim em morrer). É uma canção que contesta a condição humana e alerta para a revolução sexual que viria a seguir. Um pesadelo em forma de letra.
O disco fecha com a não menos clássica "It's All Over Now, Baby Blue", que funciona como um adeus em diversos níveis. Nela Dylan aborda Carl Jung e o fenômeno da sincronicidade, dá seu adeus à esquerda, às ilusões amorosas e às ilusões plantadas na juventude.
"A estrada é para os jogadores e é melhor usar seu bom senso", avisa o cantor logo no início da segunda estrofe. A melodia triste e lenta soa exatamente como um adeus, uma metáfora também ao velho estilo Dylan de cantar.
Lançado em março de 1965, Bringing It All Back Home foi um tremendo sucesso, apesar de confundir a crítica. Equanto alguns o criticaram por ter aderido à guitarra elétrica, outros elogiavam a sua nova postura e consideravam o disco uma obra-prima.
Mas Dylan começou a enfrentar problemas e ser acusado de ter traído a música folk e apostando numa fórmula mais comercial, indo de encontro ao rock. Essas acusações o perseguiriam por todo ano de 1965.
Ironicamente, Dylan encontraria paz e respeito em sua excursão pela Inglaterra entre os meses de abril e junho, tendo na platéia os Beatles e os Rolling Stones. Dylan havia virado uma estrela ainda maior após os Beatles falarem como o cantor havia influenciado o quarteto.
Foi nessa excursão que começaram as filmagens do documentário Don't Look Back, que seria lançado comercialmente em 1967 e foi dirigido por D. A. Pennebaker. De uma hora para outra, Dylan foi colocado no altar do mundo pop, deixando de ser apenas um cantor folk favorito dos universitários e foi alçado a condição de mito. Uma posição que o incomodou: "eu não me vejo com uma estrela e por isso não quero passar a imagem que sou isso. Eu prefiro me comportar da mesma maneira do início de minha carreira, quando eu era um desconhecido."
A CBS aproveitou para faturar em cima da fama do cantor e lançou ainda em junho um compacto com as canções "Maggie's Farm" e "On The Road Again" e viu o catálogo de Dylan vender como nunca, com quatro discos do cantor entre os 20 mais vendidos, enquanto Bringing It All Back Home ocupava o primeiro lugar naquele país.
Em 2003, a Revista Rolling Stone listou as músicas "Mr. Tambourine Man" e "Subterranean Homesick Blues" nas posições 106ª e 332ª, respectivamente, em sua lista das maiores canções de todos os tempos (500 Greatest Songs of All Time).
O álbum alcançou a posição # 6 na Billboard 's Pop Albums, o primeiro dos LPs de Dylan de entrar no top 10 EUA e também chegou ao topo das paradas britânicas. A faixa "Subterranean Homesick Blues", atingiu a posição # 39 nos Estados Unidos.
Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame e é mencionado no livro de referência musical "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer", lançado em 2007.
Em 2003 a revista Rolling Stone classificou este álbum na 31ª posição em sua lista dos 500 melhores álbuns de sempre.
O ano de 1965 foi o ano da virada na carreira de Bob Dylan. Primeiro, por lançar dois álbuns monumentais em um curto espaço de tempo entre cada um. E, o segundo motivo, foi a adoção da guitarra elétrica em sua música, abandonando um pouco o seu lado folk, o que lhe causou a famosa vaia no Festival de Newport, quando foi xingado e acusado de traidor (e isso bem antes dos punks...). Dylan queria voltar às suas origens, tocando o rock que havia o seduzido quando menino e, de quebra, atingir um público maior. E, se isso não fosse suficiente, 1965 foi o ano em que ele lançou algumas canções "razoáveis": "Mr. Tambourine Man", "It's All Over Now, Baby Blue", "Maggie's Farm", "Like A Rolling Stone", "Ballad Of A Thin Man"...
Bob Dylan não estava satisfeito com o caminho de sua carreira. Apesar de lançar dois birlhantes discos no ano de 1964 - The Times They Are A-Changin' e Another Side of Bob Dylan - o cantor e compositor queria mudar sua postura, embora soubesse que seus fãs iriam chiar.
Dylan estava impressionado com o sucesso das bandas britânicas na América, especialmente dos Beatles. Para amigos, Dylan confessava que queria fundir seu folk com guitarras elétricas, baixo elétrico e bateria. "Minhas primeiras influências foram Elvis Presley e Hank Williams. Eu não estaria aqui sem eles. Eu sempre tive uma veia roqueira."
Dessa maneira, o artista resolveu dar um passo gigantesco e arriscado, eletrificando seu som.
Assim, em janeiro de 1965, Bob entrou em estúdio com uma banda formada pelos seguintes músicos: Al Gorgone, John Hammond, Jr., Bruce Langhorne e Kenneth Rankin (guitarras); Paul Griffin, Frank Owens (piano); William E. Lee, Joseph Macho, Jr. e John Sebastian (baixo) e Bobby Gregg (bateria).
O próprio Dylan tocaria guitarra acústica e harmônica. Na produção, mais uma vez estaria o experiente Tom Wilson.
Gravado rapidamente, Bringing It All Back Home marca uma espetacular virada em sua carreira. Muitos consideram seu melhor trabalho até hoje, não apenas pelas músicas, mas também pela evolução como letrista.
O primeiro ponto a se destacar é o título do álbum: "Trazendo tudo de volta para casa" fazia uma referência que o rock havia nascido na América, nos anos 50, e não com as bandas britânicas que invadiam a América. Dylan tentava, dessa maneira, fazer um resgate não apenas do rock, mas também de si mesmo.
A capa trazia várias referências: no colo do cantor havia um gato batizado de Rolling Stone; atrás apareciam capas de discos de Robert Johnson, Lenya, Von Schmidt e The Impressions; à sua frente uma capa da revista Time; dentro da lareira o seu disco Another Side Of Bob Dylan. A morena que aparece logo atrás dele era Sally Grossman, esposa de Albert Grossman, empresário do cantor.
No disco ainda conta com algumas fotos, tais como o cantor tocando com Joan Baz, uma foto do cantor Peter Yarrow- do trio Peter, Paul & Mary -, além da presença do poeta beat Allen Ginsberg.
O LP traz dois momentos distintos: o lado A era essencialmente elétrico mostrando seu futuro e o lado B, acústico retratatando seu passado.
Bringing It All Back Home abria com "Subterranean Homesick Blues", que seria o primeiro compacto do disco. A canção já dava mostras do novo som do cantor, cheio de guitarras influencidas por Chuck Berry, com uma letra bem sarcástica.
Uma curiosidade dessa canção é a presença do poeta Allen Ginsberg no vídeo promocional. Dylan fica em pé, com cartazes na mão contendo trechos da letra que ele vai descartando enquanto a música é tocada. Ela alcançou apenas a 39ª posição nas paradas.
Dylan possuía uma profunda admiração pelo escritor: "Ginsberg é um dos dois santos que eu conheço pessoalmente. Ele é o único escritor que eu respeito. Gosto de outros, mas não tenho o mesmo respeito que tenho por Allen.
Ele tem uma grande qualidade: ele não é poeta apenas no papel. Eu não me considero um poeta da mesma maneira que não me considero um cantor que faz música de protesto. Mas Allen é um poeta verdadeiro. Ele chegou a musicar seus poemas."
Outro destaque do disco é "Maggie's Farm". Em 1961 Dylan cantava "Hard Times in the Country", em que narrava a exploração de um fazendeiro sobre seus empregados. Dylan também gostava muito da canção "Penny Farm", gravada pelo lendário músico Pete Seeger, em 1950.
Dessas duas, nasceu "Maggie's Farm", em que o cantor canta que não trabalhará mais na fazenda de Maggie. Essa canção fez um enorme sucesso na Inglaterra, em 1978, quando a conservadora Margaret Thatcher subiu ao poder. A canção acabou dando nome a uma história em quadrinhos da revista inglesa Time Out.
"Love Minus Zero/No Limit" pode ser considerado uma anti-canção de amor, com Dylan usando uma metáfora de uma mulher isolada no mundo, mas que tenta evitar todas as armadilhas comuns em um relacionamento amoroso.
"On The Road Again" é uma sucessão de imagens grotescas, absurdas que tanto fascinavam o cantor nessa época. "Bob Dylan's 115th Dream" tem como grande curiosidade um ataque de risos do cantor logo no início da música. Dylan quebra a tensão da gravação rindo e depois a canta de um fôlego só. É com ela que o lado A é fechada.
O lado B, totalmente acústico, é o que traz os grandes momentos do disco. São apenas quatro canções, todas clássicas. Abre com "Mr. Tambourine Man", emblemática música que tenta narra a busca da transcedência de um artista.
Nessa letra Dylan fala de todas as angústias de um ser humano. Há quem enxergue nela uma apologia às drogas já que "Tambourine Man" poderia ser um curandeiro e que essa transcedência que Dylan tanto busca venha através das drogas ilícitas., tese refutada pelo cantor: "as drogas nunca fizeram parte da canção. Parte da magia da canção vem dos "tambourine men" que encontrei pela vida. O mais impressionante é que essa intricada letra foi escrita quando o cantor tinha apenas 23 anos.
A segunda canção do lado B é "Gates Of Eden", uma canção sobre a salvação espiritual. A música teve como inspiração o poeta William Blake, que escreveu um texto chamado The Keys Of The Gates, que por sua vez tinha sido inspirado em The Gates of Paradise.
Dylan joga com a ambiguidade mais uma vez e até hoje se discute se o cantor fala do Eden de uma maneira positiva ou negativa ou se é apenas uma representação de uma busca interior.
"It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)" pega o título emprestado da canção de Arthur "Big Boy" Crudup "That's All Right, Mama", primeiro compacto de Elvis Presley, fato confirmado pelo cantor. Nela, Dylan tenta destruir todos os mitos da sociedade atual e fala das mazelas e traz uma das mais famosas frases de sua autoria "he not busy being born, is busy dying" (ele não está ocupado em nascer e sim em morrer). É uma canção que contesta a condição humana e alerta para a revolução sexual que viria a seguir. Um pesadelo em forma de letra.
O disco fecha com a não menos clássica "It's All Over Now, Baby Blue", que funciona como um adeus em diversos níveis. Nela Dylan aborda Carl Jung e o fenômeno da sincronicidade, dá seu adeus à esquerda, às ilusões amorosas e às ilusões plantadas na juventude.
"A estrada é para os jogadores e é melhor usar seu bom senso", avisa o cantor logo no início da segunda estrofe. A melodia triste e lenta soa exatamente como um adeus, uma metáfora também ao velho estilo Dylan de cantar.
Lançado em março de 1965, Bringing It All Back Home foi um tremendo sucesso, apesar de confundir a crítica. Equanto alguns o criticaram por ter aderido à guitarra elétrica, outros elogiavam a sua nova postura e consideravam o disco uma obra-prima.
Mas Dylan começou a enfrentar problemas e ser acusado de ter traído a música folk e apostando numa fórmula mais comercial, indo de encontro ao rock. Essas acusações o perseguiriam por todo ano de 1965.
Ironicamente, Dylan encontraria paz e respeito em sua excursão pela Inglaterra entre os meses de abril e junho, tendo na platéia os Beatles e os Rolling Stones. Dylan havia virado uma estrela ainda maior após os Beatles falarem como o cantor havia influenciado o quarteto.
Foi nessa excursão que começaram as filmagens do documentário Don't Look Back, que seria lançado comercialmente em 1967 e foi dirigido por D. A. Pennebaker. De uma hora para outra, Dylan foi colocado no altar do mundo pop, deixando de ser apenas um cantor folk favorito dos universitários e foi alçado a condição de mito. Uma posição que o incomodou: "eu não me vejo com uma estrela e por isso não quero passar a imagem que sou isso. Eu prefiro me comportar da mesma maneira do início de minha carreira, quando eu era um desconhecido."
A CBS aproveitou para faturar em cima da fama do cantor e lançou ainda em junho um compacto com as canções "Maggie's Farm" e "On The Road Again" e viu o catálogo de Dylan vender como nunca, com quatro discos do cantor entre os 20 mais vendidos, enquanto Bringing It All Back Home ocupava o primeiro lugar naquele país.
Em 2003, a Revista Rolling Stone listou as músicas "Mr. Tambourine Man" e "Subterranean Homesick Blues" nas posições 106ª e 332ª, respectivamente, em sua lista das maiores canções de todos os tempos (500 Greatest Songs of All Time).
O álbum alcançou a posição # 6 na Billboard 's Pop Albums, o primeiro dos LPs de Dylan de entrar no top 10 EUA e também chegou ao topo das paradas britânicas. A faixa "Subterranean Homesick Blues", atingiu a posição # 39 nos Estados Unidos.
Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame e é mencionado no livro de referência musical "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer", lançado em 2007.
Em 2003 a revista Rolling Stone classificou este álbum na 31ª posição em sua lista dos 500 melhores álbuns de sempre.
A1 Subterranean Homesick Blues
B1 Mr. Tambourine Man


Caesar CPO
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